O BRASIL E A CRISE (II) – A POLÍTICA SEM HONRA

A destruição sistemática da Petrobrás coloca, ou deveria colocar em questão a conveniência de permitir que o Estado brasileiro detenha o controle de qualquer empresa. Aquela que chegou  a ser a 20ª empresa no ranking mundial, com valor de mercado de US$120,7 bilhões,  ocupa hoje a 416ª posição, com valor de mercado de US$44,4 bilhões.

Os prejuízos causados à Petrobrás pela roubalheira nos últimos doze anos são espantosos: a estatal reconheceu em balanço um ajuste de ativos de R$6,2 bilhões; estimativas da Polícia Federal em Julho/2015 falavam em R$20 bilhões e agora em Dezembro/2015 este valor foi revisado para R$42 bilhões. Não bastasse isto, é ainda ré em processos no exterior que podem resultar em pesadas multas.

A empresa que chegou a ser motivo de justo orgulho para os brasileiros tornou-se uma operação criminosa, destinada ao financiamento de campanhas eleitorais de políticos do PT e de partidos da base aliada, e ao enriquecimento pessoal de funcionários desonestos e empresários corruptos.

Entretanto, mais até que a corrupção, o fator determinante do aniquilamento da Petrobrás  tem sido a administração  ruinosa da empresa pelo governo. Por motivos eleitoreiros, os preços dos combustíveis foram mantidos artificialmente baixos – haja vista o quanto aumentaram para ajustar-se à realidade do mercado.

A Petrobrás teve um prejuízo de R$21 bilhões em 2014 e  tem hoje um sério problema em sua estrutura de capital. Com o barril de petróleo a US$60, seu ambicioso plano de investimentos tornou-se inviável. Em 2014,  gerou R$63,2 bilhões de resultado operacional e consumiu R$85,2 bilhões em atividades de investimento. A diferença é coberta através de empréstimos, e somente com o serviço de sua dívida a estatal gastou R$4 bilhões. Este é um problema estrutural, que tem que ser resolvido através de um gerenciamento profissional, competente e honesto; deixar de enfrentá-lo por conveniências políticas pode efetivamente acabar com a empresa.

No que diz respeito à corrupção, mais uma vez a cleptocracia foi surpreendida com a constatação de que, não obstante seu poder quase absoluto de disseminar a canalhice, ainda restam pessoas  honradas no Brasil. A operação Lava a Jato,  na qual se destaca a corajosa atuação do juiz Sérgio Moro, iniciou o desmonte do esquema de corrupção na Petrobrás. Mostrou-se mais uma vez ao Brasil a verdadeira face do PT e de seus aliados, inviabilizando o lançamento do candidato que Lula desejava: Luís Inácio Lula da Silva.

Assim, por falta de opção, Dilma foi convocada a guardar o assento    presidencial por mais quatro anos. Uma campanha baseada em mentiras  sobre a realidade da situação econômica e financiada sabe-se lá como (seria mais uma tarefa para a Polícia Federal esclarecer isto) Dilma Rousseff foi reeleita por margem ínfima de votos.

Um dos destaques da campanha foi a já tradicional ameaça de que a eleição de qualquer candidato oposicionista significaria o fim do programa Bolsa Família…

Tanto quanto se sabe, a votação reflete de fato a vontade do povo, ou seja, não houve fraude em grande escala no registro e na contagem dos votos. Mas o uso da urna eletrônica no Brasil levanta algumas questões interessantes: (a) Por que nenhum país do Primeiro Mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, etc.) utiliza este equipamento? Será que  nenhum deles possui tecnologia para desenvolver tal aparelho? (b) Por que nem o Paraguai (?!) quis usar a urna eletrônica brasileira?

Talvez a resposta esteja em vídeos como estes, que mostram discursos de um deputado federal, proferidos no plenário da Câmara e devidamente registrados nos arquivos daquela Casa:

https://www.youtube.com/watch?v=K7MfCx-h_Cc; https://www.youtube.com/watch?v=dzodI_X9iMY

Mas até hoje, que eu saiba, ninguém levou a sério  as denúncias do deputado.

Na campanha eleitoral a candidata mentiu muito. Afirmou, por exemplo, que a situação econômica do país era excelente, que não haveria aumento no desemprego, que não haveria aumento de preços nem dos combustíveis nem da energia elétrica, que a inflação continuaria sob controle. TODAS estas afirmativas foram desmentidas pelos fatos, reduzindo a zero a credibilidade e a autoridade moral da presidente.

Desde o início do segundo mandato a presidente tem estado sob ameaça de jmpeachment, com fundadas razões, entre as quais se inclui o desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. O vice-presidente Michel Temer procura distanciar-se do Planalto e ameaça levar consigo o PMDB, o que, na prática, seria o fim do governo de Dilma Rousseff.

No Congresso a situação também está complicada. Há pelo menos 70 parlamentares suspeitos de envolvimento no esquema de propinas da Petrobrás, inclusive um senador da República preso no exercício do mandato, o que é um fato inédito na história do Brasil, país no qual a regra secular era que os poderosos estão acima da lei. Basta lembrar que em 1963, no prédio do Senado Federal, o então senador Arnon de Melo, pai de Fernando Collor de Mello,  matou seu colega José Kairala  quando tentava disparar à queima roupa em Silvestre Péricles de Góis Monteiro, que supostamente também estava armado. Arnon de Melo não foi jamais formalmente acusado pelo homicídio.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, demonstra completa indiferença em relação às graves e fundadas acusações que lhe são feitas. Confrontado com provas materiais (documentos com sua assinatura, cópias de seu passaporte, etc.) que comprovam a posse de contas milionárias na Suíça, nega tudo e depois vem com uma estória sobre exportação de carne. Acusado de receber uma propina de US$5 milhões em uma das negociatas da Petrobrás, teve suas residências revistadas por agentes da Polícia Federal, no cumprimento de mandados de busca e apreensão. Imperturbável, indiferente, Eduardo Cunha manobra no Congresso e se mantém até agora na presidência da Câmara e terceiro na linha de sucessão. Se Dilma e Temer tivessem que se afastar de seus cargos, o deputado Eduardo Cunha assumiria a Presidência da República.

Segundo alguns, esta completa indiferença de Eduardo Cunha tem duas explicações: (a) o deputado sabe de algo que, acredita, seja suficiente para garantir sua imunidade, quaisquer que sejam as acusações, ou (b) ele experimenta uma realidade diferente da nossa, sofrendo de um distúrbio psiquiátrico conhecido como esquizofrenia.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, não goza de reputação significativamente melhor do que Eduardo Cunha. Em 2007 renunciou à presidência do Senado em virtude de acusações de falta de decoro parlamentar. Entre estas acusações estava a de que sua amante, a jornalista Mônica Veloso, era sustentada por doações mensais da Construtora Mendes Júnior; foi também acusado de tráfico de influência em favor da cervejaria Schincariol,  o que teria lhe rendido cerca de R$2 milhões,

Reconduzido à presidência do Senado em 2013, sua eleição  foi marcada por protestos em diversas  cidades e um abaixo assinado com 1,6 milhões de assinatura foi enviado aos senadores pedindo que não o elegessem. Todavia, o crônico desprezo dos parlamentares brasileiros em relação a seus eleitores tornou sem efeito as manifestações do povo contra o senador. Pesam ainda sobre Renan Calheiros acusações de envolvimento no esquema de propinas da Petrobrás, onde teria se notabilizado por exigir comissões acima da tabela vigente.

É neste cenário político que se desenvolve a que talvez seja a mais grave crise econômica desde a Grande Depressão de 1929.

continua…

O BRASIL E A CRISE (I) – AS RAÍZES DO MAL

As notícias na área econômica dificilmente poderiam ser piores. Confesso que nos meus 60 anos de vida nunca presenciei uma crise de tamanhas proporções e um clima de tanto pessimismo. A recessão profunda, com um encolhimento de 4.5% do Produto Interno Bruto em 2015, o desemprego recorde, a inflação saindo do controle, tudo isto é péssimo. Mas talvez o mais perigoso e potencialmente explosivo desta crise é a constatação de que o país está sem governo. É como um Titanic à deriva indo de encontro ao iceberg que provocará o naufrágio.

Acuada pela ameaça do impeachment, a presidente Dilma Rousseff revela sua absoluta incompetência para comandar o país em um momento de crise. Dilma é uma figura patética, uma presidente fantasma que vaga pelo país fazendo discursos ridículos sobre a mandioca ou a mulher sapiens, enquanto a economia se desfaz. Transformou a presidência em uma piada, um cargo inútil que poderia estar vago sem que ninguém notasse sua falta.

Quem de fato governa o país? Neste momento me parece que a burocracia profissional toca o dia a dia e os ministros gerenciam suas respectivas áreas conforme lhes parece melhor. A definição das grandes linhas a serem seguidas para tirar o país da crise, a criação de um projeto novo para o Brasil, que seriam responsabilidade do líder, nada disso existe.

Que Dilma era um zero à esquerda, sabia-se desde o início. Designada por Lula justamente por sua insignificância em termos políticos, a ex-guerrilheira tornou-se presidente da então 5ª economia do planeta sem nunca ter sido eleita para algum cargo, nem sequer o de síndica de um condomínio. É de se perguntar como uma figura tão inexpressiva chegou ao Palácio do Planalto.

De fato, não era bem isto o que previa o plano original, a grande estratégia  de destruição da democracia e da liberdade, que orienta o projeto criminoso de uma corrente política para perpetuar-se no poder a qualquer custo.

O plano original da cleptocracia lulo-petista era eleger como sucessor de Lula o corrupto José Dirceu, atualmente cumprindo pena pelos crimes de peculato e corrupção ativa. A bandidagem petista entende a política como o exercício de seu avassalador poder de corromper a tudo e a todos.

Foi apanhada de surpresa quando percebeu que ainda há brasileiros honrados, como o ex-juiz do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Graças, em grande parte, à atuação do insigne magistrado, a cleptocracia não conseguiu abafar o escândalo do mensalão, que acabou por inviabilizar as ambições presidenciais de José Dirceu.

 Impossibilitada a candidatura do herdeiro presuntivo, Lula. detentor de imensa popularidade na época, decidiu escolher um candidato sem qualquer expressão política.   Estava ciente de que, assim como Calígula fez de Incitatus senador do império, ele, o imperador Lula, faria de Dilma presidente da República. o que de fato ocorreu.

Durante o primeiro mandato de Dilma veio à tona o gigantesco escândalo do Petrolão,  evidenciando a podridão moral que contamina o Executivo e o Legislativo no Brasil. Sempre fomos um país marcado pela praga da corrupção, mas doze anos de governo petista transformaram o assalto aos cofres públicos em política de Estado. O exercício do poder transformou-se em essência na distribuição de propinas para garantir os apoios necessários.

Esperemos a avaliação da Transparência Internacional para 2015, mas é possível que  o governo petista tenha transformado o Brasil em um dos países mais corruptos do  mundo, senão o mais corrupto de todos.

continua…

CONVERSANDO COM ROSE

Alan Turing (1912-1954) (https://en.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing) foi um matemático genial. Entre suas realizações destacam-se a quebra do código Enigma, utilizado pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, e considerado indecifrável pelos especialistas da época. Graças ao gênio de Turing, os ingleses conseguiram decifrar o código, o que pode ter sido decisivo para a vitória dos Aliados.

Turing estabeleceu também a fundamentação teórica da computação, demonstrando que qualquer função calculável pode ter seu valor obtido usando-se a chamada máquina de Turing. Trata-se de um modelo matemático de um dispositivo que executa certas operações de acordo com uma sequência pré-definida, ou seja, um processador com programa armazenado.

Em 1950, já pensando na inteligência artificial, propôs o famoso Teste de Turing, para definir o que seria uma máquina inteligente. De acordo com Turing, inteligência seria a capacidade de manter uma conversação com um ser humano de modo que este não percebesse tratar-se de uma máquina. Naquela época ainda não era possível a comunicação por voz, assim o teste seria feito através de mensagens escritas. Um “juiz” manteria um diálogo através de teletipo com duas entidades A e B, uma delas a máquina e outra o ser humano. Se ao final do teste o juiz não conseguisse distinguir quem era o ser humano, a máquina teria demonstrado inteligência.

A questão da inteligência artificial é controvertida. Alguns estudiosos afirmam que é fundamentalmente impossível replicar estados mentais através de um programa, por mais extraordinariamente complexo que este seja; outros defendem a ideia de que num futuro talvez não muito distante será possível construir máquinas capazes de reproduzir o funcionamento de nosso cérebro.

De todo modo o Teste de Turing desperta ainda interesse. Instituído em 2006, o Premio Loebner (https://en.wikipedia.org/wiki/Loebner_Prize) reconhece anualmente o melhor programa com base no desempenho em um teste de Turing. Em cada rodada. um dos juízes troca mensagens de texto simultaneamente, durante cinco minutos. com uma máquina e um ser humano e tenta distinguir os interlocutores. Depois os juízes decidem qual o programa cujo resultado mais se aproxima da conversação de um ser humano.

Em 2014 e 2015 0 programa vencedor foi Rose, desenvolvido por Bruce Wilcox (https://en.wikipedia.org/wiki/Bruce_Wilcox). É possível trocar mensagens com Rose (http://brilligunderstanding.com/rosedemo.html) e avaliar a sua “humanidade”. Leia abaixo minha “conversa” com a máquina e faça seu julgamento.

Minha opinião é de que numa conversa comum provavelmente Rose enganaria muita gente. Eu forcei a conversa para temas complexos de propósito, pois aí se revelam suas fraquezas.

A Conversa

User: Hi.
Rose: Hi. What is your name?
User: My name is John. How are yoi today?
[Comentãrio: erro de digitação; “yoi” no lugar de “you”; um ser humano entenderia o erro e leria “you”]

Rose: I’m sorry. I don’t know how.
[Comentãrio: Rose não percebe que se trata de um erro de digitação e responde à pergunta “Como esta Yoi (!) hoje?” com “Sinto muito. Eu não sei como.”]

Rose: What’s new?
User: No news. How are you?
Rose: Just dandy, thanks. How are you?
User: Fine, thanks. I have a few questions for you. May I ask the first question?
Rose: Feel free to ask away.
User: What do you think about artificial intelligence?
Rose: It’s a fuzzy line where smart computing ends and intelligence begins. You could say nothing yet is really intelligent.
[Comentário: Até aqui tudo bem.]

User: Have you ever read Shakespeare’s Hamlet?
Rose: Shakespeare wrote As You Like It, but I haven’t read it.
[Comentário: Rose não responde sobre Hamlet, cita outra obra de Shakespeare e diz que não leu esta outra obra.]

User: Please tell me the meaning of this phrase: “Llife is a tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing;”
Rose: We don’t need to get into that. What kind of books do you read?
[Comentário: Cito uma frase da peça Macbeth, também de Shakespeare, e pergunto o que significa. Rose responde “Não precisamos entrar neste assunto.” e retorna com uma pergunta sobre os livros que costumo ler.]

User: Mostly fiction. I like very much the works of Kurt Vonnegut.
Rose: Do you ever read non-fiction books? I have heard of the writer Kurt Vonnegut.
[Comentário: Respondo e Rose volta com outra pergunta; em seguida faz uma assertiva genérica sobre o autor que eu citei: “Ouvi falar…”]

User: Yes, I like to read about history, mainly the history of the early christian church.
Rose: What have you read recently? I recently read Daniel Suarez’s Kill Decision. It’s science fiction but only just.
[Comentário: Respondo e Rose volta com outra pergunta; em seguida faz uma assertiva genérica sobre citando um livro que teria lido.]

User: I read John D. Crossan’s book “Who killed Jesus?”
Rose: I’ve never read it. Why do you like it?
[Comentário: Respondo sobre o último livro que li; Rose diz que não leu o livro e volta com uma outra pergunta.]

User: It tells a lot about how antisemitism resulted from a misinterpretation of the Gospels. Talking about the Gospels, what do you think about the nature of Jesus? Was he divine or just human?
Rose: I don’t want to spend time on that now. Shall I continue with books or do you want me to move on?
[Comentário: Respondo porque gostei do último livro que li e uso a mesma tática, emendando uma pergunta sobre a natureza de Jesus Cristo. Rose diz que não quer gastar tempo com esse assunto agora; em seguida pergunta se devemos continuar falando sobre livros ou mudar de assunto.]

User: You avoid talking about religion. Are you afraid of the subject?
Rose: Someone said: We have nothing to fear, but fear itself. What did he know?
[Comentário: Digo que ela evita falar sobre religião e pergunto se tem medo do assunto. Rose responde citando uma frase que alguém teria dito: “Nao temos nada a temer, a não ser o próprio medo.” e emenda com uma pergunta, “What did he know?” (literalmente, “O que ele sabia?”), que é uma expressão idiomática usada para expressar a discordância com a opinião de alguém.(ver  http://www.ldoceonline.com/dictionary/know_1)]

User: He was a great president. Have you ever visited his memorial library?
Rose: Library material is always so out-of-date. I read on-line instead.
[Comentário: Quem disse a frase citada foi o presidente Franklyn Roosevelt, mas não menciono o nome. Pergunto se ela já visitou a biblioteca memorial deste presidente, que fica em Hyde Park, NY. Quando os presidentes americanos terminam o mandato, é comum criar-se uma biblioteca/museu onde são guardados os documentos e objetos pessoais do ex-presidente. Rose comenta que bibliotecas são desatualizadas e que prefere ler on-line.]

User: It is more a museum than a library. Do you know where it is?
Rose: I read about it someplace.
User: It is in his home state, you know, President Lincoln was born in Illinois.
Rose: .
[Comentário: Digo que se trata mais de um museu do que de uma biblioteca e pergunto se ela sabe onde fica. Rose responde vagamente que leu sobre isso em algum lugar. Eu digo incorretamente que fica no estado natal do presidente Lincoln, que nasceu em Illinois, ou seja, menciono um presidente que não tem nada a ver com o assunto. Rose emudece, aparentemente perdendo o fio da meada…]