O PENSAMENTO DA ESQUERDA

Li recentemente mais uma das obras do eminente teólogo Dr. Augustus Nicodemus Lopes, intitulada “O QUE ESTÃO FAZENDO COM A IGREJA: Ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro” (Editora Mundo Cristão, São Paulo.2008; edição eletrônica: 2013, disponível em www.amazon.com.br). Neste livro o Dr. Augustus Nicodemus, como é mais conhecido, faz uma crítica poderosa ao liberalismo teológico, que tenta conciliar o racionalismo moderno com a teologia ortodoxa das igrejas reformadas.

Em determinado ponto do livro, o autor cita a escritora americana Ann Coulter e seu livro “Godless: The Church of Liberalism” [“Sem Deus: A igreja do liberalismo”].

Ann Coulter é uma republicana conservadora, “advogada, jornalista, colunista de vários periódicos americanos e escritora de sucesso” e “uma crítica mordaz, ferrenha e destemida dos democratas liberais-esquerdistas americanos”.

Estes democratas liberais-esquerdistas dos Estados Unidos constituem o que no Brasil podemos denominar genericamente de esquerda. Ao ler o que Ann Coulter fala sobre o pensamento dos democratas liberais-esquerdistas americanos, vemos que nossa esquerda tem as mesmas ideias e ficamos impressionados com a extensão e profundidade com que a ideologia esquerdista se entranhou no Estado brasileiro.

Vivemos em um país no qual a estrutura do Estado foi completamente dominada pela ideologia da esquerda.

Os itens numerados de 1 a 4 representam as características identificadas por Ann Coulter como típicas da esquerda americana e que estou certo o leitor identificará como presentes na esquerda brasileira também. Em cada um dos itens coloquei comentários que são pertinentes à realidade de nosso pais.

  1. Os esquerdistas são contra a punição de malfeitores, estupradores, assassinos, assaltantes a mão armada e terroristas. Defendem a possibilidade de reabilitação dos piores criminosos mediante a melhoria de sua autoestima, em programas de reabilitação administrados pelo estado e sessões com psicólogos profissionais. Opõem-se à prisão perpétua, à pena de morte e à construção de mais prisões e detenções. São a favor de indultos, de diminuição de pena, para que bandidos perigosos sejam devolvidos à sociedade, pretensamente se reintegrando e se tornando bons cidadãos. Esse poderia ser um dos mandamentos da religião do esquerdismo; “Não punirás o malfeitor.”

    Isto explica, entre outras coisas:
    a) porque a Constituição Federal tem entre suas cláusulas pétreas a proibição da pena de morte e da prisão perpétua;
    b) porque 60000 brasileiros são assassinados todos os anos;
    c) porque uma parricida e matricida fica apenas 12 anos na cadeia;
    d) porque bandidos assassinam policiais sem receio de qualquer represália;
    e) porque o crime organizado controla amplas áreas da cidade do Rio de Janeiro;
    f) porque criminosos comandam suas quadrilhas de dentro de presídios de “segurança máxima”;
    g) porque menores de 18 anos podem atear fogo em suas vítimas,  e debochar da polícia, da justiça e da cidadania;
    h) porque as manifestações promovidas pelas “organizações populares” quase sempre terminam em baderna e quebra-quebra.

  2. Criminosos costumam virar mártires dos esquerdistas.
    Para a esquerda brasileira  os criminosos, não importando a natureza contumaz e a crueldade de seus crimes, são sempre transformados em vítimas “de uma sociedade injusta e desigual”; a “exclusão social” é invocada como justificativa para os crimes mais  bárbaros.

    Esta esquerda cruel e insensível não tem a mínima compaixão pelos pais e mães que choram a perda de um filho, sem dúvida uma das maiores tragédias que podem se abater sobre um ser humano, e não dá a mínima para as esposa e filhos que se tornam de um dia para o outro viúvas e órfãos  desamparados. Não, seu interesse e preocupação se concentra nos assassinos, cuja punição tentam a todo custo minimizar e procrastinar.

    A polícia é invariavelmente acusada de brutalidade e violação de direitos humanos, MESMO QUANDO CLARAMENTE ESTÁ USANDO A F0RÇA NA MEDIDA NECESSÁRIA. Policiais são executados a sangue frio por bandidos, no momento em que estes descobrem a identidade daquele. Nestes casos  nem uma única palavra.

    Os esquerdistas chegam ao paroxismo da estupidez e da insensibilidade ao culpar a vítima: quando um médico carioca foi assassinado a facadas por adolescentes que roubaram sua bicicleta, um esquerdista atribuiu a culpa ao médico por “ostentar uma bicicleta cara em um país de excluídos.”

  3. Os templos da esquerda são as escolas públicas e os sacerdotes são os professores.
    Os esquerdistas conseguiram transformar as escolas da rede pública de ensino em locais de doutrinação política e de inculcação de conceitos éticos e morais de sua preferência. Ensina-se a crianças e adolescentes que:
    a) a religião em geral e o cristianismo em particular são invenções puramente humanas;
    b) a sexualidade precoce é natural;
    c) o Bem e o Mal não são conceitos absolutos, mas apenas relativos; se algo faz você feliz, está OK;
    c) ser homossexual ou bissexual é normal;
    d) o capitalismo é um regime baseado na injustiça e na exploração;
    e) o socialismo trará a igualdade e a fraternidade entre todos os seres humanos, que viverão felizes para sempre;
    f) Cuba e Venezuela são modelos de sociedades democráticas, justas e igualitárias, que o Brasil deve imitar;
    g) Fidel Castro e Che Guevara foram os maiores heróis do continente americano, e todos os povos devem  reverenciá-los;
  4. Os esquerdistas são inimigos da Ciência que considera as realidades de Deus.
    Os esquerdistas só apreciam a Ciência quando esta parece confirmar suas ideias; caso contrário, estão prontos a reagir, protestar, desautorizar e renegar o valor das pesquisas e conclusões.  É mais ou menos o que no Brasil conhecemos por patrulhamento ideológico.
     

O item seguinte é uma característica que percebo na esquerda brasileira mas que não me parece tão extremada no liberalismo-esquerdista dos americanos. A razão me parece ser o fato de que nos Estados Unidos já existe um consenso, pelo menos em  linhas gerais, sobre o projeto nacional. Quase 100% dos americanos concordam que seu país será, pelo menos no futuro previsível, uma democracia capitalista.

No Brasil não existe sequer um consenso básico sobre o que queremos ser como nação: uma democracia capitalista? uma ditadura socialista? uma república bolivariana (seja lá o que for isto)? Gostaríamos de ser um país como os Estados Unidos? Ou seria melhor uma Cuba de dimensões continentais? Ou, quem sabe, talvez como a Coréia do Norte, com uma sequência infinda de “Grandes Companheiros” (Lula I, Rex Magno; Lula II,  Amicus Animalis; Lula III, Dux Terrae Brasilis, etc)? Podemos estar certos de que há defensores de todas estas alternativas.

Assim, parte da esquerda brasileira tem uma característica adicional.

5 – A divisão dos brasileiros entre “nós” e “eles”
Parte da esquerda procura difundir a divisão do povo brasileiro em duas categorias: “nós”, que em algumas versões inclui desde os miseráveis até os trabalhadores metalúrgicos da indústria automobilística; versões mais radicais excluem do “nós” todos os brasileiros que fazem regulamente três ou mais refeições ao dia. Em qualquer caso, “nós” representa tudo que há de elevado, altruísta e virtuoso no país; em contraste, “eles” é um símbolo do que é sórdido, egoísta e pecaminoso. No final das contas, a política é vista como um jogo de soma zero em que “eles” tem que perder para que “nós” ganhe. Alguns esquerdistas já insinuam que a liquidação de um número indeterminado de “eles” será necessária (veja o post REDENÇÂO), outros declaram seu ódio a “eles” (veja o post OS EXTREMOS SE ENCONTRAM). Mas a maioria parece aceitar o jogo democrático.

E assim vamos caminhando para o decisivo ano de 2018…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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