Adeus às Ilusões: o Fim da Operação Lava a Jato

Está em curso em Mordor [1], a Terra da Escuridão, que atende oficialmente pelo nome de Brasília, mais uma tentativa de aniquilar completamente qualquer esperança de que o Brasil possa vir a ser, um dia, a pátria dos brasileiros.

A elite retrógrada, predatória e desumana que desde sempre governa este triste país é extremamente inteligente e capaz de tudo para manter  o sistema de coisas que serve aos seus interesses econômicos. Um exemplo recente do poder quase diabólico dessa elite está tristemente visível nos dias de hoje: conseguiram transformar a mais autêntica liderança popular que surgida no Brasil em toda a sua história – Luiz Inácio Lula da Silva – em um marginal, um reles larápio, acossado pela justiça e reduzido a motivo de desprezo e chacota para todos os homens de bem.

Tal como Satã, a elite brasileira sabe encontrar os pontos fracos de todo ser humano que com ela interage e aproveitar-se disto para atar o indivíduo e trazê-lo para as trevas, onde este permanece escravizado até o fim de seus dias.

A maioria, como foi o caso de Lula, perde-se pela ganância. Mas há também os que sucumbem a outras tentações: alguns à vaidade, outros ao orgulho, e ainda outros  à ira, ou à preguiça ou à luxúria.

Seja como for, as hostes infernais dominam hoje de maneira quase completa toda a estrutura do estado brasileiro, notadamente o primeiro escalão dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Nos últimos anos, contra todas as expectativas, um punhado de jovens  idealistas, protegidos pelo escudo da fé em um Brasil livre do jugo maldito que o infelicita, esboçou uma reação contra o Senhor das Trevas. São jovens advogados, juízes, promotores, delegados e  policiais federais, ainda não cooptados pelo Inimigo.

Este pequeno grupo de justos vem empreendendo uma verdadeira guerra sem tréguas contra o Mal, que se instalou no cerne do Estado, e que pauta as ações do governo e o comportamento dos governantes. A batalha principal desta guerra se chama Operação Lava a Jato.

A reação dos malditos, cujo coração transborda de ódio contra a justiça, contra o Brasil e contra o povo, não se fez esperar. Tentaram diversas vezes barrar a Lava a Jato no Congresso, mas por fim os principados maléficos optaram por fazê-lo de forma mais técnica e menos política.

Instruíram pois o Consistório da Besta, ou Conselho Nefando, para que destruísse de vez os poucos que ainda resistem ao Mal. Recebida a ordem, imagino o que os onze conselheiros infernais comentavam entre si, enquanto sorviam o sangue da nação e devoravam pedaços dos corpos dos brasileiros sacrificados pela corrupção desenfreada que eles acobertam e avalizam: “Que desfaçatez desta gentinha, que ousa contestar nosso Mestre e Senhor! Este povinho idiota e covarde tem que entender de vez quem é que manda no Brasil.”

Em seguida, o Conselho Nefando aprovou uma decisão estabelecendo que a prisão de um réu só ocorrerá após a condenação em última instância, de modo a garantir na prática a impunidade eterna dos corruptos.

Nas semanas seguintes, os juízes de Satanás liberaram todos os acusados presos pela Lava a Jato. O Príncipe das Trevas em pessoa desceu em (subiu a?) Brasília para cumprimentar seus Oficiais e estabelecer a estratégia para atingir o próximo objetivo: a destruição do Brasil como nação.

[1] Esta é uma visão apocalíptica da política brasileira, com referências a “O Senhor dos Anéis” e à Divina Comédia. Trata-se de um texto irônico; não acredito que o Maligno venha de fato cumprimentar pessoalmente alguns personagens de nossa política. Mas de que ele inspira a muitos não tenho dúvidas.

[2] Quanto ao ponto principal do texto: O FIM DA PRISÃO PARA OS CONDENADOS EM SEGUNDA INSTÂNCIA, que significa na prática o triunfo dos corruptos, há muita gente poderosíssima articulando isto.

JOGOS DE GUERRA

Estrategistas militares costumam exercitar a imaginação criando cenários elaborados que descrevem situações de conflito interno e externo nas mais diversas regiões do planeta e avaliam as possíveis ações que poderiam ser tomadas em cada caso, de modo a defender os interesses do analista. São os chamados “jogos de guerra”.

Na semana passada vieram à tona vários documentos ultra secretos do Pentágono, incluindo mais de uma centena de jogos de guerra. Os documentos foram fornecidos ao editor-chefe do respeitadíssimo jornal “The Daily Planet”, Mr. Clark Kent, e publicados em partes durante vários dias. O governo americano negou a autenticidade do material e procurou sem sucesso impedir sua publicação, através de ações judiciais. O porta voz do Pentágono classificou a publicação dos documentos como “um ato antipatriótico, que prejudica as relações dos Estados Unidos com várias nações, apresentando como verdadeiro o que não passa de especulação.” As muitas nações envolvidas nos jogos de guerra apresentaram “veementes protestos” ao governo americano.

Com relação ao Brasil, há apenas um jogo de guerra, muito simples e que não requer supercomputadores para simulação das estratégias e cenários, mas tão somente lápis e papel.

Segundo as regras estabelecidas, os estrategistas leem o cenário geral, discutem entre si por um tempo determinado e formulam hipóteses sobre os eventos do primeiro dia. Feito isto, leem a descrição que consta do texto, pontuam as formulações de cada um e iniciam as discussões sobre o segundo dia; repete-se o ciclo até completar os dias previstos para duração do jogo..

Jogo de Guerra #13

Título: O Grande Companheiro

Local: Brasil

Envolve: Bolívia, Brasil, Coréia do Norte, Cuba, Estados Unidos, Haiti, Iraque, Suíça, Venezuela

Duração: 15 dias

Quadro geral: Gigantescas manifestações populares  exigem a renúncia de Dilma Rousseff e a prisão de Lula. Dilma demonstra apatia diante da situação e renuncia ao comando do governo, embora mantendo formalmente o cargo de presidente. Na prática, o país é governado pelos ministros, e o Ministro Chefe da Casa Civil atua como uma espécie de Primeiro Ministro. No Congresso a oposição exige o impedimento de Dilma e de seu vice, Michel Temer. Porém o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, terceiro na linha de sucessão, é réu de vários processos de corrupção, acusado de receber propinas de milhões de dólares de fornecedores do governo federal. A oposição exige que Eduardo Cunha também renuncie e negocia com parlamentares dissidentes da base governista um nome de consenso, que assuma a presidência da Câmara e em seguida a da República, para convocar novas eleições. Percebendo seu papel chave no momento político  – enquanto mantiver o cargo o impedimento não será votado – ele faz saber aos interessados que, para não renunciar, deseja US$25.000.000,00 depositados em suas contas na Suíça. O acordo é fechado e o dinheiro transferido para as contas indicadas. A situação permanece tensa, mas o  impasse garante a manutenção do “status quo”.

Primeiro Dia: A revista “Veja” revela que a quase totalidade do “empréstimo” do BNDES à Cuba para financiamento do Porto de Mariel, foi na realidade usado para financiar a construção de campos de treinamento para guerrilheiros no Haiti. O governo nega “de maneira veemente” que tenha ocorrido desvio do financiamento para Cuba e alega que “auditores brasileiros e cubanos acompanham o andamento das obras do porto de Mariel para liberação das parcelas do financiamento”.

Segundo Dia: A Rede Globo exibe fotos obtidas por satélites de espionagem americanos. As fotos mostram o que seriam os campos de treinamento no interior do Haiti. O locutor lembra que a partir de 2010 cerca de 130.000 haitianos entraram no Brasil. Destes, 40.000 eram adultos entre 25 e 35 anos de idade, viajando sozinhos.

Terceiro Dia: As Forças Armadas afirmam que “não irão tolerar a formação de milícia estrangeira em solo pátrio”. A Agência Brasileira de Inteligência,  que já vinha investigando o assunto, vaza a informação de que o dinheiro desviado das obras do porto para treinar guerrilheiros sofrera mais um desvio e repousava tranquilamente na Suíça, em contas de políticos e burocratas cubanos e haitianos. Os imigrantes estavam mesmo fugindo da miséria e buscando oportunidade de uma vida melhor; só se poderia acusá-los de péssimo “timing”…

Quarto Dia: A Polícia Federal e os promotores envolvidos no caso anunciam que o acervo de Lula, depositado em um cofre especial do Banco do Brasil, pago por uma das maiores empreiteiras do país, inclui grande número de joias e obras de arte pertencentes ao acervo da Presidência. A assessoria de Lula divulga nota em que o ex-presidente se diz “aturdido” com a revelação, e “que eventuais desvios foram cometidos pelo pessoal responsável pela mudança, sem seu  conhecimento ou autorização”. Procuradores da Justiça Federal preparam uma denúncia contra o ex-presidente.

Quinto Dia: Dilma nomeia Lula para o cargo de Ministro Chefe da Casa Civil. Lula adquire foro privilegiado e somente pode ser processado pelo Supremo Tribunal Federal. Torna-se também presidente de fato, e inicia o terceiro mandato com o objetivo de frear as investigações em curso.

Sexto Dia: Inicia-se um expurgo da Polícia Federal, com o afastamento de delegados e  policiais comprometidos com a investigação dos delitos do ex-presidente e de seus amigos e aliados. Os afastados são substituídos por simpatizantes do PT. Em Curitiba, o juiz Sergio Moro declara ser impossível continuar as investigações da operação Lava a Jato e renuncia ao cargo de magistrado.

Sétimo Dia: Em todas as grandes cidades do país multidões se manifestam exigindo a derrubada imediata do governo. A polícia tenta mas não consegue manter a ordem. A multidão enfurecida invade, saqueia e incendeia lojas e estabelecimentos bancários. Em Brasília o Congresso é invadido e os plenários da Câmara e do Senado são incendiados.

Oitavo Dia: A população continua a manifestar-se contra o governo em marchas e atos de protesto. Lula inicia a operação Jararaca e ordena aos militantes de seu partido que saiam às ruas para deter as “forças da reação, que defendem a volta a um Brasil onde os pobres eram desprezados pelos governantes”. O exército do partido, composto por milhares de militantes do MST, armados de foices e facões, ataca os manifestantes que protestam contra o governo. A tropa de choque entra em ação e a ruas das principais cidades do país se transformam em campo de batalha; há grande número de feridos e alguns mortos.

Nono Dia: Com discreto encorajamento das Forças Armadas, Dilma e Temer renunciam; Eduardo Cunha é preso. É divulgado o Mapa da Corrupção, resultado de anos de investigação sigilosa de um grupo ultra secreto de  profissionais especializados em evidenciar  fraudes em obras públicas, detectar sinais de enriquecimento ilícito e rastrear processos de lavagem de  dinheiro. O Mapa lista as fraudes cometidas em dezenas de milhares de obras públicas em todo o país e afirma dispor de provas incontestáveis contra os envolvidos em cada caso.

Décimo dia: São expedidos em todo o país milhares de mandados de prisão contra corruptos. Grande parte dos senadores, deputados federais, deputados estaduais,  governadores, secretários de estado, prefeitos e vereadores, além de funcionários públicos dos mais diversos escalões, empreiteiros e outros fornecedores do governo tenta desesperadamente deixar o país, por terra, ar e mar. Por falta de espaço, os corruptos presos são mantidos em estádios, que passam a funcionar como centros de detenção. Dilma foge para a Bolívia, e assume a presidência da refinaria da Petrobrás expropriada anos antes pelo governo boliviano. Lula desaparece.

Décimo-primeiro dia: A legalidade é atropelada pelos fatos. O Congresso, reduzido a 15% de seu tamanho original e agora composto apenas por homens de bem, unidos em uma Frente de Salvação Nacional, se reúne em Ouro Preto e inicia seus trabalhos, com o compromisso de votar a reforma política que é discutida há vinte anos e convocar novas eleições gerais em seis meses. Um jurista idoso, de reputação ilibada, sem ambições políticas, é convidado e aceita assumir a presidência do Governo Provisório.

Décimo-segundo dia: Lula reaparece no interior de Rondônia. Com evidentes sinais de delírio psicótico, auto intitula-se “Grande Companheiro das Massas e Pai de Todos os Pobres” e dá um ultimato ao Governo Provisório: qualquer medida jurídica contra ele, seus familiares e amigos deve ser suspensa, ou as consequências serão “terríveis”. O governo ignora o ultimato.

Décimo-terceiro dia: O ditador norte-coreano anuncia que cedeu um artefato nuclear ao exército do PT e declara que sua boa-vontade demonstra o “apoio do povo norte-coreano à luta dos povos de todo o mundo contra o imperialismo norte-americano”.  Os presidentes de Cuba, Venezuela, Bolívia e Iraque manifestam seu apoio ao ex-presidente.

Décimo-quarto dia: Lula aparece pela última vez na TV, agora denominando-se “Grande Companheiro das Massas, Pai de Todos os Pobres e Senhor dos Exércitos.”  Avisa que dispõe de armamento nuclear e apresenta novas exigências: (1) o país deve ser  dividido em duas partes por uma linha imaginária unindo Belém do Pará a Laguna em Santa Catarina;  (2) as terras a oeste desta linha devem ser reconhecidas como nação soberana com o nome de Nóslandia, ficando estabelecida para sempre a separação entre “nós” e “eles”.

Décimo-quinto dia: – O governo norte-americano informa reservadamente ao Governo Provisório que o avião norte-coreano trazendo a bomba havia sido abatido quando sobrevoava o Polo Norte. O ultimato de Lula é recusado e o ex-presidente desaparece no interior da selva amazônica com um grupo de petistas que continuam acreditando. Os juros e o dólar despencam e tem início um vigoroso processo de recuperação da economia.