O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH) E A IDEOLOGIA

Recentemente mencionei em um post do Facebook que ainda  tinha  a esperança de  que algum dia o Brasil se tornasse um país de Primeiro Mundo, especificando entre parênteses que isto seria atingir um IDH similar ao dos Estados Unidos da América.

Esta minha colocação foi criticada por  um amigo esquerdista, que afirmou:

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Com o devido respeito, estes referenciais de “primeiro mundo” não servem para mim. O Brasil não deve ser melhor nem pior do que o país A, B ou C. O Brasil deve ser Brasil. E é justamente por isso que não haverá eleições ano que vem – pois a corrente ideológica, a qual coaduno, que quer o Brasil como Brasil corre o sério “risco” de ganhar as eleições. Golpistas deram o golpe por que querem o Brasil como latrina e os brasileiros como limpadores de privada. Aliás, sempre foi assim, antes de 2002.

Chega a ser impressionante como pessoas com elevado grau de escolaridade  e extremamente cultas tem a capacidade de raciocinar de maneira lógica seriamente prejudicada quando a ideologia se infiltra na discussão

Reconheço que os referenciais Primeiro / Segundo / Terceiro Mundos estão obsoletos, pois o Segundo Mundo, formado pelos países socialistas, desapareceu após a falência da URSS. Parece-me que hoje restam no mundo dois paraísos socialistas: a Coréia do Norte com seu patético culto a uma dinastia de tiranetes ridículos e o esclerosado regime cubano, que sobrevive graça às remessas dos milhares de exilados nos Estados Unidos e às atitudes habituais das ditaduras: partido único, censura à imprensa e prisão de dissidentes, A China é um caso especial: uma ditadura nominalmente comunista, com uma economia de mercado em amplas áreas do país.

Assim, nos dias atuais parece mais adequado agrupar os países de acordo com o Índice do Desenvolvimento Humano (IDH), um índice que a ONU calcula para 188 países. Utilizando a descrição da própria ONU (veja o site), numa tradução quase literal:

O Índice de Desenvolvimento Humano foi criado para enfatizar que pessoas e suas capacidades devem ser o critério último para avaliar o desenvolvimento de um país, não apenas o crescimento econômico. O IDH pode ser também usado para questionar a escolha de políticas nacionais, ao mostrar como dois países com o mesmo nível de renda per capita podem ter níveis de desenvolvimento humano diferentes. Estes contrastes podem estimular o debate sobre as prioridades das políticas governamentais,

O IDH é um indicador resumido do nível atingido em dimensões chave do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente. A dimensão de saúde é avaliada pela expectativa de vida ao nascer; a dimensão relativa à educação é medida usando a média de anos de escolaridade para adultos com 25 anos ou mais e o número de anos de escolaridade esperados para crianças que estão entrando na escola.  A dimensão relativa ao padrão de vida é medida pela renda nacional bruta per capita; o IDH usa o logaritmo da renda, para refletir a diminuição da importância deste fator à medida que a renda nacional aumenta. Os escores destes três índices são agregados em um índice composto usando a média geométrica.

 A tabela abaixo mostra a evolução do IDH para alguns países: USA, Chile. Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai desde 1990, quando o índice começou a ser apurado (entre colchetes a posição no ranking em 2015).

USA [10] CHI [38] ARG [45] URU [54] BRA[79] PAR [110]
1990 0,860 0,700 0,705 0,692 0,611 0,580
2000 0,884 0,761 0,771 0,742 0,685 0,624
2010 0,910 0,820 0,816 0,780 0,724 0,675
2011 0,913 0,826 0,822 0,784 0,730 0,679
2012 0,915 0,831 0,823 0,788 0,737 0,679
2013 0,916 0,841 0,825 0,791 0,747 0,688
2014 0,918 0,845 0,826 0,794 0,754 0,692
2015 0,920 0,847 0,827 0,795 0,754 0,693

Uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente! Acredito que a quase totalidade dos brasileiros (e dos seres humanos em geral) gostaria que estas condições fizessem parte de sua história de vida.  Neste sentido acho que o Brasil deveria ser governado com o objetivo de ser cada vez melhor, o que se traduz por um IDH crescente, tendendo a aproximar-se do americano.

Há alguns anos a ONU passou a calcular  o IDH ponderado pela desigualdade (hoje há dados para 155 países) e neste ponto é interessante verificar o que ocorre. Vejamos os índices de 2015 para USA. Venezuela e Brasil.

IDH RANK IDH-AD RANK EVAN EE EA RPC
USA 0,920 10 0,796 20 79,2 16,5 13,2 53245
VEN 0,767 71 0,618 82 74,4 14,3 9,4 15129
BRA 0,754 79 0,561 98 74,7 15,2 7,8 14145

Começando pelo Brasil, temos um IDH de 0,754 e ocupamos a 79ª posição no ranking; quando se faz o ajuste pela desigualdade, o IDH-AD é 0,561 e caímos 19 posições, para o 98º lugar. Isto é um reflexo de nossa má distribuição de renda.

Os Estados  Unidos tem um IDH de 0,920 e ocupam o 10º lugar no ranking; quando ajustado pela desigualdade o IDH-AD é 0,796 e o país cai 10 posições, para o 20º lugar no ranking.

A Venezuela tem o IDH de 0,767 e ocupa o 71º lugar no ranking; quando ajustado pela desigualdade o IDH-AD é de 0,618, caindo 11 posições no ranking, para o 82º  lugar.

Portanto, numa primeira aproximação os Estados Unidos e a Venezuela tem aproximadamente o mesmo índice de desigualdade Mas o que é melhor: ser desigual com uma renda per capita de 53000 dólares ou igualmente desigual com uma renda per capita de 15000 dólares?

A mórbida fascinação da esquerda brasileira com o camarada Maduro e a sinistra ditadura que ele tenta implantar na Venezuela mostram claramente quem deseja “o Brasil como latrina e os brasileiros como limpadores de privada” Aliás, sempre foi assim, depois de 2002.