ATÉ ONDE CHEGARÁ A BARBÁRIE?

LINS0027 - RJ - 19/05/2015 - CICLISTA/ASSASSINATO - CIDADES OE - O local onde foi assassinado o médico Jaime Gold, na lagoa, zona sul do Rio, recebeu visita da perícia e teve o policiamento reforçado nesta quarta-feira, 20. O local também recebeu cartaz em protesto de moradores da região. O médico foi assaltado por 2 menores enquanto pedalava, pouco depois das 19h30, quando ainda havia bastante movimento na região. Os supostos menores fugiram levando a bicicleta. Na foto, Polical Militar em bicicleta faz patrulha na ciclovia em que aconteceu o assassinato. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO
LINS0027 – RJ – 19/05/2015 – CICLISTA/ASSASSINATO – CIDADES OE – O local onde foi assassinado o médico Jaime Gold, na lagoa, zona sul do Rio, recebeu visita da perícia e teve o policiamento reforçado nesta quarta-feira, 20. O local também recebeu cartaz em protesto de moradores da região. O médico foi assaltado por 2 menores enquanto pedalava, pouco depois das 19h30, quando ainda havia bastante movimento na região. Os supostos menores fugiram levando a bicicleta. Na foto, Polical Militar em bicicleta faz patrulha na ciclovia em que aconteceu o assassinato. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Li recentemente um artigo intitulado “Nem o fuzil, nem a faca”, do advogado                 Dr. Fabrício Rebelo, diretor da ONG Movimento Viva Brasil e pesquisador de assuntos relativos à segurança pública.

O artigo trata dos crimes bárbaros cometidos no Rio de Janeiro com o uso de arma branca e em certo trecho afirma:

“O traço comum a qualquer desses ataques, ainda que variáveis sejam os instrumentos, se estabelece num conceito que atua como cúmplice dos agressores: a impunidade. É ela que aflora quando se esclarece menos de 10% dos nossos quase 60 mil homicídios por ano, a mesma que permite que um menor suspeito de assassinato tenha quinze passagens por casas de acolhimento, de onde sempre saiu no máximo em duas semanas. É igualmente a que concede a criminosos uma inesgotável série de benefícios, como indultos, “saidões” e afrouxamentos de regime, utilizados para reincidir no crime em mais de 75% dos casos.”

O Dr. Fabrício apresentou, a meu ver, uma formulação perfeita sobre a problemática da segurança brasileira.

Em minha opinião, enquanto não tivermos:

(a)uma força policial bem paga, bem treinada, bem equipada e livre da chaga da corrupção;

 (b) um sistema prisional decente, onde os criminosos não disponham de celulares nem possam comandar o crime de dentro dos presídios;

 (c) uma legislação rigorosa que imponha penas severas para crimes violentos, cumpridas integralmente sem possibilidade de progressão;

continuaremos a assistir horrorizados estes crimes bárbaros, cometidos com a certeza absoluta ou quase absoluta da impunidade. Se os assassinos forem menores não sofrerão nenhuma punição efetiva, estarão apenas sujeitos às “medidas socioeducativas”; se forem maiores de idade, terão cerca de 92% de chances de não serem presos (uma vez que no Brasil somente 8% dos homicídios são solucionados); se forem presos dificilmente ficarão mais que 6 ou 7 anos em regime fechado.

É possível fazer (a), (b) e (c)? Sim, desde que haja vontade política para tanto.

Mas (e sei que estou sendo um pouco panfletário)  enquanto o Estado brasileiro for dominado por esta mentalidade de “esquerda humanitária”, covarde, desfibrada e absolutamente favorável aos criminosos, viveremos neste clima de barbárie.

O que é a mentalidade da “esquerda humanitária”? E o pensamento esquizofrênico, que se recusa a reconhecer a realidade, e se sustenta em dogmas que contradizem o mundo real. Exemplos:

1) O criminoso é vítima da sociedade.
Não é verdade, tanto que a imensa maioria dos pobres não se torna criminosa, mas vive honestamente de seu trabalho. E muitos criminosos provêm da classe média e até mesmo da classe alta. Não somos fantoches nas mãos do destino, todo ser humano é responsável pelos seus atos. A leniência com os criminosos tem o efeito que se vê no Brasil: torna a opção pelo crime mais atrativa…

2) A finalidade do sistema prisional é recuperar o detento.
Sim, quando se trata de crimes menos graves e criminosos não reincidentes. Para criminosos habituais ou condenados por crimes gravíssimos (latrocínio, homicídio qualificado, etc… cabe à sociedade definir isto) a finalidade da prisão é isolar este bandido do convívio  social por décadas.

3) Todos os crimes são perdoáveis.
Sim, para Deus. O criminoso pode se arrepender, encontrar Jesus e a paz interior, mas a sociedade deve sinalizar que certos crimes serão punidos com o máximo rigor. Por exemplo matar alguém de maneira premeditada é um crime gravíssimo; fazê-lo a golpes de barra de ferro enquanto a pessoa dorme, sem possibilidade de defesa, é uma crueldade inominável; fazer isto com duas pessoas, que são seu pai e sua mãe é uma abominação no sentido bíblico; soltar o criminoso após meros 12 anos de prisão mostra que a justiça transformou-se em uma piada de mau gosto

4) Todo ser humano é recuperável.
Não é verdade. Há muitas pessoas que tem má índole ou que tiveram seu caráter deformado a tal ponto que não há mais recuperação e a sociedade tem que se proteger, mantendo-as encarceradas por longos períodos.

Mas o problema fundamental é que talvez nunca tenhamos a vontade política para resolver o problema da violência.

Infelizmente ideias como livre arbítrio, responsabilidade moral, punição efetiva estão muito distantes de nossa cultura enquanto nação; vivemos imersos em um preguiçoso fatalismo, onde tudo é culpa de fatores externos ao agente. Morrem centenas de pessoas em acidente causado por grossa negligência – uma fatalidade; queimam viva a dentista, estripam o médico – coitadinhos, são menores de idade; executam o policial de folga – ah, são vítimas da exclusão social; rouba-se descaradamente o Erário – veja, sempre foi assim.

É claro que um aumento exponencial na prevenção e na repressão ao crime não significa que as causas raízes da violência devam ser esquecidas. Saúde, educação de qualidade, moradia decente, transporte, etc. são direitos da população e obrigação do governo, para o qual cada brasileiro trabalha 150 dias por ano (impostos que paga). Mas a principal função do Estado é garantir que não prevaleça a lei da selva.

Publicado por

joaoazevedojunior

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