JOGOS DE GUERRA

Estrategistas militares costumam exercitar a imaginação criando cenários elaborados que descrevem situações de conflito interno e externo nas mais diversas regiões do planeta e avaliam as possíveis ações que poderiam ser tomadas em cada caso, de modo a defender os interesses do analista. São os chamados “jogos de guerra”.

Na semana passada vieram à tona vários documentos ultra secretos do Pentágono, incluindo mais de uma centena de jogos de guerra. Os documentos foram fornecidos ao editor-chefe do respeitadíssimo jornal “The Daily Planet”, Mr. Clark Kent, e publicados em partes durante vários dias. O governo americano negou a autenticidade do material e procurou sem sucesso impedir sua publicação, através de ações judiciais. O porta voz do Pentágono classificou a publicação dos documentos como “um ato antipatriótico, que prejudica as relações dos Estados Unidos com várias nações, apresentando como verdadeiro o que não passa de especulação.” As muitas nações envolvidas nos jogos de guerra apresentaram “veementes protestos” ao governo americano.

Com relação ao Brasil, há apenas um jogo de guerra, muito simples e que não requer supercomputadores para simulação das estratégias e cenários, mas tão somente lápis e papel.

Segundo as regras estabelecidas, os estrategistas leem o cenário geral, discutem entre si por um tempo determinado e formulam hipóteses sobre os eventos do primeiro dia. Feito isto, leem a descrição que consta do texto, pontuam as formulações de cada um e iniciam as discussões sobre o segundo dia; repete-se o ciclo até completar os dias previstos para duração do jogo..

Jogo de Guerra #13

Título: O Grande Companheiro

Local: Brasil

Envolve: Bolívia, Brasil, Coréia do Norte, Cuba, Estados Unidos, Haiti, Iraque, Suíça, Venezuela

Duração: 15 dias

Quadro geral: Gigantescas manifestações populares  exigem a renúncia de Dilma Rousseff e a prisão de Lula. Dilma demonstra apatia diante da situação e renuncia ao comando do governo, embora mantendo formalmente o cargo de presidente. Na prática, o país é governado pelos ministros, e o Ministro Chefe da Casa Civil atua como uma espécie de Primeiro Ministro. No Congresso a oposição exige o impedimento de Dilma e de seu vice, Michel Temer. Porém o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, terceiro na linha de sucessão, é réu de vários processos de corrupção, acusado de receber propinas de milhões de dólares de fornecedores do governo federal. A oposição exige que Eduardo Cunha também renuncie e negocia com parlamentares dissidentes da base governista um nome de consenso, que assuma a presidência da Câmara e em seguida a da República, para convocar novas eleições. Percebendo seu papel chave no momento político  – enquanto mantiver o cargo o impedimento não será votado – ele faz saber aos interessados que, para não renunciar, deseja US$25.000.000,00 depositados em suas contas na Suíça. O acordo é fechado e o dinheiro transferido para as contas indicadas. A situação permanece tensa, mas o  impasse garante a manutenção do “status quo”.

Primeiro Dia: A revista “Veja” revela que a quase totalidade do “empréstimo” do BNDES à Cuba para financiamento do Porto de Mariel, foi na realidade usado para financiar a construção de campos de treinamento para guerrilheiros no Haiti. O governo nega “de maneira veemente” que tenha ocorrido desvio do financiamento para Cuba e alega que “auditores brasileiros e cubanos acompanham o andamento das obras do porto de Mariel para liberação das parcelas do financiamento”.

Segundo Dia: A Rede Globo exibe fotos obtidas por satélites de espionagem americanos. As fotos mostram o que seriam os campos de treinamento no interior do Haiti. O locutor lembra que a partir de 2010 cerca de 130.000 haitianos entraram no Brasil. Destes, 40.000 eram adultos entre 25 e 35 anos de idade, viajando sozinhos.

Terceiro Dia: As Forças Armadas afirmam que “não irão tolerar a formação de milícia estrangeira em solo pátrio”. A Agência Brasileira de Inteligência,  que já vinha investigando o assunto, vaza a informação de que o dinheiro desviado das obras do porto para treinar guerrilheiros sofrera mais um desvio e repousava tranquilamente na Suíça, em contas de políticos e burocratas cubanos e haitianos. Os imigrantes estavam mesmo fugindo da miséria e buscando oportunidade de uma vida melhor; só se poderia acusá-los de péssimo “timing”…

Quarto Dia: A Polícia Federal e os promotores envolvidos no caso anunciam que o acervo de Lula, depositado em um cofre especial do Banco do Brasil, pago por uma das maiores empreiteiras do país, inclui grande número de joias e obras de arte pertencentes ao acervo da Presidência. A assessoria de Lula divulga nota em que o ex-presidente se diz “aturdido” com a revelação, e “que eventuais desvios foram cometidos pelo pessoal responsável pela mudança, sem seu  conhecimento ou autorização”. Procuradores da Justiça Federal preparam uma denúncia contra o ex-presidente.

Quinto Dia: Dilma nomeia Lula para o cargo de Ministro Chefe da Casa Civil. Lula adquire foro privilegiado e somente pode ser processado pelo Supremo Tribunal Federal. Torna-se também presidente de fato, e inicia o terceiro mandato com o objetivo de frear as investigações em curso.

Sexto Dia: Inicia-se um expurgo da Polícia Federal, com o afastamento de delegados e  policiais comprometidos com a investigação dos delitos do ex-presidente e de seus amigos e aliados. Os afastados são substituídos por simpatizantes do PT. Em Curitiba, o juiz Sergio Moro declara ser impossível continuar as investigações da operação Lava a Jato e renuncia ao cargo de magistrado.

Sétimo Dia: Em todas as grandes cidades do país multidões se manifestam exigindo a derrubada imediata do governo. A polícia tenta mas não consegue manter a ordem. A multidão enfurecida invade, saqueia e incendeia lojas e estabelecimentos bancários. Em Brasília o Congresso é invadido e os plenários da Câmara e do Senado são incendiados.

Oitavo Dia: A população continua a manifestar-se contra o governo em marchas e atos de protesto. Lula inicia a operação Jararaca e ordena aos militantes de seu partido que saiam às ruas para deter as “forças da reação, que defendem a volta a um Brasil onde os pobres eram desprezados pelos governantes”. O exército do partido, composto por milhares de militantes do MST, armados de foices e facões, ataca os manifestantes que protestam contra o governo. A tropa de choque entra em ação e a ruas das principais cidades do país se transformam em campo de batalha; há grande número de feridos e alguns mortos.

Nono Dia: Com discreto encorajamento das Forças Armadas, Dilma e Temer renunciam; Eduardo Cunha é preso. É divulgado o Mapa da Corrupção, resultado de anos de investigação sigilosa de um grupo ultra secreto de  profissionais especializados em evidenciar  fraudes em obras públicas, detectar sinais de enriquecimento ilícito e rastrear processos de lavagem de  dinheiro. O Mapa lista as fraudes cometidas em dezenas de milhares de obras públicas em todo o país e afirma dispor de provas incontestáveis contra os envolvidos em cada caso.

Décimo dia: São expedidos em todo o país milhares de mandados de prisão contra corruptos. Grande parte dos senadores, deputados federais, deputados estaduais,  governadores, secretários de estado, prefeitos e vereadores, além de funcionários públicos dos mais diversos escalões, empreiteiros e outros fornecedores do governo tenta desesperadamente deixar o país, por terra, ar e mar. Por falta de espaço, os corruptos presos são mantidos em estádios, que passam a funcionar como centros de detenção. Dilma foge para a Bolívia, e assume a presidência da refinaria da Petrobrás expropriada anos antes pelo governo boliviano. Lula desaparece.

Décimo-primeiro dia: A legalidade é atropelada pelos fatos. O Congresso, reduzido a 15% de seu tamanho original e agora composto apenas por homens de bem, unidos em uma Frente de Salvação Nacional, se reúne em Ouro Preto e inicia seus trabalhos, com o compromisso de votar a reforma política que é discutida há vinte anos e convocar novas eleições gerais em seis meses. Um jurista idoso, de reputação ilibada, sem ambições políticas, é convidado e aceita assumir a presidência do Governo Provisório.

Décimo-segundo dia: Lula reaparece no interior de Rondônia. Com evidentes sinais de delírio psicótico, auto intitula-se “Grande Companheiro das Massas e Pai de Todos os Pobres” e dá um ultimato ao Governo Provisório: qualquer medida jurídica contra ele, seus familiares e amigos deve ser suspensa, ou as consequências serão “terríveis”. O governo ignora o ultimato.

Décimo-terceiro dia: O ditador norte-coreano anuncia que cedeu um artefato nuclear ao exército do PT e declara que sua boa-vontade demonstra o “apoio do povo norte-coreano à luta dos povos de todo o mundo contra o imperialismo norte-americano”.  Os presidentes de Cuba, Venezuela, Bolívia e Iraque manifestam seu apoio ao ex-presidente.

Décimo-quarto dia: Lula aparece pela última vez na TV, agora denominando-se “Grande Companheiro das Massas, Pai de Todos os Pobres e Senhor dos Exércitos.”  Avisa que dispõe de armamento nuclear e apresenta novas exigências: (1) o país deve ser  dividido em duas partes por uma linha imaginária unindo Belém do Pará a Laguna em Santa Catarina;  (2) as terras a oeste desta linha devem ser reconhecidas como nação soberana com o nome de Nóslandia, ficando estabelecida para sempre a separação entre “nós” e “eles”.

Décimo-quinto dia: – O governo norte-americano informa reservadamente ao Governo Provisório que o avião norte-coreano trazendo a bomba havia sido abatido quando sobrevoava o Polo Norte. O ultimato de Lula é recusado e o ex-presidente desaparece no interior da selva amazônica com um grupo de petistas que continuam acreditando. Os juros e o dólar despencam e tem início um vigoroso processo de recuperação da economia.

 

O DISCURSO DE LULA

Em quatro de março de 2016, após ter prestado depoimento à Polícia Federal em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou no diretório do PT, em São Paulo. Compreensivelmente emocionado com os acontecimentos, Lula demonstrou mais uma vez como sua visão da realidade e do comportamento que se espera de um ex-presidente é confusa e despida de grandeza e senso ético.

A íntegra do discurso do ex-presidente pode ser visto na Internet, por exemplo aqui. Acredito que Lula merece ser tratado de forma respeitosa em função do cargo que ocupou, e penso que o pedido de prisão preventiva encaminhado pelo Ministério Pública do Estado de São Paulo foi resultado de uma decisão precipitada. Mas o discurso revela que o ex-presidente parece sinceramente acreditar que os crimes de que é acusado não são crimes, pelo menos no caso dele.

Minha leitura é de que a argumentação do ex-presidente  se desenvolve segundo seis linhas principais,  identificadas abaixo, juntamente com as citações que as corroboram  e um comentário que expressa minha opinião sobre os argumentos apresentados.

 

L1:atacar a justiça e a imprensa:

A minha briga com o Ministério Público Estadual é porque o procurador já fez um pré- julgamento…

…preferiram utilizar a prepotência, a arrogância, num show e espetáculo de pirotecnia.

É lamentável que uma parcela do judiciário brasileiro esteja trabalhando em parceria com a imprensa brasileira.

Qualquer juiz que prende alguém recebe um prêmio da Rede Globo, da revista Veja e, assim, a partir do dia que receber o prêmio precisa prestar conta.

Sabe as pessoas ficam cúmplices, obedecem, por exemplo, a orientação da revista Época. O procurador resolveu fazer o papel da revista Época e pedir investigação das minhas palestras… 

COMENTÁRIO: O ex-presidente afirma seguidamente que é vítima de uma campanha orquestrada pelo Judiciário e pela grande imprensa. É verdade que os vazamentos seletivos de informação sobre os depoimentos da Operação Lava a Jato minam a credibilidade da Justiça e expõe os processos a contestações no futuro. Mas é absurdo imaginar que a investigação resultou de um conluio entre a imprensa e o Poder Judiciário para prejudicar Lula ou o PT. O fato, comprovado além de qualquer dúvida razoável, e que já resultou em muitas condenações, é que uma organização criminosa operou durante muitos anos na Petrobrás, causou um imenso prejuízo à empresa e distribuiu bilhões de reais para financiar as campanhas do PT e seus aliados. A única dúvida é até que ponto Lula estava envolvido na roubalheira!

 

L2: apresentar-se como vítima de perseguição das elites:

… não há nenhuma explicação para irem atrás dos meus filhos. Nenhuma explicação – a não ser o fato de eles serem meus filhos.

Um delegado de polícia que quer saber o que aconteceu com a medida provisória não tem que perguntar para o presidente.

Eles agora querem saber do acervo do Lula. .

…eu só quero pedir desculpas porque hoje, nesse país, ser amigo do Lula parece que virou coisa perigosa. 

COMENTÁRIO: Lula embaralha diversos assuntos e confunde causa e consequência. Seus filhos estão sendo investigados porque detêm um patrimônio absolutamente incompatível com a renda que poderiam ter auferido; tudo indica que utilizaram a condição de serem filhos de Lula para traficar influência e obter vantagens indevidas. O aparente enriquecimento ilícito tem que ser esclarecido, até mesmo para afastar qualquer suspeita sobre a honradez da prole do ex-presidente. Afinal, um dos filhos de Lula demonstra talento quase insuperável para os negócios: em poucos anos, passou de guarda de zoológico a suposto dono de um dos mais modernos jatinhos em operação no Brasil. Se tais negócios forem legais, teríamos aí um Ministro da Fazenda em potencial…

Assim como, em geral, ninguém se preocupa com os filhos de ex-presidentes (FHC tem filhos? Quem são?), normalmente ninguém se preocupa com medidas provisórias ou acervos. É que somente no caso do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva há fundadas suspeitas de que (a) pessoas muito próximas a ele “venderam” medidas provisórias e; (b) houve também uma confusão entre o acervo do presidente e o acervo da Presidência por ocasião de sua mudança de Brasília para São Bernardo.

Finalmente, mais uma vez a estória é contada de maneira inversa. Não é perigoso ser amigo do ex-presidente, pois ao que consta ninguém foi preso por privar de sua amizade. O que os fatos mostram é que Lula parece escolher muito mal suas amizades, uma vez que muitos de seus amigos estão na cadeia por crimes tais como peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc.

 

L3: declarar-se como o campeão da luta pela democracia, bem como o melhor governante da história brasileira, quiçá universal:

Antes dele [Moro], nós já fazíamos as coisas corretas nesse país. Porque enquanto eles não faziam nada, a gente estava lutando para que esse país conquistasse o direito de liberdade de expressão, o direito de uma imprensa livre, de candidatura de partido político, o direito à greve.

Eu sinceramente achei que ao eleger a Dilma eu tinha consagrado a minha vida. Porque eu tinha duas teses: presidente bom é aquele que se reelege e “bibom” é que aquele que faz sucessor.

Eu deixei a presidência como o melhor governante, o mais bem avaliado…

Qual milagre vocês fizeram para aprovar as cotas, colocando negro na universidade? Qual milagre vocês fizeram para criar o Prouni, que milagre vocês fizeram para aprovar o FIES? Que milagre vocês fizeram para levar energia a 15 milhões de pobres nesse país? Que milagre que vocês fizeram para que aumentassem o salário mínimo todos esses anos?

Eu fui melhor que todo cientista político, todo fazendeiro, que todos os advogados. Eu provei que o povo humilde desse país pode andar de cabeça erguida. Que o povo humilde desse país pode comer carne de primeira. 

COMENTÁRIO: É inegável que Lula desempenhou um papel importantíssimo na redemocratização do país, e que seu governo trouxe grandes melhorias para os mais pobres. O Brasil atravessou um período de grande crescimento econômico, milhões de brasileiros foram resgatados da miséria absoluta, a distribuição de renda tornou-se mais justa e o IDH aumentou muito. Pode-se argumentar que boa parte do sucesso dos governos de Lula deveu-se ao saneamento das finanças públicas promovido por FHC, e às circunstâncias externas muito favoráveis, e resta ver quanto do que foi feito de bom restará após a recessão que atravessamos agora. Mas Lula garantiu seu lugar na história como um dos presidentes mais notáveis que o país já teve e seu nome será lembrado nos livros escolares e em teses acadêmicas. É uma pena que sua biografia seja manchada pelo escândalo da corrupção.

 

L4: considerar normais suas relações com empresários criminosos.        

Se preocupando porque eu estou utilizando a chácara de um amigo. Eu uso a do amigo porque os inimigos não oferecem.

Esse companheiro comprou uma chácara na perspectiva de permitir que eu usasse. Eu não posso usar, porque é crime eu estar usando a chácara?

Quem tem casa em Nova York, em Paris, nunca me ofereceu, se oferecesse eu ia.

Eu quero saber quem vai me dar um apartamento quando esse processo terminar. Eu quero saber se vai ser a Globo que vai me dar, se vai ser o Ministério Público que vai me dar. Porque não é meu, porque eu não paguei, não comprei.

Essas empresas não trabalham só pra Petrobras. Essas empresas não estão apenas comprometidas com a Lava Jato. Essas empresas chegaram a ter 180 mil trabalhadores, 80 mil trabalhadores e 90 mil trabalhadores.

Ou seja, todo mundo pode, menos essa merda desse metalúrgico. 

COMENTÁRIO: O teor dos comentários demonstra que Lula parece desconhecer o significado da palavra ética e a questão do decoro do cargo, que deve ser mantido pelo resto de sua vida. De um ex-presidente exige-se uma conduta inatacável. Lula parece não entender que aceitar favores de empreiteiros não é uma atitude decente e que, ainda que ele nada desse em troca, o simples fato de envolver-se com grandes empresas fornecedoras do governo causa uma profunda suspeição em qualquer pessoa. Agindo como age, o excelentíssimo ex-presidente da República enlameia sua biografia e se transforma num joguete dos que lhe concedem benesses. E não tem absolutamente nada a ver com “todo mundo pode, menos essa merda desse metalúrgico”. Qualquer pessoa que assim procedesse, até o Papa, estaria sujeita a suspeitas, processos, etc. Também soa estranho o fato de que Lula parece achar que outras pessoas tem a obrigação de dar-lhe coisas, que ele aceitaria de bom grado… Será que o salário de ex-presidente e os duzentos mil dólares que ele afirma cobrar por palestra não bastam?

 

L5: acentuar a divisão do país entre “nós” e “eles”

…porque não há outra coisa para incomodá-los a não ser a gente ter trabalhado durante todos esses anos para fazer com que as pessoas do andar debaixo subissem um degrau na perspectiva de chegar no andar de cima.

Na hora que nós fizemos os pobres terem acesso à universidade, ter acesso ao mínimo elementar para comer, acesso ao emprego, programa Bolsa Familia, Luz para Todos, Pronatec…isso incomodou muita gente.

Eles partem do pressuposto que pobre nasceu para comer em cocho. 

COMENTÁRIO: O discurso de Lula e de boa parte do Partido dos Trabalhadores tem como base a divisão dos brasileiros em duas categorias: “nós” (suspeita-se que sejam os petistas, os trabalhadores que apoiam o PT, o MST, os “movimentos sociais”, os “excluídos”) e “eles” (suspeita-se que sejam os tais “coxinhas”, a classe média tão odiada por Marilena Chauí, sacerdotisa-môr do culto lulo-petista, a “elite” que sempre desprezou os pobres). À esta divisão acrescenta-se a pregação do ódio entre as duas categorias. A política é vista como um jogo de soma zero, onde a vitória de um lado só  é alcançada com a liquidação do outro. É esta lógica sinistra que explica porque o governo petista acabou por gerar uma organização criminosa destinada a perpetuar o partido no poder a qualquer custo.

 

L6: ameaçar veladamente convocar a militância lulo-petista para a confrontação.

O que eles fizeram com esse ato de hoje foi fazer com que a partir da semana que vem… eu quero dizer aqui à CUT, ao PT, aos sem terra, ao PCdoB, que a partir da semana que vem me convidem que eu estarei disposto a andar esse país.

...só tem um jeito de a gente levantar a cabeça. É a gente não ter medo. É a gente levantar a cabeça e fazer com que eles sejam tratados igual todos nós somos tratados.

A partir da semana que vem quem quiser um discursinho do Lula é só acertar. Passagem de avião – não vai de ônibus que demora muito.

…se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça. Bateram no rabo e a jararaca está viva como sempre esteve. 

COMENTÁRIO: Como todo cidadão brasileiro, Lula tem o direito constitucional de viajar pelo país e discursar para quem estiver disposto a ouvi-lo. É um líder carismático e seu partido conta com milhares de militantes fanáticos; por outro lado, grande parte da população está irritada com o governo e com o PT. Assim, discursos inflamatórios podem ocasionar conflitos violentos. Todos esperam que aos problemas que o Brasil já tem não se some mais este…