A QUESTÃO DA IDENTIDADE PESSOAL

Personal Identity Identidade Pessoal
Olson (2010)[6], writing about Personal Identity for the Stanford Encyclopedia of Philosophy states that “There is no single problem of personal identity, but rather a wide range of loosely connected questions.” Olson (2010)[6], escrevendo sobre Identidade Pessoal para a Enciclopédia de Filosofia da Universidade de Stanford, afirma que: “Não há apenas um único problema relativo à Identidade Pessoal, mas sim uma ampla gama de questões frouxamente relacionadas.”
He then goes on by listing eight of these questions, which address some difficult issues that have been discussed by many philosophers over the centuries. Some examples of the philosophical discussions related to the Personal Identity problem are: (a) what makes one what one is, a unique individual distinct from any other who has lived or will ever live?; (b) what is necessary and sufficient for something to be a person?; (c) what is necessary for a person to persist through time?; (d) what is our basic metaphysical nature?. Na sequência o autor lista oito destas questões, que endereçam alguns assuntos que tem sido discutidos por muitos filósofos ao longo dos séculos. Alguns exemplos das discussões filosóficas relacionadas ao problema da Identidade Pessoal são: (a) o que faz alguém ser quem é, um indivíduo único e distinto de qualquer outro que já viveu ou irá viver?; (b) o que é necessário e suficiente para que algo seja uma pessoa?; (c) o que é necessário para que uma pessoa mantenha sua identidade ao longo do tempo?; (d) qual é nossa natureza metafísica básica?
The metaphysical question is perhaps the most basic that human beings can articulate. After all, what is that that we are? As Olson (2010) puts it: “Are we substances—metaphysically independent beings—or is each of us a state or an aspect of something else, or perhaps some sort of process or event?” A questão metafísica é talvez a mais básica que os seres humanos podem articular. Afinal, o que é que nós somos? Olson (2010) coloca a questão desta forma: “Somos substâncias – seres metafisicamente independentes – ou é cada um de nós um estado ou aspecto de alguma outra coisa, ou talvez algum tipo de processo ou evento?”
However, for this text we are concerned with the so called “Persistence” question, stated as “What is necessary for a person to persist through time?” In even simpler terms, if you see your photo as a toddler, how do you know you are the same person as the one in the picture? After all, you are now much bigger and stronger, have maybe learned highly complex subjects or acquired exceedingly fine skills. Nonetheless, most of us would agree that the toddler’s personal identity has persisted through time and is the same as yours. Entretanto, neste texto estamos focados na questão da chamada “Persistência”, formulada como “O que é necessário para que uma pessoa persista (i. e. mantenha sua identidade pessoal) ao longo do tempo?” Em termos ainda mais simples, se você olha uma foto sua como um bebê ensaiando os primeiros passos, como você sabe que é a mesma pessoa mostrada na foto? Afinal, você é agora muito maior e mais forte, pode ter aprendido assuntos altamente complexos ou adquirido habilidades extremamente refinadas. Não obstante, a maioria de nós concordaria que a identidade pessoal da criança persistiu ao longo do tempo e é a mesma que a sua.
Most (but not all) answers to the persistence question fall into one of two broad categories: A maioria (mas não todas) as respostas para o problema da persistência se encaixam em uma de duas amplas categorias:
1.      Psychological Approach                Some psychological relation is necessary and sufficient for persistence. A person, say Jones, has some mental features (beliefs, memories, preferences, values, character traits, etc.), at successive points in time, t0 / t1 / t2. Furthermore, suppose t0, t1 and t2 are sufficiently close, so it becomes obvious that these mental states are psychologically continuous and related. We can say that Jones[@t1] inherited the mental features from his “previous version” Jones[@t0], and bequeathed them to his “next version” Jones[@t2]. While this process takes place, personal identity persists. 1.      Abordagem Psicológica
Alguma relação psicológica é necessária e suficiente para a persistência. Uma pessoa, digamos Jones, tem algumas características mentais (crenças, preferências, valores, traços de caráter, etc), em momentos sucessivos, t0 / t1 / t2. Além disto, suponha que t0, t1 e t2 são suficientemente próximos, de modo que se torna óbvio que estes estados mentais são psicologicamente contínuos e relacionados. Podemos dizer que Jones[@t1] herdou as características mentais de sua “versão prévia” Jones[@t0], e as transmitiu como herança para sua “próxima versão” Jones[@t2]. Enquanto este processo ocorre, a identidade pessoal persiste.
2.      Somatic Approach           Persistence is related to the physical survival of a biological organism. You know the toddler’s personal identity has persisted because you both are the same living organism, of course at different stages of development. 2      Abordagem Somática
A persistência está relacionada à sobrevivência física de um organismo biológico. Você sabe que a identidade pessoal da criança da foto persistiu porque você e ela são o mesmo organismo vivo, é claro que em diferentes estágios de desenvolvimento.
Olson (2003)[5] adopts the Somatic Approach (which he calls animalism) in considering the persistence question. According to Olson all creatures dwelling on Earth today that belong to the species “homo sapiens” are human animals. As he points out, there may be a vast gap between our mental capacities and those of other animals, but we are still animals. Olson (2003)[5] adota a Abordagem Somática (que ele denomina animalismo) ao considerar a questão da persistência. De acordo com Olson todas as criaturas que habitam o planeta Terra nos dias atuais e pertencem à espécie “homo sapiens” são animais humanos. E assinala que pode haver uma vasta diferença entre nossa capacidade mental e a de outros animais, mas ainda assim somos animais.
According to animalism, the persistence of a human organism has nothing to do with some kind of psychological continuity, which is neither necessary nor sufficient for a human animal to persist (e.g. fetus / child / adult / brain-dead accident victim). It is in fact contingent on the physical survival of the organism. De acordo com o animalismo, a persistência da identidade de um organismo humano não tem nada a ver com algum tipo de continuidade psicológica, que não é nem necessária nem suficiente para que o animal humano persista (e. g. feto / criança / adulto / vítima de acidente com morte cerebral). A persistência é de fato contingente à sobrevivência física do organismo.
Since psychological continuity is its central tenet, the Psychological Approach precludes the possibility that we are a living organism, a human animal. Na medida em que a continuidade psicológica é seu ponto central, a Abordagem Psicológica exclui a possibilidade de que sejamos um organismo vivo, um animal humano.
Olson (2003) then asks: “If we’re not animals, what are we?” and provides an overview of what other philosophers had said about this: (a) simple immaterial substances; (b) compounds made of some immaterial substance and a biological organism; (c) material objects “constituted by” human animals; (d) temporal parts of animals; (e) “a bundle or collection of different perceptions”; (g) illusions. He half-jokingly concludes by saying these proposals are fascinating for those who enjoy metaphysics, that “No one but a philosopher could have thought of them.” and states that animalism seems a very reasonable idea in comparison with the alternatives. Olson (2003) então pergunta: “Se não somos animais, o que somos?” e apresenta um apanhado do que outros filósofos disseram sobre isto: (a) simples substâncias imateriais; (b) compostos feitos de alguma substância imaterial e de um organismo biológico; (c) objetos materiais “constituídos por” animais humanos; (d) partes temporais de animais; (e) “um feixe ou coleção de diferentes percepções”; (g) ilusões. E conclui dizendo, meio em tom de brincadeira, que tais ideias são fascinantes para aqueles que apreciam a metafísica, que “Ninguém exceto um filósofo teria pensado tais coisas.” e afirma que o animalismo parece uma ideia muito razoável em comparação com as alternativas.
Olson (2003) presents his “Thinking-Animal Argument” with three premises (Professor Hare (2014)[4] discussed a slightly modified version on Lecture 18, with four premises). The conclusion of the argument is that “we are human animals.” Olson (2003) apresenta seu “Argumento sobre o Animal Pensante” com três premissas (Professor Hare (2014)[4] discutiu uma versão ligeiramente modificada na Aula 18, com quatro premissas). A conclusão do argumento é de que “somos animais humanos.”
In my opinion, the premises are true and the argument is sound and convincing (remembering that as per Lecture 02 [3] “An argument is potentially convincing for a person if and only if she or he is in a position to see that the argument is valid, and prior to being confronted with the argument, believes the premises but not the conclusion.”) Em minha opinião, as premissas são verdadeiras e o argumento sólido e convincente (lembrando que conforme estudado na Aula 02 [3] “Um argumento é potencialmente convincente para uma pessoa se e somente se ela está em posição de determinar que o argumento é válido, e antes de ser confrontada com o argumento, acredita nas premissas mas não na conclusão.”)
In closing, I would like to share two personal thoughts. Para terminar, gostaria de compartilhar dois pontos de vista pessoais.
Being raised as a Catholic, I learned that man is a rational ANIMAL since my early Catechism classes in the 1st grade. It took me a lot longer to find out that believing in the existence of an immaterial soul somehow attached or bound to the rational ANIMAL is not exactly the doctrinal teaching. Tendo sido criado como Católico, aprendi que o homem é um ANIMAL racional desde as primeiras aulas de Catecismo no antigo curso Primário. Levou muito mais tempo para que eu descobrisse que acreditar na existência de uma alma imortal de algum modo atada ou presa ao ANIMAL racional não é exatamente o ensinamento doutrinário.
What one can read on paragraph 365 of the Roman Catholic Church Catechism [1] is: “The unity of soul and body is so profound that one has to consider the soul to be the “form” of the body (232); i.e., it is because of its spiritual soul that the body made of matter becomes a living, human body; spirit and matter, in man, are not two natures united, but rather their union forms a single nature.” O que se lê no parágrafo 365 do Catecismo da Igreja Católica Romana [2] é: “A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a «forma» do corpo (232); quer dizer, é graças à alma espiritual que o corpo, constituído de matéria, é um corpo humano e vivo. No homem, o espírito e a matéria não são duas naturezas unidas, mas a sua união forma uma única natureza.”
Of course the hypothesis proposed in the Catechism has no observational consequences that allow one to distinguish it from the hypothesis proposed by the animalist philosophers. Since the latter is simpler, it will always be preferred by Science. This only reinforces my conviction that Reason and Faith belong to separate realms of the human experience. É claro que a hipótese aventada no Catecismo não tem consequências observacionais que permitam distingui-la da hipótese proposta pelos filósofos animalistas. Como esta última é mais simples, será sempre a preferida pela Ciência. Isto apenas reforça minha convicção de que a Razão e a Fé pertencem a domínios separados da experiência humana.
When we discuss self-identity, brains seem to move here and there, going from one body to another. Olson (2010) says: “Most people—most Western philosophy teachers and students, anyway—feel immediately drawn to the Psychological Approach. It seems obvious that you would go along with your brain if it were transplanted, and that this is so because that organ would carry with it your memories and other mental features.” Quando discutimos identidade pessoal, cérebros parecem mover-se aqui e ali, passando de um corpo para outro. Olson (2010) declara: “A maioria das pessoas – ao menos a maioria dos professores e estudantes de Filosofia Ocidental – se sentem imediatamente atraídos pela Abordagem Psicológica. Parece óbvio que você iria junto com seu cérebro se ele fosse transplantado, e que isto é assim porque tal orgão carregaria com ele suas memórias e outras características mentais.”
I contend that this second statement is not true, because personal identity comes from each one’s “self” (be it a thinking animal, body and soul, matter and mind, or what have you) and from the unique path that each “self” follows through the space-time. Coloco em dúvida a veracidade da segunda afirmativa, porque identidade pessoal vem do “eu” de cada um (seja isto um animal pensante, corpo e alma, mente e matéria, ou o que mais se queira) e da trajetória única que cada “eu” percorre através do espaço-tempo.
To put it in a less abstract context, I will again resort to personal experience. One of my oldest memories is accidentally touching a very hot metal plate, over 55 years ago; to this date I have a light scar on my left wrist. Para colocar este ponto em um contexto menos abstrato, recorrerei novamente à experiência pessoal. Uma de minhas recordações mais antigas é ter tocado acidentalmente uma chapa de metal muito quente, há mais de 55 anos; até hoje tenho uma leve cicatriz em meu pulso esquerdo.
No matter where my brain goes, the organism, computer, or whatever it is that gets it (or its information content) – let us call it R2D2 – will not be ME. R2D2 will not have a scar on its left wrist (supposing it has arms…). Its personal identity would not be confirmed as the same as mine by the other “selves” who came to help me and, most importantly, R2D2 would not have crossed the paths I crossed. Não importa onde meu cérebro vá, o organismo, computador, ou o que quer que seja que recebê-lo (ou a informação nele contida) – vamos chamá-lo R2D2 – não será EU. R2D2 não terá uma cicatriz no seu pulso esquerdo (supondo que tenha braços…). Sua identidade pessoal não seria confirmada como sendo a minha pelos outros “eus” que vieram socorrer-me e, o mais importante, R2D2 não teria percorrido os caminhos que percorri.
If we have anything that is truly ours, this thing is the infinitesimally small line we add to that “tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing.” [7] Se existe algo que é verdadeiramente nosso, isto é a linha infinitesimalmente curta que acrescentamos à “história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa.” [8]
References / Referências
1.      Catechism of the Catholic Church. URL = <http://www.vatican.va/archive/ENG0015/_INDEX.HTM>
2.      Catecismo da Igreja Católica. URL = <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html>
3.      Hare, Casper., in “MITx: 24.00x Introduction to Philosophy: God, Knowledge and Consciousness”. Part 1: God. Lecture 2: Assessing an argument. URL =<https://www.edx.org/course/introduction-philosophy-god-knowledge-mitx-24-00x#.VJuLyCsgGA>
4.      Hare, Casper., in “MITx: 24.00x Introduction to Philosophy: God, Knowledge and Consciousness”. Part 5: Self Identity. Lecture 18: Animalism. URL =<https://www.edx.org/course/introduction-philosophy-god-knowledge-mitx-24-00x#.VJuLyCsgGA>
5.      Olson, Eric T., “An Argument for Animalism”, in R. Martin and J. Barresi, eds., Personal Identity. Blackwell 2003: 318-34. URL = <http://www.shef.ac.uk/polopoly_fs/1.101685!/file/animalism.pdf>
6.      Olson, Eric T., “Personal Identity”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2010 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <http://plato.stanford.edu/archives/win2010/entries/identity-personal/>.
7.      Shakespeare, William., “Macbeth”. URL =<http://www.gutenberg.org/cache/epub/2264/pg2264.html>
8.      Shakespeare, William., “Macbeth”, Trad. Nelson Jahr Garcia. URL = <http://www.ebooksbrasil.org>

Publicado por

joaoazevedojunior

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