TEMPOS MODERNOS: A TORRE DE BABEL E O ELEVADOR

Em Gênesis 11:1-9 lê-se: “1. Ora, toda a terra tinha uma só língua e um só idioma. 2. E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e ali habitaram. 3. Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa. 4. Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. 5. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; 6. e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. 7. Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro. 8. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. 9. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra.”

O resultado é que hoje em dia ninguém sabe com certeza quantos idiomas são falados pelos humanos. As estimativas mais comuns variam entre 5000 e 6000; chinês mandarim, inglês, espanhol, hindu, árabe, português, bengali, russo, japonês e alemão são os dez idiomas com maior número de falantes nativos.

De fato, a diversidade de linguagens é uma barreira que dificulta o contato entre as diferentes nações. Por isto desde sempre os povos buscam uma linguagem comum, que a maioria aprende como uma segunda língua, depois que já domina sua língua nativa.

Na maioria dos casos o idioma comum de uma região é aquele da nação mais importante em termos econômicos ou políticos. Como vimos em um outro texto, na região do Mediterrâneo no início da era cristã o grego desempenhava este papel; tanto é que o Novo Testamento foi escrito originalmente em grego.

Com o triunfo do cristianismo, que se tornou a religião oficial do Império Romano em 313 d. C., o latim passou a ser a linguagem comum das elites. O uso do latim nos escritos científicos predominou até pelo menos o século XVIII. Por exemplo, o inglês Isaac Newton revolucionou a visão da humanidade sobre o Universo publicando em 1687, em latim, o livro “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica”.

A partir do século XIX e em especial no século XX o inglês tornou-se o idioma universal. É claro que isto se deveu à sequência Inglaterra – o império onde o sol nunca se punha – e Estados Unidos como as duas maiores potências econômicas e militares.

Mas aprender uma segunda língua não é uma tarefa simples. Todo idioma tem as suas particularidades e idiossincrasias. Creio que a maioria das pessoas que, como é o meu caso, tem o português como língua nativa (e não são naturalmente bilíngues) concordaria com a opinião abaixo sobre os idiomas que mais comumente são (ou eram) estudados pelos brasileiros.

a)       O inglês ainda é a opção majoritária como segundo idioma; sua gramática é relativamente simples quando comparada com a do português; a pronúncia é bastante complicada e não tem muita lógica; provavelmente deve ser mais fácil para um falante nativo do inglês aprender a pronúncia correta de nosso idioma do que o contrário.

b)      A segunda opção de aprendizado é o espanhol, cuja gramática é quase igual à do português; a ortografia é bem mais complicada, pois há acentos gráficos em profusão; a semelhança entre os idiomas espanhol e português é tanta que há uma tendência natural a escorregar para um abominável “portunhol”.

c)       A terceira opção de idioma estrangeiro é o alemão, que tem uma pronúncia difícil em alguns casos mas bastante regular; a gramática é bem mais complicada que a do inglês e em alguns aspectos até mais que a nossa, devido ao uso de declinações.
Seja como for, o fato é que aprender bem um idioma estrangeiro exige anos de estudo e muita dedicação; por aprender bem poderíamos usar a definição fornecida no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (“Commom European Framework of Reference for Languages”) para o nível de proficiência C2: ser capaz de lidar facilmente com temas difíceis; compreender tudo o que lê ou escuta; ser capaz de expressar-se de maneira espontânea e fluente e poder comunicar-se de forma ampla.

Isto é como subir pela Torre de Babel pisando degrau por degrau de uma imensa escadaria. Há muitos anos me pergunto se a tecnologia não poderia nos poupar deste esforço descomunal. Considerando minha experiência como usuário de computadores pessoais , meu raciocínio era o seguinte:

a)       A tecnologia de reconhecimento de voz está disponível para estas máquinas há pelo menos 20 anos; lembro-me que ter usado o IBM “Via Voice” em 1997.

b)      A tecnologia de sintetização de voz também está sendo usada há muitos anos; em 2007 me recordo de ter usado um programa TTS (Text to speech, ou texto para voz) em meu PC.

c)       A tradução é sem dúvida a parte mais complexa do assunto, pois depende do contexto. Uma coisa é estar em uma loja e dizer “Quero uma camisa de manga curta.” e outra é estar no supermercado e perguntar “Vocês vendem mangas?”. Mas os tradutores do Google e da Microsoft já estão disponíveis há alguns anos e funcionam razoavelmente bem.

d)      Portanto, era só questão de tempo para juntar as três coisas e permitir que duas pessoas pudessem se comunicar sem problemas, mesmo cada uma falando apenas seu próprio idioma.

Dito e feito! Esta semana instalei o Google Translator em meu tablet e é exatamente assim que funciona. No modo de entrada por voz o Interlocutor A fala, digamos, em português, e o programa escreve na tela o que foi falado (ou o que ele entendeu..) e reproduz a frase em, digamos, inglês. O Interlocutor B responde em inglês e o interlocutor A ouve a resposta em português. O programa aceita também entrada de textos via teclado ou por leitura óptica de caracteres com a câmera. Grande número de idiomas está disponível.

Ainda não está perfeito; a tradução muitas vezes não é boa, ruídos interferem muito, às vezes parece que o programa se perde, enfim, problemas de uma implementação inicial. Mas tudo isto será resolvido com o tempo e acredito que dentro de alguns poucos anos o resultado das traduções estará próximo de 100% correto.

As consequências serão notáveis. Na economia globalizada, todos poderão ter uma comunicação clara e efetiva com seus parceiros de negócio, estejam eles onde estiverem. O conhecimento de idiomas estrangeiros será desnecessário para o dia a dia das empresas. Digamos que José é um funcionário brasileiro da área de engenharia de uma multinacional alemã. Ele só precisará aprender o idioma da matriz se quiser ler Goethe no original. Para a leitura de documentos técnicos, comunicação rotineira com seu grupo de suporte na Alemanha, viagens para treinamentos naquele país, etc., a tradução eletrônica será o bastante.

Parece que finalmente foi instalado um elevador na Torre de Babel!

Publicado por

joaoazevedojunior

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