DONA HELENA: De congadas e tarantelas

Neste seu mais recente livro, a professora Maria Helena Brusamolin recorda, com sensibilidade e um estilo cativante,  acontecimentos da vida de sua mãe e de pessoas de sua família e, é claro, um pouco da história daquela Santa Rita que nossa geração conheceu.

Os tempos eram outros e Maria Helena, com saudade mas sem saudosismo, nos deixa entrever uma vida mais simples, com  mais amizade, mais valores e menos consumismo.  Naquela época não havia celular e muito menos internet, mas havia sim mais amor, mais respeito pelo próximo, menos ganância e muito, muito menos violência. Acreditar em Deus não era visto com suspeição e distinguir o certo do errado não passava por intolerância.

O amor profundo e devotado dos pais para com seus filhos não excluía a disciplina e, quando necessário, uma esquentada no traseiro. Esta é uma diferença muito interessante  entre  aqueles dias e os dias de hoje. Atualmente, o Estado brasileiro, cuja natureza tornou-se – pois não foi sempre assim – predatória e desavergonhadamente canalha, arroga-se o direito de determinar como educar nossos filhos!

Deixando de lado os momentos tristes, que todos e cada um de nós passam em nossa breve caminhada por estas paragens, a autora nos encanta com suas crônicas leves e divertidas sobre um passado não tão distante no tempo mas imensamente afastado no modo. Achei especialmente engraçadas as histórias envolvendo os mergulhos do Mário, seu irmão, na piscina do Country Club, o auxílio prestado pelo Daltinho à D. Helena, e  a descrição hilária  e absolutamente factual das romarias à Aparecida do Norte. Mas não ficam atrás a história do Rei Narão, o episódio da coruja “rasga mortalha” (credo!)  e a televisão colorida (em minha casa também tivemos uma….).

Maria Helena, você está de parabéns! Seu livro é daqueles que é impossível largar depois de iniciar a leitura. Com talento e emoção, você compartilha conosco a bela história de vida de D. Helena e, de certa forma, permite que nos tornemos partícipes desta mesma história.

Tenho certeza de que falo por todos os seus amigos e admiradores de suas qualidades como escritora e, por que não dizer, como pessoa, quando a agradeço por nos presentear com este excelente trabalho.

POETANDO….

Como diz o ditado, “de poeta, médico e louco todos nós  temos um pouco.” Então aí vai:

Engodo

João Azevedo Jr.

 

Se a barca desta vida o porto descortina,

dilui-se no horizonte o trecho percorrido.

Na vã memória, pó que ao nada se destina,

mui tristes sombras clamam: Ah, tivesse sido!

 

Dos jovens são os sonhos de ouro e até platina…

Mas surge logo um prêmio, falso e concorrido,

que seus anelos mata, pois se lhes ensina:

Vencer! Vencer! Combate bruto e aguerrido…

 

Se deste logro um dia se dá sentida conta,

reflete o homem sobre a trilha com saudade,

e assim esquece lidas de tão pouca monta.

 

Passado tanto tempo entende esta verdade:

vencer na vida é seguir o que a alma aponta,

chegando em paz ao sono pela eternidade!

 

Santa Rita do Sapucaí, 13 de novembro de 2016

 

 

 

O BRASIL E A CRISE 2017 (I) – O PONTO FUNDAMENTAL

 

Ouvir os depoimentos de Emílio Odebrecht e seu filho Marcelo fornece o retrato completo e acabado do que se tornou o Brasil. Com clareza e desenvoltura os dois executivos revelaram como funciona o Estado em nosso país. São duas narrativas semelhantes, que descrevem o mesmo fenômeno sob diferentes perspectivas.

Emilio fala como o fazedor de reis, o homem que escolhe e elege presidentes, que detêm de fato o poder de mando e, delicadamente, como convém às eminências pardas, manipula os cordéis dos  fantoches que nós, o comum dos mortais, acreditamos exercer o poder em nosso nome. Emilio não ordena, não faz ameaças, não levanta a voz, sequer insinua as consequências de uma eventual desobediência. Entretanto, os presidentes, ministros, senadores e demais autoridades com as quais conversa sabem perfeitamente que devem obedecê-lo, e que aquilo que convêm a Emílio terá que forçosamente convir ao Brasil.

Já Marcelo representa a corrupção elevada ao nível de uma  disciplina de Administração. Ouvindo o herdeiro de Emílio discorrer sobre a corrupção, é possível imaginar que se trata de uma palestra oferecida em um curso da Harvard Business School. Há procedimentos operacionais complexos e detalhados, refinados por anos de utilização, boas práticas de gestão a serem seguidas, controles sofisticados e ofertas de inovadores serviços aos clientes.

Alguns programavam suas retiradas (planejamento da corrupção), muitos exigiam pagamentos através de depósitos em contas bancárias no exterior, enquanto outros preferiam o pagamento em dinheiro vivo no Brasil. Marcelo tinha em seu organograma invisível um departamento que coordenava o uso do que era eufemisticamente denominado recursos não  contabilizados (em bom português, propina), e tratava de oferecer o melhor serviço ao cliente.

Havia contas correntes para pagamentos de propinas, que continham os valores disponíveis para cada cliente; por exemplo, o Amigo (codinome do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva) dispunha de um crédito de 40 milhões de reais.

Além dos dois principais, quase 80 outros gerentes e executivos da Odebrecht aderiram ao programa de delação premiada. O conjunto  dos depoimentos destes criminosos de colarinho branco demonstra que não há no Brasil praticamente uma só obra pública, quer seja federal, estadual ou municipal, cuja execução não tenha sido manchada pela desonestidade. São concorrências de cartas marcadas, preços superfaturados propinas distribuídas aos agentes envolvidos.

Corrupção sempre houve no Brasil, assim como em todos os países e em todas as épocas. Mas nos últimos anos a corrupção tornou-se institucionalizada, uma forma de governar. No entender de muitos políticos, governar é vender benefícios e facilidades, e o poder que emana do povo, não é exercido em nome deste mas sim em nome de quem paga o melhor preço.

Esta filosofia de governo destruiu o que restava de respeitabilidade aos poderes da Republica, colocando sob suspeição quaisquer atos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. A corrupção mostrou-se de tal forma disseminada que hoje todo decreto assinado pelo presidente, toda lei aprovada no Congresso, toda sentença emitida pelo STF pode, em princípio, suscitar as perguntas: a quem interessa? quanto está sendo pago?

A desmoralização dos poderes coloca em risco a própria democracia e não faltam pessoas que pregam abertamente uma intervenção militar, seguida provavelmente pela caça e extermínio de corruptos e esquerdistas. Pelo lado da esquerda não é difícil encontrar proponentes de uma reação armada contra as ações de um governo que consideram ilegítimo e golpista; uma eventual prisão do ex-presidente Lula é citada abertamente por alguns próceres da esquerda como o sinal para a deflagração de uma guerra civil.  

Não me parece que uma aventura autoritária, da direita ou da esquerda. seja uma solução adequada.

O Brasil  possui dimensões continentais, economia complexa e diversificada,  imensos recursos naturais inexplorados e um mercado consumidor com potencial de  crescimento sem paralelo em qualquer  outro lugar do mundo, exceto talvez na China e na Índia. Temos ainda uma profunda desigualdade social e nota-se, como mencionado acima, uma crescente e perigosa polarização nas discussões políticas. 

A mediação de conflitos e a negociação pacífica, entre os diversos grupos de interesse, das divergências quanto à alocação de recursos são funções tradicionalmente exercidas pelo Parlamento. Para evitar uma catástrofe de dimensões apocalípticas. como seria uma guerra civil. é imprescindível que o Parlamento continue funcionando normalmente.

Vivenciamos atualmente uma crise moral, uma crise política e uma crise econômica. Creio que somente dentro do regime democrático será possível solucionar estas crises e retomar o caminho do desenvolvimento sustentado.

Aventuras autoritárias são inadmissíveis a esta altura de nossa história e podem causar um desastre  cujo custo em termos humanos e econômicos é simplesmente inimaginável.

MAIS SOBRE SANTA RITA DO SAPUCAÍ

Esta reportagem traz mais algumas informações sobre minha terra adotiva. Por exemplo, somente 45 cidades do mundo, sendo 3 no Brasil, foram escolhidas pelo Facebook para realizar seu evento F8, uma conferência anual de desenvolvedores e empresários que utilizam esta plataforma. Uma destas cidades é a pequena Santa Rita do Sapucaí, o que ilustra a excelência do trabalho que aqui se realiza.

Para ler a reportagem, clique neste link: Cidade mineira atrai jovens talentos pelo estilo de vida pouco convencional.

AS QUATRO FERAS EM DANIEL 17

No segundo ensaio do livro “Jesus Histórico e Outros Ensaios” aborda-se a controvérsia relativa a datação do Livro de Daniel, o que enseja uma prolongada argumentação. Mas esta decisão é crucial para determinar o sentido deste livro bíblico.

Se Daniel escreveu seu livro no século VI AC, trata-se realmente de uma profecia, que descreve com um nível de detalhes impressionante eventos futuros, em especial os acontecimentos que se envolveram as dinastias ptolomaica e selêucida.

Se o livro de Daniel foi escrito no século II, com o objetivo de infundir ânimo e esperança aos judeus que combatiam a tentativa de suprimir o Judaísmo, empreendida pelo rei selêucida Antíoco IV, então não há profecia envolvida, pois os eventos descritos já teriam ocorrido.

Admitindo-se que Daniel seja um livro que contém previsões sobre eventos futuros, a primeira de suas visões proféticas é descrita no capítulo 7. Vejamos algumas interpretações, descritas no comentário de cada versículo.

1. No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça. Então escreveu o sonho, e relatou a suma das coisas.
Comentário: Conforme discutido no segundo ensaio do livro “Jesus Histórico e Outros Ensaios”, Belsazar nunca teve o título de rei. Atuou como regente durante a ausência de seu pai Nabonidus, que retirou-se para em Taima entre 552 e 542 AC. Portanto, este sonho teria acontecido em 552 AC.

2. Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando, numa visão noturna, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o Mar Grande.
Comentário: O mar representa a humanidade, espalhada pelos quatro cantos do mundo agitada pelos acontecimentos.

3. E quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar.
Comentário: As quatro feras que saem do mar representam impérios que  dominaram a região.

4. O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em dois pés como um homem; e foi-lhe dado um coração de homem.
Comentário: Este animal representa o império babilônico, no qual esta represemtação era bastante comum.

5. Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne.
Comentário: A Média e a Pérsia, unificadas  por Ciro II, o Grande, constituíram o império medo-persa, representado pelo urso. Em 639 AC, Ciro conquistou a capital Babilônia, pondo fim ao império babilônico.

6. Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças; e foi-lhe dado domínio.
Comentário: O terceiro animal representa o chamado império grego, que foi criado por Alexandre, o Grande. Em poucos anos (leopardo = rapidez) , Alexandre conquistou um imenso território, que se estendia da Grécia ate a Índia. Sua morte prematura em 323 AC, com apenas 33 anos de idade, levou à divisão do imenso território entre quatro de seus generais, Lisímaco, Cassandro, Seleuco e Ptolomeu, que se declararam reis de suas respectivas áreas.

7. depois disto, eu continuava olhando, em visões noturnas, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres.
Comentário: Se, quanto aos três primeiros animais, não há muita divergência na interpretação, o simbolismo do quarto animal é muito controverso.  Vejamos algumas interpretações que podem ser encontradas  na internet.
Os
Adventistas (http://www.adventistas.org/pt/espiritodeprofecia/4-bestas-de-daniel-capitulo-7/) acreditam que o quarto animal representa o império romano. Os dez chifres seriam os povos que teriam originado a Europa: Anglos (Inglaterra) – Burgundos (Suíça) – Francos (França) – Germanos (Alemanha) – Hérulos (Sul da Itália) – Lombardos (Norte da Itália) – Ostrogodos (Áustria) – Suevos (Portugal) – Vândalos (Sul da Espanha) – Visigodos (Norte da Espanha). Afirmam também que o chifre pequeno representa o Poder Papal e, por extensão, a Igreja Católica Apostólica Romana.  A Assembleia de Deus  e as Testemunhas de Jeová também concordam com a associação entre a quarta fera e o Império Romano, mas não são tão específicas a ponto de associar o líder da Igreja Católica ao Anticristo. Outras possibilidades ventiladas para a identidade da quarta fera são a Rússia, os Estados Unidos, o Estado Islâmico e diversas outras

Uma interpretação aceitável e é compatível com as duas datas que podem ser atribuídas ao livro de Daniel está abaixo. Postula-se que a quarta fera representa o reino selêucida o qual, no reinado de Antíoco IV,  tentou efetivamente destruir o Judaísmo. Portanto, para os israelitas, este reino parecia muito mais terrível e pernicioso do que as potências que os haviam subjugado até então.

Observando a cronologia dos reis selêucidas temos: Seleuco I, Antíoco I, Antíoco II, Seleuco II, Seleuco III, Antíoco III.  O filho mais velho de Antíoco III sucedeu o pai e, com o nome de Seleuco IV, reinou entre 187 e 175 AC; era, portanto, o sétimo rei da dinastia selêucida. Seleuco IV foi assassinado por Heliodorus, um de seus ministros, que tentou sem sucesso tomar o lugar dos selêucidas. O rei assassinado deixou dois filhos: o mais velho era Demetrius,  de 12 anos, que estava em Roma como refém, para garantir o pagamento de indenizações de guerra exigidas pelos romanos; e o mais novo,  Antíoco, que se encontrava em Damasco. Antíoco IV aproveitou-se da oportunidade e assumiu o poder como co-regente, ao lado de seu sobrinho, o filho mais novo de Seleuco IV. Temos nesta lista os 10 reis da dinastia selêucida, que correspondem aos 10 chifres da fera.

8. Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas.
Comentário: Quando o primogênito de Antíoco IV nasceu, ele providenciou a eliminação do sobrinho co-regente, de forma a garantir o trono para seu filho no futuro. Isto ocorreu em 168 AC e fica claro porque o “chifre pequeno” (Antíoco IV não era o sucessor natural de Seleuco IV), ao subir, arrancou “três dos primeiros chifres” (Seleuco IV, Demétrius e Antíoco). Nesta época, Antíoco IV iniciou sua campanha de helenização forçada, e por isto se diz que “neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas.”, vale dizer bazófias e blasfêmias contra o Deus de Israel.

Referências

Contributor:The Editors of Encyclopædia Britannica .Article Title: Seleucid kingdom. ·   Website Name: Encyclopædia Britannica. Publisher: Encyclopædia Britannica, inc.    Date Published: Maio 24, 2007. URL: https://global.britannica.com/place/Seleucid-kingdom. Access Date: Março 08, 2017

Contributor:Hans VolkmannArticle Title: Antiochus IV Epiphanes. Website Name: Encyclopædia Britannica . Publisher: Encyclopædia Britannica, inc. Date Published: Março 13, 2003. URL: https://global.britannica.com/biography/Antiochus-IV-Epiphanes. Access Date: Março 08, 2017

Article Title: Antiochus . Website Name: Jewish Virtual Library. Publisher: American-Israeli Cooperative Enterprise. URL: http://www.jewishvirtuallibrary.org/antiochus .      Access Date: Março 08, 2017

Article Title: Book of Daniel . Website Name: Jewish Virtual Library . Publisher: American-Israeli Cooperative Enterprise. URL: http://www.jewishvirtuallibrary.org/daniel-book-of~. Access Date: Março 08, 2017

Article Title: Seleucus IV Philopator .Website Name: Jewish Virtual Library. ·         Publisher: American-Israeli Cooperative Enterprise . URL: http://www.jewishvirtuallibrary.org/seleucus-iv-philopator . Access Date: Março 08, 2017

Article Title: Antiochus IV. Website Name: Into his Own. URL: http://virtmualreligion.net/iho/antiochus_4.html . Access Date: Março 08, 2017

Article Title: Seleucus IV . Website Name: The Genealogy of the Seleucids .       Publisher: McGill University . URL: http://www.seleucid-genealogy.com/Seleucus_IV.html . Access Date: Março 08, 2017

Article Title: CHEGOU A HORA Um estudo sobre a segunda vinda de Cristo à luz da Bíblia e de Ellen G. White.     URL: http://jonatanconceicao.blogspot.com.br/ . Access Date: Março 08, 2017

 

 

 

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