DELENDUS EST TEMER

A Rede Globo está em campanha aberta para tirar Michel Temer da Presidência da República. Isto fica muito evidente quando se acompanham as edições do Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência do país.  O alcance e a credibilidade do Jornal Nacional para uma parcela significativa do povo brasileiro, o tornam uma poderosíssima ferramenta para manipular a realidade e influenciar a opinião pública.

É claro que a empresa tem bons jornalistas, que estão sempre buscando a notícia, mas a história (e.g. Campanha pelas Diretas-Já em 1984, debate Lula x Collor em 1989) tem demonstrado que, quando se trata de assunto relevante para a empresa,  o quê vai ao ar e como vai ao ar é definido pela Alta Direção.

Que existem acusações de que Michel Temer é um político corrupto, habituado às piores práticas da política brasileira e cúmplice de Eduardo Cunha em vários negócios escusos, isto até as pedras da Praça dos Três Poderes sabem. Mas corruptos ocupando cargos importantes, e até mesmo a Presidência da República, já houve antes, e nem por isto a Globo demonstrou contra eles este fervor missionário com que se dedica a destroçar o  governo Temer.

O que tem me intrigado é porque a Rede Globo está fazendo isto. Algum motivo deve haver, pois como se sabe, a empresa “não dá ponto sem nó”. Imaginei alguns cenários possíveis se Temer deixasse a presidência, seja por impeachment, seja por renúncia. Para esboçar estes cenários, estou partindo de duas premissas:

1)      Um golpe militar ou parlamentar (e. g. instalação de um parlamentarismo de emergência, como em 1961) enfrentará fortíssima resistência da esquerda, que contará com o “exército de Stedile”, possivelmente apoiado pelos vizinhos bolivarianos e, muito provavelmente, milícias armadas compostas de integrantes do crime organizado, a exemplo do que ocorreu na Colômbia. Assim, desta vez, um golpe contra a esquerda não ocorrerá praticamente sem derramamento de sangue, como em 1964; levará o país a uma guerra civil.

2)      Candidatos declarados ou com ambições presidenciais são, neste momento,  Ciro Gomes, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro, João Doria Jr., Geraldo Alckmin e Marina Silva.    Caso Lula não seja candidato em 2018, a maioria da esquerda apoiará Ciro Gomes.

A partir destas premissas, coloco os diversos cenários, divididos em três grupos.

Primeiro grupo: Não há eleições em 2018.

  1. Uma junta militar, no melhor estilo latino-americano, assume o poder e inicia uma perseguição sem tréguas à esquerda.
    1. Probabilidade: Extremamente pequena.
    2. Racional: As Forças Armadas estão bastante profissionalizadas, e a impressão que se tem é de que não existe um consenso entre os militares para iniciar uma revolta, e muitos menos a figura de um líder para comandá-la. O que há são manifestações esporádicas de saudosistas do governo militar, de oficiais subalternos e de generais de pijama.
    3. Conclusão: Guerra civil.
  2. Partidos de direita (ou de esquerda) convocam uma gigantesca manifestação popular (pelo menos tão grande quanto a Parada Gay em São Paulo ou o carnaval em Salvador); 2.000.000 de brasileiros marcham sobre Brasília e cercam o Congresso Nacional, forçando os deputados e senadores a votar pelas eleições diretas.
    1. Probabilidade: Extremamente pequena.
    2. Racional: O povo brasileiro, de um modo geral, não está disposto a participar de manifestações de rua e nem a esquerda nem a direita tem hoje lideranças capazes e/ou dispostas a organizar um movimento popular contra o regime.
    3. Conclusão: Confrontos graves entre manifestantes de direita e esquerda; possível escalada do conflito para uma guerra civil.
  3. O Congresso, por acordo político, decide pelas Diretas Já.
    1. Probabilidade: Extremamente pequena.
    2. Racional: A ideia não prospera no Congresso, onde seria necessário o apoio de 3/5 dos deputados e senadores para sua aprovação, visto que requer alteração do artigo 81 da CF. Além disto, há discussão sobre se o estabelecido no artigo 81 é ou não uma cláusula pétrea, pois é possível argumentar que alterar este artigo fere o disposto no parágrafo 4 do artigo 60. Com certeza, o tempo para resolver a questão judicial é maior que o prazo até as eleições.
    3. Conclusão: Dentro da normalidade constitucional é praticamente impossível.
  4. O Congresso, por acordo político, decide adiar as eleições para 2020, a pretexto de coincidência de todos os mandatos.
    1. Probabilidade: Extremamente pequena.
    2. Racional: Mesmo do cenário C. Nem o regime militar chegou a usar a “coincidência de mandatos” como argumento para aumentar a duração dos mandatos de deputados e senadores; no Pacote de Abril de 1977 reduziu os mandatos de vereadores e prefeitos.
    3. Conclusão: Dentro da normalidade constitucional é praticamente impossível.

Segundo Grupo: As eleições de 2018 são realizadas e Lula é candidato.

  1. Lula vence no primeiro turno.
    1. Probabilidade: Pequena.
    2. Racional: Lula tem alto índice de rejeição. Nas eleições de 2016 o PT foi massacrado nas urnas, e também parece ter alto índice de rejeição. Hoje Lula não tem mais votos para vencer no primeiro turno.
    3. Conclusão: Consolidação do PT no poder. Convocação de uma Assembleia Constituinte; nova constituição estabelece a República Popular do Brasil, que se torna, progressivamente, um regime de partido único; os meios de comunicação passam a ser controlados pelo Estado.
  2. Lula vai para o segundo turno contra qualquer um dos candidatos listados, exceto Ciro Gomes, e chega à presidência.
    1. Probabilidade: Média
    2. Racional: Nenhum dos candidatos tem projeção nacional. Álvaro Dias, Doria e  Alckmin são candidatos regionais; no primeiro debate, Bolsonaro demonstrará seu completo despreparo para governar o Brasil e perderá apoio de parcela significativa da classe média; Alckmin não tem o menor carisma; Doria passa a imagem do “gestor” quando o que o povo quer é um “líder” e a imagem de honesto será muito questionada em função de sua passagem pela Embratur; Marina não consegue explicar a que veio e, além disto, depois do desastre “Dilma” uma mulher não tem a mínima chance na próxima eleição. Álvaro Dias pode ser a surpresa.
    3. Conclusão: Consolidação do PT no poder. Os objetivos anteriores (Constituinte e da República Socialista do Brasil) ainda continuam no programa do governo, mas sua implementação será mais lenta.
  3. Lula vai para o segundo turno contra Ciro Gomes, e chega à presidência.
    1. Probabilidade: Média
    2. Racional: Pelo quadro atual, Ciro Gomes é disparado o candidato mais preparado e pelo visto vem se preparando a anos. Não tem um único processo contra ele nos seus 38 anos de política, desistiu de aposentadorias no valor de R$82.000,00 a que teria direito legal e é conhecido nacionalmente, por já ter sido candidato à presidência. Mas numa eventual disputa com Lula, Ciro terá o voto da classe média (pois é mais “coxinha”) e Lula atrairá o voto dos mais pobres (pois é mais “mortadela”). Como há muito mais brasileiros de baixa renda e baixa escolaridade do que brasileiros de alta renda e alta escolaridade, Lula vence a disputa.
    3. Conclusão: Consolidação do PT no poder. Os objetivos anteriores (Constituinte e da República Socialista do Brasil) ainda continuam no programa do governo, mas sua implementação será mais lenta do que no cenário acima, pois Ciro Gomes tentará se firmar como a alternativa para evitar que o PT atinja seus objetivos.

Terceiro grupo: As eleições de 2018 são realizadas e Lula não é candidato.

 

  1. Ciro Gomes vence as eleições.
    1. Probabilidade: média.
    2. Racional: Ciro Gomes vai se revelar como o mais bem preparado dos candidatos, projetando a imagem de um candidato experiente, honesto e profundo conhecedor dos problemas brasileiros; venderá ainda a ideia de que é o único que tem um projeto para o Brasil alternativo ao de Lula e do PT e sem a mancha da corrupção.
    3. Conclusão: O Brasil terá um governo de esquerda moderada.

Espero que a maioria dos leitores considere que minha descrição acima é uma avaliação relativamente fiel do que poderá acontecer no Brasil nos próximos meses.

Se isto for verdade,  voltando à questão original, qual o interesse da Globo na destruição do governo Temer? Oque ela tem a ganhar em qualquer destes cenários?

Publicado por

joaoazevedojunior

I am a retired electronic engineer. who likes to write about issues that I consider interesting. I welcome your comments and constructive criticism.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s