TRANSPONDO O REGIME CUBANO PARA O BRASIL

A morte do ex-ditador cubano Fidel Castro teve o efeito de fazer com que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva interrompesse temporariamente esta que é hoje sua principal atividade: assacar injúrias contra o juiz Sérgio Moro e a força tarefa da Lava Jato.

Lula fez questão de viajar até Cuba para participar do funeral de Fidel, acompanhado pela nulidade que seu prestígio colocou na presidência de nosso país. Felizmente o desenxabido arremedo de governante já foi escorraçado do Palácio do Planalto, não se antes destruir a economia e infelicitar a vida de milhões e milhões de brasileiros.

A viagem de Lula e Dilma Rousseff para prestar as últimas homenagens ao fundador de uma das mais longevas ditaduras da atualidade não chega a surpreender. Fidel é o ídolo de boa parte da esquerda tupiniquim. Para esta gente, Cuba é o modelo do futuro que sonham para o Brasil: um regime de partido único, onde não há liberdade de opinião, nem de expressão e muito menos de reunião. Onde a economia é totalmente controlada  pelo Estado e os membros destacados do partido podem assaltar os cofres públicos sem absolutamente qualquer receio de que apareça um Sergio Moro para incomodá-los, visto que o  Judiciário faz o que o ditador ordena. Mas a mais invejada característica do regime cubano, que eles implantariam com absoluta prioridade caso assumissem o poder, é esta: os que ousam protestar são presos ou assassinados.

Esta semana foi notícia uma pesquisa do Datafolha, indicando que Lula ganharia a eleição, caso viesse a candidatar-se novamente à Presidência da República em 2018, Por mais absurdo e estarrecedor que seja o resultado desta pesquisa, não há dúvida que infundiu novo ânimo ao combalido PT e deu mais argumentos para que o ex-presidente se coloque como vítima de um plano maquiavélico das elites para impedir um novo mandato.

Para escrever este texto, imaginei  um cenário no qual Lula, após esmagadora vitória na eleição de 2018, decide tornar-se o Fidel brasileiro. Em primeiro de janeiro de 2019  o novo presidente anuncia publicamente os títulos aos quais se julga merecedor, declarando-se Grande Companheiro, Herói do Proletariado, Pai dos Pobres, Defensor dos Oprimidos e Salvador da Pátria. Com o apoio das massas e a complacência das Forças Armadas, fecha o Congresso, coloca na ilegalidade todos os partidos exceto o PT, estatiza todos os jornais, rádios e emissoras de TV, desabilita a internet e inicia a transformação do Brasil em uma Cuba de dimensões continentais.

Há várias avaliações sobre o grau de brutalidade da ditadura cubana, instalada em primeiro de janeiro de 1959. Supondo que sua versão brasileira tente emular o regime cubano, analisei algumas informações sobre a repressão aos opositores do regime praticada em Cuba e fiz uma projeção para o Brasil. Como fator de normalização utilizei dados sobre a população da ilha entre 1959 e 2014 e projeções para a população brasileira entre 2019 e 2074, com base em informações do IBGE. Munido destas informações, imaginemos o que poderia ocorrer se o Brasil repetisse nas próximas décadas os eventos da história cubana.

Segundo estimativas da organização Cuba Archive (www.cubaarchive.org), entre 1959 e 2014 foram mortos 7062 opositores ao regime (3116 fuzilados, 1166 assassinados pela polícia política, 839 em ações armadas contra o regime, 811 em tentativas de fuga, 316 por falta de assistência médica, 100  por greve de fome, etc.). Projetando estes dados para o Brasil, entre 2019 e 2074 cerca de 157.000 brasileiros seriam liquidados por discordarem do governo.

Mas os números do Cuba Archive.são bastante moderados. Outras fontes citam valores substancialmente maiores. O “Livro Negro do Comunismo”, publicado em 1999, fala em 15000 a 17000 fuzilamentos. Supondo que estes dados se referem aos anos de 1959 a 1998, a projeção para o Brasil seria de 357.000 a 405.000 fuzilamentos entre 2019 e 2058.

O livro “Cuba, Cronología, Cinco Siglos de Historia, Política y Cultura”, do historiador cubano Leopoldo Fornés-Bonavía, estima que ao menos 4.000 oponentes ao governo foram fuzilados até o final de 1961. No Brasil projetaríamos 120.000 fuzilamentos entre 2019 e 2021. Supondo que os esquadrões  de fuzilamento trabalhassem de segunda a sexta-feira, haveria 160 execuções por dia útil, todos os dias, durante três anos…

O livro “Cuba or The Pursuit of The Liberty” , do historiador britânico Hugh Thomas, traz a estimativa de que 5.000 pessoas foram fuziladas entre 1959 e 1970, o que significaria no Brasil uma projeção de 140.000 execuções entre 2019 e 2030.

É claro que nem todos os opositores do regime castrista foram fuzilados. A maior parte deles foi “reeducada” através de longos períodos em prisões, onde aprenderam a se comportar de acordo com os padrões estabelecidos pela ditadura. O próprio Fidel Castro admitiu que na década de 60 cerca de 20.000 dissidentes passaram pelas prisões cubanas. No Brasil isto representaria o encarceramento de nada menos que 560.000 presos políticos entre 2020 e 2029.

Será que vamos embarcar nesta aventura? Diante do que temos presenciado na política nestes últimos tempos, tudo é possível. Afinal, cada povo tem o governo que merece….