UM MOTIVO PARA ALEGRIA: HÁ UMA AGENDA MÍNIMA

Em 24/06/2017 postei no Facebook um texto com um “emoticom” sorridente, afirmando que estava me sentindo muito feliz e fornecendo logo abaixo uma estranha explicação do motivo de minha alegria:

“Porque hoje no programa “Conversa com Bial” aquele historiador conhecido, Leandro Karnal, meio que confirmou duas ideias que eu já havia articulado nos meus posts e que destaco abaixo em maiúsculas. Escrevi: Então, onde está o verdadeiro problema? Por que a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos parece um objetivo inalcançável para o Brasil? A resposta que me parece mais verdadeira é que no Brasil o ESTADO NUNCA REPRESENTOU DE FATO OS INTERESSES DO POVO BRASILEIRO. A representação desses interesses foi sempre parcial e incompleta, seja nos períodos de ditadura, seja nos períodos de maior liberdade democrática.
AO INVÉS DE ESTAR A SERVIÇO DO POVO, empenhado na busca do bem comum, O ESTADO NO BRASIL É, em medida variável ao longo do tempo, UM ENTE QUE SE SERVE DO POVO para perpetuar privilégios, propiciar o enriquecimento ilícito de pessoas desonestas e utilizar o dinheiro público em benefício de interesses particulares.”

Primeiro com o “mensalão”, depois com o escândalo da Petrobrás, agora com o “affair” Temer / JBS, somos bombardeados diariamente com notícias sobre a corrupção desenfreada que se instalou no governo. Sem dúvida isto é motivo de justa indignação para a maioria dos cidadãos brasileiros, gente honesta e trabalhadora, que vê boa parte dos impostos que paga roubados ou simplesmente desperdiçados por um Estado incompetente e corrupto. Mas a corrupção vem sendo tratada de acordo com a lei, desde que se iniciou a histórica operação Lava Jato. Podemos discutir se as punições são muito brandas, se criminosos confessos estão hoje cumprindo prisão domiciliar em mansões hollywoodianas construídas com dinheiro roubado dos cofres públicos, etc. Não sabemos se a Lava Jato sinaliza, de fato, uma nova maneira de fazer política no Brasil, ou se será apenas um caso singular, sem maior impacto sobre o comportamento criminoso de grande parte dos ocupantes de cargos eletivos em nosso país. Mas seja como for, o fato é que NUNCA ANTES na história desta república vimos indivíduos realmente poderosos, tais como deputados, senadores e governadores, atrás das grades, condenados por crimes de corrupção. Até pouco tempo atrás, os donos do poder sentiam-se absolutamente inatingíveis, acima das leis e certos da mais completa impunidade. Hoje um ex-Presidente da República está prestes a ser condenado a 22 anos de prisão! Penso que atualmente os corruptos tem algum receio de, se descobertos, serem punidos – uma absoluta novidade no país.

Creio que a indignação não conduz necessariamente ao ódio. Leva sim ao desejo de justiça, à expectativa de que os culpados sejam processados e punidos de acordo com a lei; eventualmente podemos pleitear leis mais rigorosas, fiscalização mais eficiente da destinação dos recursos públicos e outras medidas que se façam necessárias para combater a corrupção e o desperdício. Tudo isto faz parte do jogo democrático.

Entretanto, nos últimos meses o clima de ódio entre os brasileiros tem aumentado de forma preocupante. Isto fica claramente evidenciado quando se observa a virulência dos comentários postados nas redes sociais, sejam de pessoas comuns, sejam de jornalistas profissionais. A esquerda insufla o ódio ao pregar a divisão do povo brasileiro entre “nós” e “eles”, ao promover manifestações dos “movimentos sociais” que terminam em baderna e vandalismo, ao afirmar que conta com o “exército de Stedile”. Também aumenta a possibilidade do desastre quando uma das sacerdotisas do lulopetismo afirma seu ódio pela classe média, ou quando a deputada petista e evangélica Benedita da Silva derrapa em Hb 9:22 e atropela a um só tempo a lei de Deus e a lei dos homens, conclamando seus partidários à “redenção” através do derramamento de sangue.

A direita não está de forma alguma isenta de culpa. Ela insufla o ódio quando clama abertamente por uma intervenção militar para resolver os problemas na área política, quando promove a execração pública de acusados de algum ilícito antes que os mesmos sejam indiciados, processados, julgados e condenados pela Justiça, quando não condena casos nos quais houve claramente uso excessivo e desnecessário da força por agentes de segurança do Estado.

Tanto a intervenção militar pelo qual clamam alguns direitistas como a “redenção” através do derramamento de sangue, que passa pela cabeça de alguns esquerdistas, terão consequências gravíssimas, que podem incluir vários dos eventos a seguir: fechamento do Congresso, supressão das liberdades e garantias democráticas, manifestações populares terminando em confronto e violência, censura à imprensa, prisão em massa de opositores, tribunais de exceção, execução sumária de opositores, surgimento de milícias armadas e grupos guerrilheiros, imensos prejuízos para a economia, repudio internacional ao Brasil, etc. Enfim, uma lista das desgraças que se abateriam sobre o país numa situação de confronto armado entre a direita e a esquerda é quase interminável.

Pois bem, se admitirmos que o confronto violento não é uma opção, só nos resta o diálogo e o entendimento entre adversários. E quando se tem um adversário e não um inimigo, acaba o jogo de soma zero e é possível o acordo. E o que me deixou alegre e mais otimista com o futuro do Brasil foi constatar que HÁ uma base mínima que pode servir como começo para o entendimento.

Karnal é um historiador de reconhecida competência, um intelectual famoso e um homem de esquerda; eu sou apenas um cidadão comum (para não dizer um “joão-ninguém”) que politicamente se coloca como de direita. No entanto parece que há uma grande similaridade na ideia de que é necessário repensar o Estado para que este represente a nação e sirva ao povo. Quero acreditar que muitas pessoas dignas e honestas, tanto de esquerda como de direita, estejam pensando desta forma e que uma grande renovação do Congresso em 2018 permita que se comece a necessária reconstrução do Estado brasileiro, preservando a democracia e o estado de direito.

O PENSAMENTO DA ESQUERDA

Li recentemente mais uma das obras do eminente teólogo Dr. Augustus Nicodemus Lopes, intitulada “O QUE ESTÃO FAZENDO COM A IGREJA: Ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro” (Editora Mundo Cristão, São Paulo.2008; edição eletrônica: 2013, disponível em www.amazon.com.br). Neste livro o Dr. Augustus Nicodemus, como é mais conhecido, faz uma crítica poderosa ao liberalismo teológico, que tenta conciliar o racionalismo moderno com a teologia ortodoxa das igrejas reformadas.

Em determinado ponto do livro, o autor cita a escritora americana Ann Coulter e seu livro “Godless: The Church of Liberalism” [“Sem Deus: A igreja do liberalismo”].

Ann Coulter é uma republicana conservadora, “advogada, jornalista, colunista de vários periódicos americanos e escritora de sucesso” e “uma crítica mordaz, ferrenha e destemida dos democratas liberais-esquerdistas americanos”.

Estes democratas liberais-esquerdistas dos Estados Unidos constituem o que no Brasil podemos denominar genericamente de esquerda. Ao ler o que Ann Coulter fala sobre o pensamento dos democratas liberais-esquerdistas americanos, vemos que nossa esquerda tem as mesmas ideias e ficamos impressionados com a extensão e profundidade com que a ideologia esquerdista se entranhou no Estado brasileiro.

Vivemos em um país no qual a estrutura do Estado foi completamente dominada pela ideologia da esquerda.

Os itens numerados de 1 a 4 representam as características identificadas por Ann Coulter como típicas da esquerda americana e que estou certo o leitor identificará como presentes na esquerda brasileira também. Em cada um dos itens coloquei comentários que são pertinentes à realidade de nosso pais.

  1. Os esquerdistas são contra a punição de malfeitores, estupradores, assassinos, assaltantes a mão armada e terroristas. Defendem a possibilidade de reabilitação dos piores criminosos mediante a melhoria de sua autoestima, em programas de reabilitação administrados pelo estado e sessões com psicólogos profissionais. Opõem-se à prisão perpétua, à pena de morte e à construção de mais prisões e detenções. São a favor de indultos, de diminuição de pena, para que bandidos perigosos sejam devolvidos à sociedade, pretensamente se reintegrando e se tornando bons cidadãos. Esse poderia ser um dos mandamentos da religião do esquerdismo; “Não punirás o malfeitor.”

    Isto explica, entre outras coisas:
    a) porque a Constituição Federal tem entre suas cláusulas pétreas a proibição da pena de morte e da prisão perpétua;
    b) porque 60000 brasileiros são assassinados todos os anos;
    c) porque uma parricida e matricida fica apenas 12 anos na cadeia;
    d) porque bandidos assassinam policiais sem receio de qualquer represália;
    e) porque o crime organizado controla amplas áreas da cidade do Rio de Janeiro;
    f) porque criminosos comandam suas quadrilhas de dentro de presídios de “segurança máxima”;
    g) porque menores de 18 anos podem atear fogo em suas vítimas,  e debochar da polícia, da justiça e da cidadania;
    h) porque as manifestações promovidas pelas “organizações populares” quase sempre terminam em baderna e quebra-quebra.

  2. Criminosos costumam virar mártires dos esquerdistas.
    Para a esquerda brasileira  os criminosos, não importando a natureza contumaz e a crueldade de seus crimes, são sempre transformados em vítimas “de uma sociedade injusta e desigual”; a “exclusão social” é invocada como justificativa para os crimes mais  bárbaros.

    Esta esquerda cruel e insensível não tem a mínima compaixão pelos pais e mães que choram a perda de um filho, sem dúvida uma das maiores tragédias que podem se abater sobre um ser humano, e não dá a mínima para as esposa e filhos que se tornam de um dia para o outro viúvas e órfãos  desamparados. Não, seu interesse e preocupação se concentra nos assassinos, cuja punição tentam a todo custo minimizar e procrastinar.

    A polícia é invariavelmente acusada de brutalidade e violação de direitos humanos, MESMO QUANDO CLARAMENTE ESTÁ USANDO A F0RÇA NA MEDIDA NECESSÁRIA. Policiais são executados a sangue frio por bandidos, no momento em que estes descobrem a identidade daquele. Nestes casos  nem uma única palavra.

    Os esquerdistas chegam ao paroxismo da estupidez e da insensibilidade ao culpar a vítima: quando um médico carioca foi assassinado a facadas por adolescentes que roubaram sua bicicleta, um esquerdista atribuiu a culpa ao médico por “ostentar uma bicicleta cara em um país de excluídos.”

  3. Os templos da esquerda são as escolas públicas e os sacerdotes são os professores.
    Os esquerdistas conseguiram transformar as escolas da rede pública de ensino em locais de doutrinação política e de inculcação de conceitos éticos e morais de sua preferência. Ensina-se a crianças e adolescentes que:
    a) a religião em geral e o cristianismo em particular são invenções puramente humanas;
    b) a sexualidade precoce é natural;
    c) o Bem e o Mal não são conceitos absolutos, mas apenas relativos; se algo faz você feliz, está OK;
    c) ser homossexual ou bissexual é normal;
    d) o capitalismo é um regime baseado na injustiça e na exploração;
    e) o socialismo trará a igualdade e a fraternidade entre todos os seres humanos, que viverão felizes para sempre;
    f) Cuba e Venezuela são modelos de sociedades democráticas, justas e igualitárias, que o Brasil deve imitar;
    g) Fidel Castro e Che Guevara foram os maiores heróis do continente americano, e todos os povos devem  reverenciá-los;
  4. Os esquerdistas são inimigos da Ciência que considera as realidades de Deus.
    Os esquerdistas só apreciam a Ciência quando esta parece confirmar suas ideias; caso contrário, estão prontos a reagir, protestar, desautorizar e renegar o valor das pesquisas e conclusões.  É mais ou menos o que no Brasil conhecemos por patrulhamento ideológico.
     

O item seguinte é uma característica que percebo na esquerda brasileira mas que não me parece tão extremada no liberalismo-esquerdista dos americanos. A razão me parece ser o fato de que nos Estados Unidos já existe um consenso, pelo menos em  linhas gerais, sobre o projeto nacional. Quase 100% dos americanos concordam que seu país será, pelo menos no futuro previsível, uma democracia capitalista.

No Brasil não existe sequer um consenso básico sobre o que queremos ser como nação: uma democracia capitalista? uma ditadura socialista? uma república bolivariana (seja lá o que for isto)? Gostaríamos de ser um país como os Estados Unidos? Ou seria melhor uma Cuba de dimensões continentais? Ou, quem sabe, talvez como a Coréia do Norte, com uma sequência infinda de “Grandes Companheiros” (Lula I, Rex Magno; Lula II,  Amicus Animalis; Lula III, Dux Terrae Brasilis, etc)? Podemos estar certos de que há defensores de todas estas alternativas.

Assim, parte da esquerda brasileira tem uma característica adicional.

5 – A divisão dos brasileiros entre “nós” e “eles”
Parte da esquerda procura difundir a divisão do povo brasileiro em duas categorias: “nós”, que em algumas versões inclui desde os miseráveis até os trabalhadores metalúrgicos da indústria automobilística; versões mais radicais excluem do “nós” todos os brasileiros que fazem regulamente três ou mais refeições ao dia. Em qualquer caso, “nós” representa tudo que há de elevado, altruísta e virtuoso no país; em contraste, “eles” é um símbolo do que é sórdido, egoísta e pecaminoso. No final das contas, a política é vista como um jogo de soma zero em que “eles” tem que perder para que “nós” ganhe. Alguns esquerdistas já insinuam que a liquidação de um número indeterminado de “eles” será necessária (veja o post REDENÇÂO), outros declaram seu ódio a “eles” (veja o post OS EXTREMOS SE ENCONTRAM). Mas a maioria parece aceitar o jogo democrático.

E assim vamos caminhando para o decisivo ano de 2018…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VISITA AO MASP

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Morei quase seis anos em São Paulo, mas nunca tive a oportunidade de conhecer este famoso museu, que é também um marco na arquitetura da cidade. E eu morava ali perto. No ano passado eu e Izabel fomos a São Paulo e nos hospedamos na casa de uma amiga, localizada também próximo da Paulista. E, finalmente, fui conhecer o MASP e vi toda esta beleza, e ainda por cima sem pagar nada, pois há um dia da semana no qual a entrada é franca!

Ao longo dos últimos meses fui coletando no próprio site do MASP as imagens das obras que eu tinha certeza de ter visto naquele dia e aí estão, para mostrar como é rico e variado o acervo deste museu, que deve ser motivo de justo orgulho para os paulistanos.

 

 

 

O BRASIL E A CRISE 2017 (II) – O DOMÍNIO DO IMPONDERÁVEL

Quando publiquei o primeiro post desta série, minha ideia era escrever mais dois ou três,  talvez um abordando os sinais de recuperação da economia, outro sobre a questão da moralidade no trato da coisa pública, e por aí vai. Desisti da ideia. Ficarei só neste post pois vivemos um período no qual a velocidade e o caráter inusitado dos acontecimentos torna HOJE obsoleta a análise de ONTEM.

Vivemos sob o domínio do imponderável!

Estava iniciando o post sobre a recuperação da economia quando surgiu do nada o devastador escândalo envolvendo o presidente Temer. Esperar que, no Brasil, um político profissional há 40 anos tenha se mantido honesto é como esperar encontrar uma virgem em um prostíbulo. De fato, a política brasileira é desde sempre viciada pelo patrimonialismo, pelo personalismo e pela corrupção.

Gosto de citar três frases que, a meu ver, representam muito bem estas características da política que se pratica no Brasil. A primeira, de autoria incerta, mas atribuída genericamente a um político mineiro, afirma que “Manda quem nomeia, transfere e demite, prende e manda soltar.”, ou seja, o Estado é como uma fazenda, onde o dono estabelece quem vai ou não trabalhar ali, quem vai ser ou deixar de ser punido. A segunda frase, atribuída a Getúlio Vargas (1882-1954), demonstra como a igualdade formal entre os cidadãos foi sempre uma farsa em nosso país: “Para os amigos, tudo; para os indiferentes nada; para os inimigos, a Lei.” E, finalmente, a conhecida frase, já mais que cinquentenária, “Ou restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos.” do jornalista Sérgio Porto (1923-1968), mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, cujo humor cáustico nos deixou um retrato engraçado e um tanto constrangedor de uma sociedade que se modernizava aceleradamente nas décadas de 50 e 60 do século XX.

Se, como ensinava Aristóteles, “O homem é um animal político.”, pode-se dizer metaforicamente que a esmagadora maioria dos políticos, e particularmente os parlamentares, pertence ao gênero “latro” (do latim, ladrão),  animal político que se alimenta de propina. O gênero “latro” compreende algumas espécies distintas, conforme descrito a seguir.

A mais comum é o “latro vulgaris”, abundante no Planalto Central. Após séculos de sobrevivência na mata atlântica, foi introduzida e adaptou-se ao clima do cerrado. Vive em simbiose com o poder. Como se sabe, numa relação simbiótica os dois organismos obtêm benefícios, ainda que em proporções desiguais. No caso, o “latro vulgaris” fornece uma certa legitimidade ao poder e dele extrai uma quantidade moderada de propina.

Outra espécie conhecida é o “latro majoris”, animal político de alta periculosidade. A população de “latro majoris” aumentou exponencialmente desde 2003. A espécie sobrevive em uma relação parasitária com o poder. Na relação parasitária, somente um dos organismos (o parasita) recebe benefícios; o outro organismo (o hospedeiro) é exaurido pelo parasita, eventualmente até a morte, que representa geralmente também o fim do parasita. O apetite do “latro majoris” é insaciável, e ele abocanha propinas astronômicas,  como por exemplo, R$500.000 por semana durante 25 anos, o que totaliza a inimaginável quantia de CR$650.000.000,00 (seiscentos e cinquenta milhões de reais).

O Planalto Central abriga ainda a espécie “latro lulensis”. Trata-se de uma espécie de ferocidade incomparável. Os hábitos parasitários e a voracidade pela propina podem levar um observador desatento a confundi-lo com o “latros majoris”, porém análise mais detalhada dos espécimes capturados pela Polícia Federal mostra que o “latros lulensis” é, por natureza, um predador, que tem como objetivo final a aniquilação do hospedeiro e sua substituição por outro, com uma estrutura bem diferente.

Entre o “latro majoris” e o “latro lulensis” a diferença básica é essa: o “majoris” tem a propina como fim e mata seu hospedeiro ocasionalmente, como efeito colateral de sua voracidade; já o “lulensis” tem a propina como meio para liquidar seu hospedeiro.

Resumindo a história: Michel Temer, animal político que todos imaginavam ser um “latro vulgaris”, revelou-se um “latro majoris”!

Deixando de lado o humor que tento imprimir na descrição de um evento triste e humilhante para o Brasil e os brasileiros, acho que a situação é mais ou menos esta mesmo. Pois, vamos e venhamos, independente de quaisquer explicações, justificativas ou versões alegadas pelos advogados de Michel Temer, o FATO de um Presidente da República receber altas horas da noite um empresário suspeitíssimo já levanta o sinal de alerta; o FATO de um Presidente da República ouvir a confissão de que membros do judiciário foram subornados e ficar quieto é um escândalo de proporções gigantescas.

Temer deveria ter tomado imediatamente uma atitude firme; não sei se poderia ter dado voz de prisão ao sujeito, mas no mínimo deveria ter chamado alguém como testemunha, narrado o ocorrido e acordado o Ministro da Justiça e quem mais fosse preciso para definir o que fazer. Ora, Temer não fez isso e evidentemente cometeu um crime de responsabilidade ao acobertar ou simplesmente ignorar  a confissão de um crime gravíssimo.

Só esse FATO já seria motivo para um processo de impeachment. Do ponto de vista ético e moral, Michel Temer acabou; por consequência, seu governo também acabou. O melhor que o presidente será capaz de fazer é vender a ideia de que: (a) é apenas um “latro vulgaris” e; (b) já que ninguém presta mesmo, tanto faz Temer, como Emer, como Remer, pois são todos farinha do mesmo saco, logo fica-se com Temer. Assim, o atual ex-presidente Temer deve ocupar a cadeira e usar a faixa presidencial até o fim de 2018. Até nisto somos inovadores: temos o primeiro presidente zumbi de que se tem notícia na história.

A eleição de 2018 é uma grande incógnita e mais uma prova de que, neste momento, o Brasil é um país sem futuro!

Lula, o preferido nas pesquisas, poderá estar preso, inelegível ou morto em 2018. Afinal, é réu ou está indiciado em mais de 10 processos criminais; aos 71 anos, Lula enfrenta também sérios problemas de saúde. Se, contrariando todas as expectativas racionais (novamente, o imponderável), Lula for eleito presidente, caímos todos no abismo. O clima de ódio entre adversários políticos, a divisão do Brasil entre “nós” e eles”, o discurso envenenado pelo desejo de provocar a luta fratricida no país (veja o post “REDENÇÃO”, neste blog), tudo isto nos conduz para um desfecho trágico.

Com exceção de Lula, o PT não possui candidato viável. Ou alguém imagina Gleisi Hoffmann, ré em processo no STF e cujo consorte é acusado de roubar a nada módica quantia de R$100.000.000,00 (isto mesmo, cem milhões de reais) dos aposentados, concorrendo à presidência do Brasil?

Jair Bolsonaro é aclamado como o Salvador da Pátria. Mas dificilmente ganhará uma eleição presidencial falando sobre livros didáticos LGBT. Onde as grandes questões econômicas, políticas e sociais? onde o projeto para a Nação? Bolsonaro só terá chance de alcançar a presidência se arrumar uma excelente equipe de marqueteiros que o prepare bem para os debates e entrevistas.

Se Jair Bolsonaro for eleito, só terá chance de fazer um bom governo caso disponha de ampla maioria no Congresso e, além disto, consiga formar um ministério de qualidade excepcional, que lhe permita governar apesar se suas evidentes limitações. Mas será que num país com 35 partidos é possível construir maiorias sólidas no Congresso sem loteamento de cargos? A experiência dos últimos 30 anos mostra que não.

Outro problema que Jair Bolsonaro enfrentará é a decepção dos eleitores. O que atrai grande parte de seu eleitorado é o discurso do deputado sinalizando maior rigor no combate à criminalidade. Mesmo que vença as eleições, Bolsonaro terá extrema dificuldade para implementar eventuais propostas nesse sentido. A Constituição brasileira tem as chamadas “clausulas pétreas”, que não podem ser mudadas nem que 100% da população, 100% dos deputados e 100% dos senadores estejam de acordo. Assim, quaisquer medidas no sentido de endurecimento no combate ao crime e maior rigor na punição dos criminosos serão imediatamente alvejadas por uma saraivada de Ações Diretas de Inconstitucionalidade que os defensores dos direitos humanos impetrarão junto ao Supremo. E é mais do que certo que o egrégio tribunal irá considerar essas ADIN’s procedentes.

No PSDB também há problemas. Politicamente, Aécio está mais morto do que Tancredo. José Serra encontra-se em lugar incerto e não sabido, no que diz respeito à política, desde sua misteriosa renúncia ao cargo de Ministro das Relações Exteriores. Alckmin sonha com a candidatura, mas sua fama de incorruptível (a virgem no bordel?) foi um pouco dilacerada quando se soube que o codinome “Santo” usado nas planilhas de controle de propina da Odebrecht se referia a ele. Ademais, como eleger alguém cujo charme e simpatia lhe valeram o apelido de “picolé de xuxu”? Dória tenta se cacifar para uma eventual disputa, mas será que 2018 não é muito cedo? E os eleitores paulistanos, será que lhe perdoarão abandonar a prefeitura apenas dois anos após ter sido eleito com expressiva votação?

Menciona-se ainda a possível candidatura de Ciro Gomes, que encarna de forma perfeita um “coronel nordestino”, arrogante e prepotente, de uma grossura tão enraizada no caráter que nem a temporada em Harvard conseguiu torna-lo civilizado. Para este personagem folclórico, sobrarão os votos de seu curral eleitoral cearense.

Isto resume a situação política do Brasil em 2017: o Executivo e o  Legislativo completamente desmoralizados; o Judiciário ainda digno de algum crédito graças a Sérgio Moro e outros juízes de primeira instância de mesmo naipe. Entretanto as forças do Mal encasteladas no STF trabalham ativamente para destruir também este último sustentáculo da esperança de um Brasil melhor.

O final da história? Só Deus sabe…

REDENÇÃO

 

 

Confesso que escrever este post não é algo prazeroso. Ao contrário, falar sobre esta pessoa me desagrada profundamente e só o faço devido à natureza gravíssima do que ela vem dizendo nos últimos tempos.

Como sói acontecer com uma legítima representante desta nossa esquerda, cuja estupidez e rapacidade atingiram níveis provavelmente inéditos, em escala mundial, durante os anos de (des)governo petista, a deputada Benedita da Silva tem um discurso de incitação ao ódio contra os “privilegiados”. O “discurso do ódio” da senhora Silva, construído a partir de chavões e lugares comuns   que já eram  velhos  na década de 1950, denuncia os “capitalistas que espoliam o povo brasileiro” e defende os “excluídos”.

Mas, em última análise, esta esquerda jamais tomará quaisquer ações para promover efetivamente a inclusão social dos mais pobres. Os “excluídos” são a massa de manobra que a esquerda usa com  o propósito  de vencer eleições.

Finalmente, também  seguindo o estilo petista de governar, Benedita da Silva está sendo processada por corrupção, teve seus bens bloqueados e deve devolver mais de Cr$ 32.000.000,00 (isto mesmo, TRINTA E DOIS MILHÕES DE REAIS) aos cofres públicos.

As declarações mais recentes da deputada parecem indicar a ocorrência de um surto psicótico. Com absoluta desfaçatez , Benedita da Silva prega a “redenção pelo sangue” (obviamente o sangue dos outros), ou seja, quer promover uma guerra civil entre os  brasileiros.

Assim, há apenas duas alternativas:

a) a deputada está louca, mergulhada em delírios messiânicos,  que envolvem “redenção” e “sangue”; talvez pretenda encenar uma paródia blasfema do sacrifício de Jesus Cristo;

b) a deputada está realmente pregando uma guerra civil e neste caso deve ser presa, processada e condenada de 3 a 15 anos de prisão, conforme o disposto na Lei 7170 (Lei de Segurança Nacional) onde se lê: Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito. Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.

Alguns adendos:

  1. A Lei de Segurança Nacional (Lei 1770 de 14/12/1983) ainda está vigente e poderia ser aplicada à deputada.
  2. A imprensa demonstra de forma clara o seu viés ideológico. Pelo menos até o momento não vi uma só referência ao pronunciamento da deputada nos telejornais de grande audiência. Imaginem, apenas imaginem, se Jair Bolsonaro houvesse feito esta declaração…

DONA HELENA: De congadas e tarantelas

Neste seu mais recente livro, a professora Maria Helena Brusamolin recorda, com sensibilidade e um estilo cativante,  acontecimentos da vida de sua mãe e de pessoas de sua família e, é claro, um pouco da história daquela Santa Rita que nossa geração conheceu.

Os tempos eram outros e Maria Helena, com saudade mas sem saudosismo, nos deixa entrever uma vida mais simples, com  mais amizade, mais valores e menos consumismo.  Naquela época não havia celular e muito menos internet, mas havia sim mais amor, mais respeito pelo próximo, menos ganância e muito, muito menos violência. Acreditar em Deus não era visto com suspeição e distinguir o certo do errado não passava por intolerância.

O amor profundo e devotado dos pais para com seus filhos não excluía a disciplina e, quando necessário, uma esquentada no traseiro. Esta é uma diferença muito interessante  entre  aqueles dias e os dias de hoje. Atualmente, o Estado brasileiro, cuja natureza tornou-se – pois não foi sempre assim – predatória e desavergonhadamente canalha, arroga-se o direito de determinar como educar nossos filhos!

Deixando de lado os momentos tristes, que todos e cada um de nós passam em nossa breve caminhada por estas paragens, a autora nos encanta com suas crônicas leves e divertidas sobre um passado não tão distante no tempo mas imensamente afastado no modo. Achei especialmente engraçadas as histórias envolvendo os mergulhos do Mário, seu irmão, na piscina do Country Club, o auxílio prestado pelo Daltinho à D. Helena, e  a descrição hilária  e absolutamente factual das romarias à Aparecida do Norte. Mas não ficam atrás a história do Rei Narão, o episódio da coruja “rasga mortalha” (credo!)  e a televisão colorida (em minha casa também tivemos uma….).

Maria Helena, você está de parabéns! Seu livro é daqueles que é impossível largar depois de iniciar a leitura. Com talento e emoção, você compartilha conosco a bela história de vida de D. Helena e, de certa forma, permite que nos tornemos partícipes desta mesma história.

Tenho certeza de que falo por todos os seus amigos e admiradores de suas qualidades como escritora e, por que não dizer, como pessoa, quando a agradeço por nos presentear com este excelente trabalho.