A INOMINÁVEL VILEZA DOS CORRUPTOS

Uma notícia publicada recentemente no MSN reforça um sentimento que tenho há muitos anos e que, imagino, seja compartilhado por muitos brasileiros.

Em entrevista recente, o procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, disse que os crimes de corrupção no País matam mais do que os de homicídios. O Dr. Dallagnol provavelmente conhece como poucos o funcionamento do esquema de assalto ao cofres públicos montado nos últimos anos, fruto do ‘projeto criminoso de poder’, como bem definiu o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

Tanto os corruptos do governo como os da iniciativa privada são igualmente canalhas e desprezíveis. E é mesmo muito provável que causem mais mortes do que o crime organizado.

Com uma diferença importante: boa parte dos homicídios cometidos por marginais está ligada ao tráfico de drogas; é uma guerra de certa forma declarada entre quadrilhas rivais, na qual a morte de inocentes é um triste “efeito colateral”. Os alvos primários estão bem determinados e identificados.

Já o corrupto age como um terrorista sanguinário, que detona uma bomba em uma praça movimentada, matando indiscriminadamente homens e mulheres, jovens e velhos, crianças e adultos. Não lhe importa quem morra, desde que atinja seus objetivos. No caso dos corruptos, estes objetivos são, creio eu, a acumulação ilimitada de bens materiais e a satisfação de um orgulho desmedido. Nos níveis em que ocorre no Brasil, a corrupção ultrapassou a dimensão puramente material para tornar-se um vício.

Muitos dizem que o caso da Petrobrás é insignificante, frente ao que ainda vai se descobrir em outras áreas. Mas para ficar somente no que se conhece com certeza, e foi amplamente divulgado pela mídia, os valores roubados pelos ladrões durante o assalto que durou anos a fio vão além de qualquer limite do que poderia ser chamado “golpe financeiro”. Os corruptos talvez no início pensassem em “fazer a sua independência”, mas com o tempo a roubalheira parece ter se tornado um vício, uma droga, cujo efeito era fazê-los sentir-se superiores ao comum dos mortais, acima da Lei, vencedores num país de trouxas e “coxinhas”, que existiriam apenas para sustentar a canalhice deles.

Ao drenar os cofres públicos, transferindo os frutos do trabalho de milhões de brasileiros honrados para as contas particulares que mantinham na Suíça e assemelhados, é evidente que os corruptos subtraíram verbas que poderiam ter sido usadas em benefício do povo.

Quantas pessoas morreram por falta de um tratamento digno nos hospitais públicos? Quantos jovens tornaram-se marginais por falta de escolas. de boa qualidade? Quantas famílias perderam seus entes queridos, devido a falhas na segurança pública? Quantos brasileiros foram vítimas de acidentes fatais causados pela más condições das estradas?

Quando se pensa nisto, vê-se que o corrupto é um ser abjeto, um assassino covarde, que liquida suas vítimas anônimas dia após dia, sem o menor respeito por si mesmo, pelo próximo e – vou usar uma palavra que soa estranha aos ouvidos de hoje – pela Pátria.

As chacinas sem dia marcado podem acontecer durante uma reunião no conforto de seu gabinete refrigerado. Ou, quem sabe, no decorrer de um jantar em restaurante de luxo, regado a vinho de R$5000,00 a garrafa. Ou ainda uma ligação pelo celular não rastreável, feita do interior do carro oficial que se desloca pela Esplanada dos Ministérios.

Ao contrário do que ocorre nos botequins da periferia de São Paulo, estas chacinas não terminam com corpos espalhados pelo chão, e sangue em toda parte. Mas, no final, o efeito é o mesmo: dor e sofrimento para a desgraça deste  triste país.