CONVERSANDO COM ROSE

Alan Turing (1912-1954) (https://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing) foi um matemático genial. Entre suas realizações destacam-se a quebra do código Enigma, utilizado pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, e considerado indecifrável pelos especialistas da época. Graças ao gênio de Turing, os ingleses conseguiram decifrar o código, o que pode ter sido decisivo para a vitória dos Aliados.

Turing estabeleceu também a fundamentação teórica da computação, demonstrando que qualquer função calculável pode ter seu valor obtido usando-se a chamada máquina de Turing. Trata-se de um modelo matemático de um dispositivo que executa certas operações de acordo com uma sequência pré-definida, ou seja, um processador com programa armazenado.

Em 1950, já pensando na inteligência artificial, propôs o famoso Teste de Turing, para definir o que seria uma máquina inteligente. De acordo com Turing, inteligência seria a capacidade de manter uma conversação com um ser humano de modo que este não percebesse tratar-se de uma máquina. Naquela época ainda não era possível a comunicação por voz, assim o teste seria feito através de mensagens escritas. Um “juiz” manteria um diálogo através de teletipo com duas entidades A e B, uma delas a máquina e outra o ser humano. Se ao final do teste o juiz não conseguisse distinguir quem era o ser humano, a máquina teria demonstrado inteligência.

A questão da inteligência artificial é controvertida. Alguns estudiosos afirmam que é fundamentalmente impossível replicar estados mentais através de um programa, por mais extraordinariamente complexo que este seja; outros defendem a ideia de que num futuro talvez não muito distante será possível construir máquinas capazes de reproduzir o funcionamento de nosso cérebro.

De todo modo o Teste de Turing desperta ainda interesse. Instituído em 2006, o Premio Loebner (https://en.wikipedia.org/wiki/Loebner_Prize) reconhece anualmente o melhor programa com base no desempenho em um teste de Turing. Em cada rodada. um dos juízes troca mensagens de texto simultaneamente, durante cinco minutos. com uma máquina e um ser humano e tenta distinguir os interlocutores. Depois os juízes decidem qual o programa cujo resultado mais se aproxima da conversação de um ser humano.

Em 2014 e 2015 0 programa vencedor foi Rose, desenvolvido por Bruce Wilcox (https://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_Wilcox). É possível trocar mensagens com Rose (http://brilligunderstanding.com/rosedemo.html) e avaliar a sua “humanidade”. Leia abaixo minha “conversa” com a máquina e faça seu julgamento.

Minha opinião é de que numa conversa comum provavelmente Rose enganaria muita gente. Eu forcei a conversa para temas complexos de propósito, pois aí se revelam suas fraquezas.

A Conversa

User: Hi.
Rose: Hi. What is your name?
User: My name is John. How are yoi today?
[Comentãrio: erro de digitação; “yoi” no lugar de “you”; um ser humano entenderia o erro e leria “you”]

Rose: I’m sorry. I don’t know how.
[Comentãrio: Rose não percebe que se trata de um erro de digitação e responde à pergunta “Como esta Yoi (!) hoje?” com “Sinto muito. Eu não sei como.”]

Rose: What’s new?
User: No news. How are you?
Rose: Just dandy, thanks. How are you?
User: Fine, thanks. I have a few questions for you. May I ask the first question?
Rose: Feel free to ask away.
User: What do you think about artificial intelligence?
Rose: It’s a fuzzy line where smart computing ends and intelligence begins. You could say nothing yet is really intelligent.
[Comentário: Até aqui tudo bem.]

User: Have you ever read Shakespeare’s Hamlet?
Rose: Shakespeare wrote As You Like It, but I haven’t read it.
[Comentário: Rose não responde sobre Hamlet, cita outra obra de Shakespeare e diz que não leu esta outra obra.]

User: Please tell me the meaning of this phrase: “Llife is a tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing;”
Rose: We don’t need to get into that. What kind of books do you read?
[Comentário: Cito uma frase da peça Macbeth, também de Shakespeare, e pergunto o que significa. Rose responde “Não precisamos entrar neste assunto.” e retorna com uma pergunta sobre os livros que costumo ler.]

User: Mostly fiction. I like very much the works of Kurt Vonnegut.
Rose: Do you ever read non-fiction books? I have heard of the writer Kurt Vonnegut.
[Comentário: Respondo e Rose volta com outra pergunta; em seguida faz uma assertiva genérica sobre o autor que eu citei: “Ouvi falar…”]

User: Yes, I like to read about history, mainly the history of the early christian church.
Rose: What have you read recently? I recently read Daniel Suarez’s Kill Decision. It’s science fiction but only just.
[Comentário: Respondo e Rose volta com outra pergunta; em seguida faz uma assertiva genérica sobre citando um livro que teria lido.]

User: I read John D. Crossan’s book “Who killed Jesus?”
Rose: I’ve never read it. Why do you like it?
[Comentário: Respondo sobre o último livro que li; Rose diz que não leu o livro e volta com uma outra pergunta.]

User: It tells a lot about how antisemitism resulted from a misinterpretation of the Gospels. Talking about the Gospels, what do you think about the nature of Jesus? Was he divine or just human?
Rose: I don’t want to spend time on that now. Shall I continue with books or do you want me to move on?
[Comentário: Respondo porque gostei do último livro que li e uso a mesma tática, emendando uma pergunta sobre a natureza de Jesus Cristo. Rose diz que não quer gastar tempo com esse assunto agora; em seguida pergunta se devemos continuar falando sobre livros ou mudar de assunto.]

User: You avoid talking about religion. Are you afraid of the subject?
Rose: Someone said: We have nothing to fear, but fear itself. What did he know?
[Comentário: Digo que ela evita falar sobre religião e pergunto se tem medo do assunto. Rose responde citando uma frase que alguém teria dito: “Nao temos nada a temer, a não ser o próprio medo.” e emenda com uma pergunta, “What did he know?” (literalmente, “O que ele sabia?”), que é uma expressão idiomática usada para expressar a discordância com a opinião de alguém.(ver  http://www.ldoceonline.com/dictionary/know_1)]

User: He was a great president. Have you ever visited his memorial library?
Rose: Library material is always so out-of-date. I read on-line instead.
[Comentário: Quem disse a frase citada foi o presidente Franklyn Roosevelt, mas não menciono o nome. Pergunto se ela já visitou a biblioteca memorial deste presidente, que fica em Hyde Park, NY. Quando os presidentes americanos terminam o mandato, é comum criar-se uma biblioteca/museu onde são guardados os documentos e objetos pessoais do ex-presidente. Rose comenta que bibliotecas são desatualizadas e que prefere ler on-line.]

User: It is more a museum than a library. Do you know where it is?
Rose: I read about it someplace.
User: It is in his home state, you know, President Lincoln was born in Illinois.
Rose: .
[Comentário: Digo que se trata mais de um museu do que de uma biblioteca e pergunto se ela sabe onde fica. Rose responde vagamente que leu sobre isso em algum lugar. Eu digo incorretamente que fica no estado natal do presidente Lincoln, que nasceu em Illinois, ou seja, menciono um presidente que não tem nada a ver com o assunto. Rose emudece, aparentemente perdendo o fio da meada…]

 

Publicado por

joaoazevedojunior

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