FILOSOFIA: ISTO NÃO TEM NADA A VER… OU SERÁ QUE TEM?

Nos últimos dias tenho perpetrado alguns artigos onde procuro expor certas questões abordadas em um curso on-line do qual participei. Este curso especificamente foi promovido através da plataforma edX (https://www.edx.org/), fruto de uma iniciativa conjunta do MIT e da Universidade de Harvard.

Há mais de 300 cursos no edX, de “Mecânica Quântica” a “Alimentos Saudáveis”, e todos ou quase todos são gratuitos.

Mas, voltando à Filosofia, pode ser até que aqueles poucos leitores que me prestigiam tenham ficado surpresos. No último texto postado neste blog, comentei sobre a questão da responsabilidade moral e a contribuição de um filósofo chamado Harry Frankfurt para este debate.

Talvez tenham pensado: “Filosofia?! O que isto tem a ver?” Pois é, o pior é que tem muito a ver com nosso dia a dia e com o destino de nosso país…

Resumindo, este filósofo analisou uma proposição chamada Princípio das Possibilidades Alternativas que diz:

“Uma pessoa é moralmente responsável pelo que fez somente se pudesse ter agido de outra maneira.”

Ora, se leio esta frase, que chamarei de Princípio Amoral das Possibilidades Alternativas, ACREDITANDO que vivemos em um universo determinístico, no qual o passado determina inexoravelmente o futuro, a consequência aparentemente lógica é que o conceito de responsabilidade moral desaparece. Avançando um pouco mais neste raciocínio, é natural que se desloque o ponto de controle do agente para o exterior.

Frankfurt mostrou, a meu ver de maneira convincente, que, na verdade, mesmo em um universo determinístico, é mais conforme à realidade dos fatos dizer que

“Uma pessoa não é moralmente responsável pelo que fez somente se agiu daquele modo porque não poderia ter agido de outra maneira.”

Trata-se de uma abordagem filosófica completamente diversa, que denomino Princípio Moral das Possibilidades Alternativas. Nesta abordagem, em princípio, a responsabilidade moral é do agente e o ponto de controle nele permanece. Deslocá-lo para o exterior é uma situação excepcional, não a regra geral.

Quando uma nação se organiza como um Estado, é evidente que suas instituições irão refletir a orientação filosófica de sua liderança. Cada um dos princípios, o MORAL e o AMORAL, representa uma diferente visão do mundo e do ser humano. Instituições orientadas por um ou outro princípio tem consequências absolutamente distintas na vida das nações.

Atualmente, a grande maioria dos estados nacionais se fundamenta na existência de três poderes independentes e harmônicos: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Grande parte do trabalho que o Poder Judiciário executa tem a ver com questões como responsabilidade moral, possibilidade de escolha, livre arbítrio, proporcionalidade entre o crime e a punição. E a aplicação das leis segue orientação filosófica predominante entre os integrantes daquele poder.

Minha contenção é que o Poder Judiciário no Brasil adota como filosofia de direito o Princípio Amoral das Possibilidades Alternativas, e que a aplicação da lei é feita a partir de pressupostos incorretos e intrinsecamente desordenados.

Os pressupostos que, a meu ver, servem como base para a aplicação da justiça no Brasil são:

  1. o ser humano é um fantoche nas mãos do destino, incapaz de escolher entre o bem e o mal, e desprovido de responsabilidade moral por seus atos;
  2. o ponto de controle das ações humanas é externo ao agente.

O segundo pressuposto tem, via de regra, efeitos devastadores sobre a sociedade; tais efeitos corroem os fundamentos do organismo social de duas formas.

Por um lado, enraiza-se insidiosamente na alma de cada brasileiro a noção de que as ações humanas resultam de forças externas, contra as quais nada pode ser feito. Tudo passa a servir como desculpa para atenuar ou eliminar a responsabilidade moral do agente. Entre as “desculpas” mais comuns podemos citar:

  1. a “fatalidade”; é a desculpa padrão para justificar a negligência criminosa[i];
  2. a pouca idade; é a desculpa padrão para justificar as atrocidades cometidas por menores de 18 anos;
  3. a má qualidade da educação;
  4. a dissolução da família;
  5. a quebra dos valores morais;
  6. o consumismo desenfreado;
  7. a ineficiência e a corrupção historicamente associadas ao Estado brasileiro em todos os seus níveis e poderes; é a desculpa padrão para corruptos e corruptores[ii], que alegam descaradamente que sempre foi assim” e que nada se faz no âmbito do governo se não houver distribuição de propinas.

Por outro lado, a aceitação tácita de que ninguém é pessoalmente responsável por coisa alguma provoca uma quase completa desconexão entre crime e castigo. O Poder Judiciário degenera rapidamente e torna-se cada vez mais tolerante e suave no combate ao mal.

A prática dos crimes mais bárbaros acarreta para seus autores, na prática, penas ridículamente curtas face à gravidade do ato. O sistema de justiça criminal perde uma de suas mais importantes funções, que é simplesmente didática: evitar a ocorrência de novos delitos evidenciando as consequências graves que se abatem sobre quem os comete.

Naturalmente, os maus aproveitam-se de todas as oportunidades para ganhar espaço. Já que o Estado é materialmente incapaz de garantir o cumprimento das leis e filosoficamente não inclinado a fazê-lo, tudo passa a ser permitido. Não há mais limites para a crueldade, para a ganância e para a vileza.

Um exemplo realmente dramático[iii]: este ano foram assassinados 229 policiais no Brasil (para comparação, em 2013, nos Estados Unidos – país muito mais populoso que o nosso – tombaram 72 agentes da lei).

A sociedade poderia perfeitamente sinalizar sua revolta estabelecendo para estes crimes a pena de 30 anos de reclusão sem direito a progressão da pena. Mas isto não acontece, porque perdemos a capacidade de nos indignarmos; aceitamos impassíveis que a maldade triunfe e os homens bons se tornem cada vez mais acuados.

Quem disse que filosofia não é importante… Baseando-se numa visão incorreta da natureza humana, que nega ao homem um relativo controle sobre seus atos e o isenta de sua responsabilidade moral, a aplicação da justiça é um dos fatores que explica porque a nação brasileira apodrece e se decompõe diante de nossos olhos, devorada por dois cânceres em metástase: a violência e a corrupção.

[i] Veja o texto “Esparciatas, Periecos e Ilotas” (https://joaoazevedojunior.wordpress.com/2012/02/24/esparciatas-periecos-e-ilotas/

[ii] Veja “Lá como cá? Dois corruptos concedem entrevistas (https://joaoazevedojunior.wordpress.com/2014/09/04/la-como-ca-dois-corruptos-concedem-entrevistas/)

[iii] Veja “Brasil tem um policial morto a cada 32 horas” (http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/r%C3%A1dio-patrulha-1.530/brasil-tem-um-policial-morto-a-cada-32-horas-229-morreram-este-ano-1.51320)

COMPATIBILISMO E LIVRE ARBÍTRIO

Este texto é um dos cinco trabalhos apresentados para “peer revision” como parte dos requisitos para obtenção do certificado de conclusão do curso MITx: 24.00x “Introduction to Philosophy: God, Knowledge and Consciousness” oferecido pelo Massachusetts Institute of Technology através da plataforma edX.
Compatibilism and Free Will Compatibilismo e Livre Arbítrio
This essay discusses very briefly: Este texto aborda de maneira muito sumária:
a.      Harry Frankfurt’s ideas (1969: 829-39) [3], on the Principle of Alternate Possibilities (PAP); a.      As ideias de Harry Frankfurt (1969: 829-39) [3] sobre o Princípio das Possibilidades Alternativas (PPA);
b.      the concepts of free will and determinism (for an overview please check [4] , [5]), and; b.      os conceitos de livre arbítrio e determinismo (para uma visão geral por favor verifique [4], [5]), e;
c.       the idea that moral responsibility is compatible with a deterministic world. c.       a ideia de que a responsabilidade moral é compatível com um mundo determinístico.
According to Frankfurt (829), the Principle of Alternate Possibilities (PAP) states that “a person is morally responsible for what he has done only if he could have done otherwise.” De acordo com Frankfurt (829), o Princípio das Possibilidades Alternativas (PPA) estabelece que “uma pessoa é moralmente responsável pelo que fez somente se pudesse ter agido de outra maneira.”
Frankfurt (829-39) claims the PAP is false and advances the central idea: a person may well be morally responsible for what he has done even though he could not have done otherwise. Frankfurt (829-39) argumenta que o PPA é falso e propõe a ideia de que uma pessoa pode ser moralmente responsável pelo que fez, mesmo que não pudesse ter agido de modo diverso.
This statement may surprise many people. After all, most of us tend to associate moral responsibility with the possibility of choosing between doing or refraining from doing something. Tal afirmativa pode surpreender muitas pessoas. Afinal de contas, a maioria de nós tende a associar a responsabilidade moral com a possibilidade de escolher entre fazer ou deixar de fazer algo.
However, there are circumstances that: (a) constitute sufficient conditions for a person to perform an action; (b) make it impossible for him to do otherwise, and; (c) do not actually impel him to act or in any way produce his action. Entretanto, há circunstâncias que: (a) constituem condições suficientes para que uma pessoa execute uma ação; (b) tornam impossível para ela agir de outra forma, e; (c) não impelem realmente a pessoa a agir ou de algum modo produzem sua ação.
Frankfurt’s first example (830-33) describes a situation in which Jones, for reasons of his own, has decided to carry out some ACTION. Then, someone threatens him with a very harsh punishment. The objective of the threat is to force Jones to do exactly that he already intended to do. The punishment is so harsh that any reasonable man would comply and perform ACTION. O primeiro exemplo de Frankfurt (830-833) descreve uma situação na qual Jones, por razões próprias, decidiu levar a cabo certa AÇÃO. Neste momento, alguém lhe faz uma grave ameaça. O objetivo da ameaça é forçar Jones a fazer exatamente o que ele já planejava fazer. A gravidade da punição com a qual foi ameaçado é tão severa que qualquer indivíduo razoável a levaria em conta e executaria a AÇÃO.
Is Jones morally responsible for his acts if he performs ACTION? At this point, most people may say “No”, and justify their answer by observing that Jones had no choice but do ACTION. Jones é moralmente responsável por seus atos se ele executa a AÇÃO? Neste ponto, a maioria das pessoas talvez diga “Não”, e justifique a resposta observando que Jones não tinha outra escolha, exceto realizar a AÇÃO.
This is not so, claims Frankfurt (830-33), and formulates three cases. In all cases, Jones wanted, on his own, to do ACTION and did ACTION: Isto não é verdade, argumenta Frankfurt (830-33), e descreve três casos distintos. Em todo os casos, JONES desejava, por motivos próprios, executar a AÇÃO e de fato a executa.
Case A: Jones was not influenced by the threat; he performed ACTION ONLY because he wanted to; Caso A: Jones não foi influenciado pela ameaça; executou a AÇÃO somente porque desejava fazê-lo;
Case B: Jones became terrified by the threat; he performed ACTION only because he was under coercion; Caso B: Jones ficou aterrorizado pela ameaça; executou a AÇÃO somente porque foi coagido a fazê-lo;
Case C: Jones did not dismiss the threat, but he was not overly concerned about it; he performed ACTION. Caso C: Jones não descartou a ameaça, mas não se impressionou demasiadamente com ela; ele executou a AÇÃO.
In (A), (B) and (C): Jones acted the same and he could not have done otherwise. Em (A), (B) e (C): Jones agiu do mesmo modo e não poderia ter agido de outra a maneira.
However, his moral responsibility is clearly not the same in the three situations. In (A), Jones has full moral responsibility because he acted on his own volition; in (B) he had no moral responsibility, because he was coerced to act; in (C) the assignment of moral responsibility is uncertain (as it often is in real life): Jones has some moral responsibility but the author of the threat may also have some. Contudo, parece claro que sua responsabilidade moral não é a mesma nas três situações. Em (A), Jones tem plena responsabilidade moral porque agiu por vontade própria; em (B) ele não tem responsabilidade moral, porque foi coagido a agir, em (C) a atribuição de responsabilidade moral é incerta (como frequentemente acontece na vida real): Jones tem alguma responsabilidade moral, mas o autor da ameaça também.
In the conclusion of his paper, Frankfurt (838) proposes a new definition for the Principle of Alternate Possibilities: “A person is not morally responsible for what he has done if he did it only because he could not have done otherwise.” Na conclusão de seu artigo, Frankfurt (838) propõe uma nova definição para o Princípio das Possibilidades Alternativas: “Uma pessoa não é moralmente responsável pelo que fez somente se agiu daquele modo porque não poderia ter agido de outra maneira.”
There is a close relation between the concepts of “moral responsibility” and “free will”. According to van Inwagen (1990, 400-2) [7] the connection is complicated, and various philosophers have described it differently. Nonetheless, most would concur with these basic ideas: Existe uma relação próxima entre os conceitos de “responsabilidade moral” e “livre arbítrio”. De acordo com van Inwagen (1990, 400-2) [7] a conexão é complicada, e vários filósofos a tem descrito de diferentes maneiras. Não obstante, a maioria concorda com estas ideias básicas:
Some states of affairs are bad. They ought not to exist. And among these bad states of affairs are some that are the fault of certain human beings. These human beings are to be blamed for those states of affairs.

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Alguns estados de coisas são maus. Eles não deveriam existir. E entre estes maus estados de coisas há alguns que resultam de falhas de certos seres humanos. A estes seres humanos deve ser atribuída a culpa por tais estados de coisas.

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And, doubtless, each reader of this paper knows of bad states of affairs that are his fault and his alone. But if there were no free will – if no one were able to act otherwise – then no state of affairs would be anyone’s fault. No one would ever be morally accountable for anything. The actions of some people might indeed be among the causes of various bad states of affairs, but those things they caused would never be their fault. E, sem dúvida, cada leitor deste artigo tem consciência de estados de coisas maus por cuja existência ele e somente ele foi culpado. Mas se não existisse o livre arbítrio – se ninguém fosse capaz de agir de outra maneira – então nenhum estado de coisas ocorreria por culpa de alguém. Nenhum indivíduo poderia ser moralmente responsabilizado por qualquer coisa. As ações de algumas pessoas poderiam realmente estar entre as causas de vários estados de coisas maus, mas a culpa pelos males que estes estados de coisas causaram nunca seria atribuída às pessoas.

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Presently, many philosophers understand free will as a label for a certain feature of human beings that applies to situations like this: Atualmente, muitos filósofos entendem o livre arbítrio como um rótulo para certa característica dos seres humanos que se aplica a situações como essa:
a.      a person is contemplating two incompatible actions A and B; a.      uma pessoa analisa duas ações incompatíveis A e B;
b.      it is within his power to do A and it is within his power to do B; b.      está a seu alcance executar A e está a seu alcance executar B
c.       he has a choice to do A or to do B. c.       ela pode escolher entre executar A ou executar B.
Free will makes a lot of sense IF we live in a world where the future is open to change. However, there is no consensus about this issue. Many philosophers believe in Determinism, which is “the thesis that the past and the laws of nature together determine a unique future, that only one future is consistent with the past and the laws of nature.” (van INWAGEN, 1990:401; FISCHER, 1983:127; FISCHER & RAVIZZA, 1996:213-215) [1] [2] O livre arbítrio faz muito sentido SE vivemos em um mundo onde o futuro está aberto à mudança. Entretanto, não há um consenso sobre este assunto. Muitos filósofos acreditam no Determinismo, que é “a tese de que o passado e as leis da natureza determinam em conjunto um futuro único, aquele único futuro que é consistente com o passado e com as leis da natureza.” (van INWAGEN, 1990:401; FISCHER, 1983:127; FISCHER & RAVIZZA, 1996:213-215) [1] [2]
The idea can be formally expressed as: (van INWAGEN, 1975: 186) [6] A ideia pode ser formalmente expressa como: (van INWAGEN, 1975: 186) [6]
(a) For every instant of time, there is a proposition that expresses the state of the world at that instant; (a) para todo instante, existe uma proposição que descreve o estado do mundo naquele instante;
(b) If A and B are any propositions that express the state of the world at some instants, then the conjunction of A with the laws of physics entails B. (b) se A e B são quaisquer proposições que expressam o estado do mundo em alguns instantes, então a conjunção de A com as leis da Física implica em B.
I agree that this new formulation of the PAP provides convincing support to the idea that moral responsibility applies even when the agent has but one choice, as would be the case in a deterministic universe. Acredito que esta nova formulação do PPA oferece um suporte convincente para a ideia de que a responsabilidade moral se aplica mesmo quando o agente tem somente uma escolha, como seria o caso em um universo determinístico.

 

References:
1.      Fischer, John M. “Incompatibilism.” Philosophical Studies: An International Journal for Philosophy in the AnalyticTradition 43.1 (Jan., 1983) : 127-37.
2.      Fischer, John M. and Ravizza, Mark. “Free Will and the Modal Principle.” Philosophical Studies: An International Journal for Philosophy in the AnalyticTradition 83.3 (Sep., 1996) : 213-30.
3.      Frankfurt, Harry G. “Alternate Possibilities and Moral Responsibility.” The Journal of Philosophy 66.23 (Dec., 1969) : 829-39.
4.      Hoefer, Carl, “Causal Determinism”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Spring 2010 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <http://plato.stanford.edu/archives/spr2010/entries/determinism-causal/&gt;.
5.      O’Connor, Timothy, “Free Will”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2014 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <http://plato.stanford.edu/archives/fall2014/entries/freewill/&gt;.
6.      van Inwagen, Peter: “The Incompatibility of Free Will and Determinism.” Philosophical Studies 27 (1975) : 185-99.
7.      van Inwagen, Peter. “When Is the Will Free?.” in Philosophical Perspectives IV: Action Theory and Philosophy of Mind. Ed. J. Tomberlin. Atascadero, CA.: Ridgeview Publishing Company, 1990. 399-422.

A QUESTÃO DA IDENTIDADE PESSOAL

Personal Identity Identidade Pessoal
Olson (2010)[6], writing about Personal Identity for the Stanford Encyclopedia of Philosophy states that “There is no single problem of personal identity, but rather a wide range of loosely connected questions.” Olson (2010)[6], escrevendo sobre Identidade Pessoal para a Enciclopédia de Filosofia da Universidade de Stanford, afirma que: “Não há apenas um único problema relativo à Identidade Pessoal, mas sim uma ampla gama de questões frouxamente relacionadas.”
He then goes on by listing eight of these questions, which address some difficult issues that have been discussed by many philosophers over the centuries. Some examples of the philosophical discussions related to the Personal Identity problem are: (a) what makes one what one is, a unique individual distinct from any other who has lived or will ever live?; (b) what is necessary and sufficient for something to be a person?; (c) what is necessary for a person to persist through time?; (d) what is our basic metaphysical nature?. Na sequência o autor lista oito destas questões, que endereçam alguns assuntos que tem sido discutidos por muitos filósofos ao longo dos séculos. Alguns exemplos das discussões filosóficas relacionadas ao problema da Identidade Pessoal são: (a) o que faz alguém ser quem é, um indivíduo único e distinto de qualquer outro que já viveu ou irá viver?; (b) o que é necessário e suficiente para que algo seja uma pessoa?; (c) o que é necessário para que uma pessoa mantenha sua identidade ao longo do tempo?; (d) qual é nossa natureza metafísica básica?
The metaphysical question is perhaps the most basic that human beings can articulate. After all, what is that that we are? As Olson (2010) puts it: “Are we substances—metaphysically independent beings—or is each of us a state or an aspect of something else, or perhaps some sort of process or event?” A questão metafísica é talvez a mais básica que os seres humanos podem articular. Afinal, o que é que nós somos? Olson (2010) coloca a questão desta forma: “Somos substâncias – seres metafisicamente independentes – ou é cada um de nós um estado ou aspecto de alguma outra coisa, ou talvez algum tipo de processo ou evento?”
However, for this text we are concerned with the so called “Persistence” question, stated as “What is necessary for a person to persist through time?” In even simpler terms, if you see your photo as a toddler, how do you know you are the same person as the one in the picture? After all, you are now much bigger and stronger, have maybe learned highly complex subjects or acquired exceedingly fine skills. Nonetheless, most of us would agree that the toddler’s personal identity has persisted through time and is the same as yours. Entretanto, neste texto estamos focados na questão da chamada “Persistência”, formulada como “O que é necessário para que uma pessoa persista (i. e. mantenha sua identidade pessoal) ao longo do tempo?” Em termos ainda mais simples, se você olha uma foto sua como um bebê ensaiando os primeiros passos, como você sabe que é a mesma pessoa mostrada na foto? Afinal, você é agora muito maior e mais forte, pode ter aprendido assuntos altamente complexos ou adquirido habilidades extremamente refinadas. Não obstante, a maioria de nós concordaria que a identidade pessoal da criança persistiu ao longo do tempo e é a mesma que a sua.
Most (but not all) answers to the persistence question fall into one of two broad categories: A maioria (mas não todas) as respostas para o problema da persistência se encaixam em uma de duas amplas categorias:
1.      Psychological Approach                Some psychological relation is necessary and sufficient for persistence. A person, say Jones, has some mental features (beliefs, memories, preferences, values, character traits, etc.), at successive points in time, t0 / t1 / t2. Furthermore, suppose t0, t1 and t2 are sufficiently close, so it becomes obvious that these mental states are psychologically continuous and related. We can say that Jones[@t1] inherited the mental features from his “previous version” Jones[@t0], and bequeathed them to his “next version” Jones[@t2]. While this process takes place, personal identity persists. 1.      Abordagem Psicológica
Alguma relação psicológica é necessária e suficiente para a persistência. Uma pessoa, digamos Jones, tem algumas características mentais (crenças, preferências, valores, traços de caráter, etc), em momentos sucessivos, t0 / t1 / t2. Além disto, suponha que t0, t1 e t2 são suficientemente próximos, de modo que se torna óbvio que estes estados mentais são psicologicamente contínuos e relacionados. Podemos dizer que Jones[@t1] herdou as características mentais de sua “versão prévia” Jones[@t0], e as transmitiu como herança para sua “próxima versão” Jones[@t2]. Enquanto este processo ocorre, a identidade pessoal persiste.
2.      Somatic Approach           Persistence is related to the physical survival of a biological organism. You know the toddler’s personal identity has persisted because you both are the same living organism, of course at different stages of development. 2      Abordagem Somática
A persistência está relacionada à sobrevivência física de um organismo biológico. Você sabe que a identidade pessoal da criança da foto persistiu porque você e ela são o mesmo organismo vivo, é claro que em diferentes estágios de desenvolvimento.
Olson (2003)[5] adopts the Somatic Approach (which he calls animalism) in considering the persistence question. According to Olson all creatures dwelling on Earth today that belong to the species “homo sapiens” are human animals. As he points out, there may be a vast gap between our mental capacities and those of other animals, but we are still animals. Olson (2003)[5] adota a Abordagem Somática (que ele denomina animalismo) ao considerar a questão da persistência. De acordo com Olson todas as criaturas que habitam o planeta Terra nos dias atuais e pertencem à espécie “homo sapiens” são animais humanos. E assinala que pode haver uma vasta diferença entre nossa capacidade mental e a de outros animais, mas ainda assim somos animais.
According to animalism, the persistence of a human organism has nothing to do with some kind of psychological continuity, which is neither necessary nor sufficient for a human animal to persist (e.g. fetus / child / adult / brain-dead accident victim). It is in fact contingent on the physical survival of the organism. De acordo com o animalismo, a persistência da identidade de um organismo humano não tem nada a ver com algum tipo de continuidade psicológica, que não é nem necessária nem suficiente para que o animal humano persista (e. g. feto / criança / adulto / vítima de acidente com morte cerebral). A persistência é de fato contingente à sobrevivência física do organismo.
Since psychological continuity is its central tenet, the Psychological Approach precludes the possibility that we are a living organism, a human animal. Na medida em que a continuidade psicológica é seu ponto central, a Abordagem Psicológica exclui a possibilidade de que sejamos um organismo vivo, um animal humano.
Olson (2003) then asks: “If we’re not animals, what are we?” and provides an overview of what other philosophers had said about this: (a) simple immaterial substances; (b) compounds made of some immaterial substance and a biological organism; (c) material objects “constituted by” human animals; (d) temporal parts of animals; (e) “a bundle or collection of different perceptions”; (g) illusions. He half-jokingly concludes by saying these proposals are fascinating for those who enjoy metaphysics, that “No one but a philosopher could have thought of them.” and states that animalism seems a very reasonable idea in comparison with the alternatives. Olson (2003) então pergunta: “Se não somos animais, o que somos?” e apresenta um apanhado do que outros filósofos disseram sobre isto: (a) simples substâncias imateriais; (b) compostos feitos de alguma substância imaterial e de um organismo biológico; (c) objetos materiais “constituídos por” animais humanos; (d) partes temporais de animais; (e) “um feixe ou coleção de diferentes percepções”; (g) ilusões. E conclui dizendo, meio em tom de brincadeira, que tais ideias são fascinantes para aqueles que apreciam a metafísica, que “Ninguém exceto um filósofo teria pensado tais coisas.” e afirma que o animalismo parece uma ideia muito razoável em comparação com as alternativas.
Olson (2003) presents his “Thinking-Animal Argument” with three premises (Professor Hare (2014)[4] discussed a slightly modified version on Lecture 18, with four premises). The conclusion of the argument is that “we are human animals.” Olson (2003) apresenta seu “Argumento sobre o Animal Pensante” com três premissas (Professor Hare (2014)[4] discutiu uma versão ligeiramente modificada na Aula 18, com quatro premissas). A conclusão do argumento é de que “somos animais humanos.”
In my opinion, the premises are true and the argument is sound and convincing (remembering that as per Lecture 02 [3] “An argument is potentially convincing for a person if and only if she or he is in a position to see that the argument is valid, and prior to being confronted with the argument, believes the premises but not the conclusion.”) Em minha opinião, as premissas são verdadeiras e o argumento sólido e convincente (lembrando que conforme estudado na Aula 02 [3] “Um argumento é potencialmente convincente para uma pessoa se e somente se ela está em posição de determinar que o argumento é válido, e antes de ser confrontada com o argumento, acredita nas premissas mas não na conclusão.”)
In closing, I would like to share two personal thoughts. Para terminar, gostaria de compartilhar dois pontos de vista pessoais.
Being raised as a Catholic, I learned that man is a rational ANIMAL since my early Catechism classes in the 1st grade. It took me a lot longer to find out that believing in the existence of an immaterial soul somehow attached or bound to the rational ANIMAL is not exactly the doctrinal teaching. Tendo sido criado como Católico, aprendi que o homem é um ANIMAL racional desde as primeiras aulas de Catecismo no antigo curso Primário. Levou muito mais tempo para que eu descobrisse que acreditar na existência de uma alma imortal de algum modo atada ou presa ao ANIMAL racional não é exatamente o ensinamento doutrinário.
What one can read on paragraph 365 of the Roman Catholic Church Catechism [1] is: “The unity of soul and body is so profound that one has to consider the soul to be the “form” of the body (232); i.e., it is because of its spiritual soul that the body made of matter becomes a living, human body; spirit and matter, in man, are not two natures united, but rather their union forms a single nature.” O que se lê no parágrafo 365 do Catecismo da Igreja Católica Romana [2] é: “A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a «forma» do corpo (232); quer dizer, é graças à alma espiritual que o corpo, constituído de matéria, é um corpo humano e vivo. No homem, o espírito e a matéria não são duas naturezas unidas, mas a sua união forma uma única natureza.”
Of course the hypothesis proposed in the Catechism has no observational consequences that allow one to distinguish it from the hypothesis proposed by the animalist philosophers. Since the latter is simpler, it will always be preferred by Science. This only reinforces my conviction that Reason and Faith belong to separate realms of the human experience. É claro que a hipótese aventada no Catecismo não tem consequências observacionais que permitam distingui-la da hipótese proposta pelos filósofos animalistas. Como esta última é mais simples, será sempre a preferida pela Ciência. Isto apenas reforça minha convicção de que a Razão e a Fé pertencem a domínios separados da experiência humana.
When we discuss self-identity, brains seem to move here and there, going from one body to another. Olson (2010) says: “Most people—most Western philosophy teachers and students, anyway—feel immediately drawn to the Psychological Approach. It seems obvious that you would go along with your brain if it were transplanted, and that this is so because that organ would carry with it your memories and other mental features.” Quando discutimos identidade pessoal, cérebros parecem mover-se aqui e ali, passando de um corpo para outro. Olson (2010) declara: “A maioria das pessoas – ao menos a maioria dos professores e estudantes de Filosofia Ocidental – se sentem imediatamente atraídos pela Abordagem Psicológica. Parece óbvio que você iria junto com seu cérebro se ele fosse transplantado, e que isto é assim porque tal orgão carregaria com ele suas memórias e outras características mentais.”
I contend that this second statement is not true, because personal identity comes from each one’s “self” (be it a thinking animal, body and soul, matter and mind, or what have you) and from the unique path that each “self” follows through the space-time. Coloco em dúvida a veracidade da segunda afirmativa, porque identidade pessoal vem do “eu” de cada um (seja isto um animal pensante, corpo e alma, mente e matéria, ou o que mais se queira) e da trajetória única que cada “eu” percorre através do espaço-tempo.
To put it in a less abstract context, I will again resort to personal experience. One of my oldest memories is accidentally touching a very hot metal plate, over 55 years ago; to this date I have a light scar on my left wrist. Para colocar este ponto em um contexto menos abstrato, recorrerei novamente à experiência pessoal. Uma de minhas recordações mais antigas é ter tocado acidentalmente uma chapa de metal muito quente, há mais de 55 anos; até hoje tenho uma leve cicatriz em meu pulso esquerdo.
No matter where my brain goes, the organism, computer, or whatever it is that gets it (or its information content) – let us call it R2D2 – will not be ME. R2D2 will not have a scar on its left wrist (supposing it has arms…). Its personal identity would not be confirmed as the same as mine by the other “selves” who came to help me and, most importantly, R2D2 would not have crossed the paths I crossed. Não importa onde meu cérebro vá, o organismo, computador, ou o que quer que seja que recebê-lo (ou a informação nele contida) – vamos chamá-lo R2D2 – não será EU. R2D2 não terá uma cicatriz no seu pulso esquerdo (supondo que tenha braços…). Sua identidade pessoal não seria confirmada como sendo a minha pelos outros “eus” que vieram socorrer-me e, o mais importante, R2D2 não teria percorrido os caminhos que percorri.
If we have anything that is truly ours, this thing is the infinitesimally small line we add to that “tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing.” [7] Se existe algo que é verdadeiramente nosso, isto é a linha infinitesimalmente curta que acrescentamos à “história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa.” [8]
References / Referências
1.      Catechism of the Catholic Church. URL = <http://www.vatican.va/archive/ENG0015/_INDEX.HTM>
2.      Catecismo da Igreja Católica. URL = <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html>
3.      Hare, Casper., in “MITx: 24.00x Introduction to Philosophy: God, Knowledge and Consciousness”. Part 1: God. Lecture 2: Assessing an argument. URL =<https://www.edx.org/course/introduction-philosophy-god-knowledge-mitx-24-00x#.VJuLyCsgGA>
4.      Hare, Casper., in “MITx: 24.00x Introduction to Philosophy: God, Knowledge and Consciousness”. Part 5: Self Identity. Lecture 18: Animalism. URL =<https://www.edx.org/course/introduction-philosophy-god-knowledge-mitx-24-00x#.VJuLyCsgGA>
5.      Olson, Eric T., “An Argument for Animalism”, in R. Martin and J. Barresi, eds., Personal Identity. Blackwell 2003: 318-34. URL = <http://www.shef.ac.uk/polopoly_fs/1.101685!/file/animalism.pdf>
6.      Olson, Eric T., “Personal Identity”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2010 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <http://plato.stanford.edu/archives/win2010/entries/identity-personal/>.
7.      Shakespeare, William., “Macbeth”. URL =<http://www.gutenberg.org/cache/epub/2264/pg2264.html>
8.      Shakespeare, William., “Macbeth”, Trad. Nelson Jahr Garcia. URL = <http://www.ebooksbrasil.org>

A REALIDADE DE TRÊS CAMADAS

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A questão sobre se o determinismo causal (que chamarei simplesmente determinismo) é ou não verdadeiro pode ser insolúvel devido a sua inerente circularidade. Suponhamos que um filósofo brilhante desenvolve um conjunto muito complexo de, digamos, 1000 proposições simbólicas que provam que o universo não é deterministico. Todos os praticantes qualificados no assunto examinam a prova e concordam: podemos agora dizer que o universo não é determinístico com o mesmo grau de confiança com o qual afirmamos que 1 + 1 = 2.

No entanto, desde o momento do Big Bang, foi determinado pela lei natural que, assim que qualquer filósofo (ou qualquer outro ser humano, neste respeito) alcançasse a proficiência necessária para entender esta prova rigorosa, o estado de seu cérebro seria tal que o tornaria incapaz de detectar uma sutil falha em uma das proposições, que tornava a conclusão insustentável.

Nenhum filósofo perceberia o erro, porque estaria além da capacidade de seu cérebro enxergar primeiramente que havia um erro. É claro que o debate entre deterministas e indeterministas acabaria, com uma vitória definitiva destes últimos.

Não obstante, o universo ainda seria, afinal de contas, deterministico! Sei que essa história não parece plausível (embora me lembre uma experiência pessoal que é muito semelhante), mas o mesmo se pode dizer sobre o determinismo causal.

A realidade nos conduz a pensar que o determinismo é verdadeiro? Não, não conduz. Pelo contrário, na vida real frequentemente confrontramos escolha e decisão, acontecimentos imprevisíveis, coincidências incríveis. Na vida real, todas as pessoas normais consideram algumas ações inaceitáveis (indesejáveis / erradas) e outras ações aceitáveis (desejáveis / certas). Mesmo as culturas mais primitivas recompensam alguns comportamentos e punem outros. Embora as definições de “bom” e “mau” variem consideravelmente entre diferentes povos e diferentes momentos, o conceito de responsabilidade moral – e implicitamente, a idéia que temos pelo menos algum grau de livre-arbítrio – parece ser universal. Um filósofo moderno expressa o que talvez seja uma ideia similar (van Inwagen, Peter. “O mistério da liberdade metafísica”, de Peter van Inwagen e Dean W.Zimmerman (eds.). Metafísica: As grandes questões. Malden, MA: Blackwell. 1998. 365-74). Na página 373, lê-se: “E todo mundo realmente acredita em liberdade metafísica, independente de usar ou não este nome para designá-la. Dr. Johnson, em uma de suas frases célebres, disse: uma vez, “Senhor, sabemos que nossa vontade é livre, e há uma finalidade para ela.” Talvez ele estivesse errado, mas estava dizendo algo em que todos acreditamos. Estejamos ou não todos nós, como dizem os existencialistas, condenados à liberdade, estamos todos certamente condenados a acreditar na liberdade – e, de fato, condenados a acreditar que sabemos que somos livres.”

Por uma questão de argumento, vamos assumir que nosso mundo seja na verdade determinístico. Isto de algum modo invalidaria as declarações feitas no parágrafo anterior? Estou inclinado a dizer que não. Um determinista pode acrescentar que a lei natural determina que os seres humanos, individual e coletivamente, pensam e se comportam como se existissem coisas como livre-arbítrio e responsabilidade moral.

No entanto, é possível dizer que neste caso o determinismo não tem conseqüências e não explica nada, dado que as únicas criaturas capazes de formular este conceito (tanto quanto sabemos) pensam e se comportam como se o conceito fosse falso

No momento, façamos apenas esta declaração: “Os seres humanos pensam e se comportam como se o mundo não fosse determinístico.”

Não há dúvida que vemos muita regularidade e continuidade no mundo. A maioria de nós provavelmente teria um grau de confiança se aproximando da certeza de que as afirmativas abaixo são ou virão a ser verdadeiras:

  1. A lei de Coulomb é válida em Marte.
  2. Daqui um milhão de anos a Terra ainda estará girando em torno de seu eixo.
  3. Daqui mil anos salmões estarão nadando e beija-flores estarão voando (desde que, claro, o impacto ambiental da nossa espécie não os leve à extinção).

A justificativa para as afirmativas (a), (b) e (c) é a mesma: leis imutáveis da natureza (que são determinísticas) criam parte do que percebemos como realidade. Esperamos que a lei de Coulomb seja válida em qualquer lugar (caso a); esperamos que a gravitação mantenha a estabilidade de nosso sistema solar por muito mais tempo do que meros um milhão de anos (caso b), e esperamos que a evolução prossiga com seu lento e imponente ritmo (caso c). Estas leis estão incorporadas na estrutura do universo presente e não poderiam ser diferentes. Se elas fossem diferentes não estaríamos aqui.

Outras afirmativas são de um tipo diferente. Há algum grau de confiança de que elas são, ou virão a ser, verdadeiras, mas este grau de confiança não chega nem perto da certeza:

  1. Jones continuará vivo nos próximos dez anos.
  2. Smith não será morto por um criminoso.
  3. Mary ganhará na loteria na próxima semana.

A justificativa para estas afirmativas é, em todos os casos, probabilística. Jones acredita que viverá mais dez anos porque isto é o que as tabelas atuariais lhe dizem. Ele parou de fumar há muitos anos, portanto, está mais confiante que esta afirmativa se tornará verdadeira (neste estado atual do mundo) do que estaria se ainda fosse um fumante (outro estado possível do mundo). Jones sabe que se comer mais frutas e verduras e fizer exercícios regularmente, poderá ter ainda mais confiança de que a afirmativa (a) se tornará verdadeira.

A segunda afirmativa é semelhante. A fim de mantê-la geral, digamos que Smith está muito preocupado com o crime. Ele descobre o número de assassinatos por 100.000 pessoas em seu país de origem, nos Estados Unidos e no Japão: os valores são 29 – 4.7 – 0.3. Smith considera mudar-se para o Japão ou para os EUA; não se trata de uma decisão trivial. Ele analisa, tão rigorosamente quanto lhe é possível, todos os aspectos do assunto, toma uma decisão e age em conformidade.

A terceira afirmativa também é semelhante, mas facilmente quantificada. Se Maria não apostar, a probabilidade de que ganhe algum dinheiro é zero; ela pode apostar escolhendo 6 de 60 números e pagar US$ 1. Mary pode fazer qualquer número de apostas; cada combinação não repetida de seis números aumenta suas chances de ganhar em 1 por 50,063,860.

As afirmativas (a), (b) e (c) acima estão ordenadas no que considero uma escala crescente de aleatoriedade e uma escala decrescente de susceptibilidade à vontade do agente.

O resultado destas “experiências” é incerto para Jones, Smith e Mary como indivíduos, mas suas ações levam em consideração o fato óbvio de que há alguma regularidade no mundo, misturada com algum “ruído”. O “ruído” provém da impossibilidade de levar em conta todas as variáveis que afetam as leis deterministas, e da aleatoriedade irredutível de alguns fenômenos.

Quaisquer que sejam os resultados de Jones, Smith e Mary, tanto as tabelas atuariais como as estatísticas do crime e as leis da análise combinatória continuarão ainda a refletir uma característica verdadeira do mundo.

Suponhamos ainda, apenas em benefício do argumento, que James, Brown e Julia (que para todos os aspectos e ações envolvidos são equivalentes a Jones, Smith e Mary) obtenham resultados diferentes destas “experiências”. Digamos que Jones vive mais de vinte anos e James apenas cinco; Smith e Brown mudam-se para o Japão e no final das contas Smith é morto por um criminoso naquele país; Maria ganha na loteria e Julia não. Dado o fato de que todas as variáveis relevantes foram iguais, é necessário perguntar “por que James e não Jones? Por que Smith e não Brown? Por que Maria e não Julia?”. Creio que não há muito sentido em fazer estas perguntas, uma vez que são semelhantes a perguntar por que ao lançar um dado não viciado obtivemos o resultado quatro ao invés do resultado cinco.

Regras probabilísticas parecem representar outra camada da cadeia de causalidade que molda nossa visão da realidade, e este é o domínio correto para o livre-arbítrio. A maioria das ações humanas se desdobra neste nível da realidade, porque na maior parte do tempo estamos avaliando probabilidades, mesmo sem ena consciência de fazê-lo. Só nesta camada uma pessoa pode exercer aquilo que, para todos os efeitos práticos, pode ser chamado de “livre arbítrio”, geralmente para aumentar as chances de alcançar o melhor resultado possível, de acordo com o seu próprio julgamento.

Estou plenamente consciente de que todos estes exemplos podem ser “explicados” pelo determinismo. No entanto, que tipo de explicação é esta que pode explicar tudo? Dizendo: “isso acontece porque tinha que acontecer”?

Finalmente, há coisas que parecem ser aleatórias. A interpretação predominante da mecânica quântica sugere que há alguma aleatoriedade irredutível nas fundações do mundo físico. Doyle (“uma falha no argumento padrão contra o livre-arbítrio”. Web: http://gfp.typepad.com/the_garden_of_forking_pat/2009/06/a-flaw-in-the-standard-argument-against-free-will-1.html) sugere que aleatoriedade irredutível manifesta-se, ou manifestou-se, em alguns poucos pontos da cadeia de causalidade ao nível macroscópico. Listo apenas três dos pontos mencionados por Doyle, porque me parecem quase indiscutíveis:

  1. no momento original do “Big Bang”.
  2. durante as mutações genéticas, que finalmente criam novas espécies, incluindo “homo sapiens”.
  3. nove meses antes do nascimento de cada um de nós, quando dois conjuntos de informação genética se combinam para criar um modelo único para um novo ser humano.

Acho que nem o determinismo nem o indeterminismo podem isoladamente fornecer uma explicação adequada para o que cria a “entidade” que nós percebemos como o mundo real. Talvez pudéssemos pensar em usar um modelo de três camadas:

  1. uma camada determinista das leis da física, ou leis naturais;
  2. uma camada probabilística que os seres humanos podem mudar, usando seu livre arbítrio;
  3. uma camada verdadeiramente aleatória na cadeia de causalidade que é a fonte de um número infinito de possíveis estados do mundo.

The Three-layered Reality

(Click here for Portuguese version)

The question of whether or not causal determinism (which I shall call simply determinism) is true may be unsolvable because of its inherent circularity. Let us suppose that a brilliant philosopher develops a very complex set of, say, 1000 symbolic propositions that prove the Universe is not deterministic. All those skilled in the trade look at the proof and agree: we now can say that the Universe is not deterministic with the same degree of confidence we say 1+1=2.

However, since the moment of the Big Bang it had been determined by natural law that as soon as any philosopher (or any other human being for that matter) achieved the proficiency required to make sense of that rigorous proof, the state of his brain would be such that he would be unable to detect a subtle flaw in one of the propositions, which made the conclusion untenable.

No philosopher would ever notice the error, because it would not be within the powers of his brain to see that there was an error in the first place. Of course, the debate between determinists and indeterminists would end, with a definitive victory of the latter.

Nonetheless, the Universe would still be, after all, deterministic! I know this story does not seem plausible (although I can recall a personal experience that is very similar), but one may say the same about causal determinism.

Does reality lead us to think determinism is true? No, it does not. On the contrary, in real life we often confront choice and decision, unpredictable events, incredible coincidences. In real life, all normal persons consider some actions unacceptable (undesirable / wrong) and other actions acceptable (desirable / right). Even the most primitive cultures reward some behaviors and punish others. Although the definitions of “good” and “bad” vary considerably for different people at different times, the concept of moral responsibility – and by implication, the idea that we have at least some degree of free will – seems to be universal.

A modern philosopher expresses what is maybe a similar idea (van Inwagen, Peter. “The Mistery of Metaphysical Freedom” in Peter van Inwagen and Dean W.Zimmerman (eds.). Metaphysics: The Big Questions. Malden, MA: Blackwell. 1998. 365-74). On page 373 one reads: “And everyone really believes in metaphysical freedom, whether or not he would call it by that name. Dr. Johnson famously said, “Sir, we know our will is free, and there’s an end on’t.” Perhaps he was wrong, but he was saying something we all believe. Whether or not we are all, as the existentialists said, condemned to freedom, we are certainly all condemned to believe in freedom – and, in fact, condemned to believe that we know that we are free.”

For the sake of argument, assume that our world is in fact deterministic. Would it in any way invalidate the statements made in the previous paragraph? I am inclined to say that it would not. A determinist may add that natural law determines that human beings, individually and collectively, think and behave as if there existed such things as free will and moral responsibility.

However, it is then possible to say that determinism is of no consequence, and does not explain anything, since the only beings capable of formulating that concept (as far as we know) think and behave as if the concept was false

For the moment, let us just make this statement: “Human beings think and behave as if the world were not deterministic.”

There is no doubt that we see a lot of regularity and continuity in the world. Most of us would probably have a degree of confidence approaching certainty that the statements below are true or will turn out to be true:

  1. Coulomb’s Law is valid in Mars.
  2. One million years from now, Earth will still be turning around its axis.
  3. One thousand years from now salmons will be swimming and humming birds flying (provided, of course, the environmental impact of our species does not lead them to extinction).

The rationale for statements (a), (b) and (c) is the same: unchangeable laws of nature (which are deterministic) create part of what we perceive as reality. We expect that Coulomb’s Law will hold anywhere (case a); we expect gravitation to hold our solar system together for much longer than a mere 1,000,000 years (case b) and we expect that evolution keeps proceeding at its stately slow pace (case c). These laws are embedded in the structure of the present Universe and could not be otherwise. If they were otherwise we would not be here.

Other statements are of a different kind. There is some degree of confidence that they are or will turn out to be true, but not even close to certainty:

  1. Jones will be around for another ten years.
  2. Smith will not be killed by a criminal.
  3. Mary will win the Lottery next week.

The rationale for these statements is, in all cases, probabilistic. Jones believes he will be around for another ten years because that is what the actuarial tables tell him. He quit smoking many years ago, therefore he is more confident that this statement will become true (in this current state of the world) than he would be if he were still a smoker (another possible state of the world). Jones knows that if he eats more fruits and vegetables and exercises regularly, he can have even more confidence that statement (a) will become true.

The second statement is similar. In order to keep it general, let us say Smith is very worried about crime. He finds out the number of murders per 100,000 people in his home country, in the United States and in Japan: the figures are 29 – 4.7 – 0.3. Smith considers moving to Japan or to the US; it is not a trivial decision. He analyzes as thoroughly as he possibly can all aspects of the issue, makes a decision and acts accordingly.

The third statement is also similar but easily quantified. If Mary does not bet, the probability that she wins any money is zero; she may bet by choosing 6 out of 60 numbers and paying US$1. Mary may place any number of bets; each non-repeated combination of six numbers increases her odds of winning by 1 in 50,063,860.

Cases (a), (b) and (c) above are ordered in what I consider an increasing scale of randomness and a decreasing scale of susceptibility to the agent’s free will.

The outcome of these “experiments” is uncertain for Jones, Smith and Mary as individuals, but their actions take into consideration the obvious fact that there is some regularity in the world, mixed with some “noise”. The “noise” comes from the impossibility of accounting for all variables that affect deterministic laws plus the irreducible randomness of some phenomena.

No matter what the outcomes for Jones, Smith and Mary are, the actuarial tables will still be reflecting a true feature of the world, as will the crime statistics and the laws of combinatorial analysis.

Let us further suppose, just for the sake of argument, that James, Brown and Julia (who for all involved aspects and actions are equivalent to Jones, Smith and Mary) obtain different outcomes from these “experiments”. Say Jones lives twenty more years and James only five; both Smith and Brown move to Japan and Smith is eventually killed there; Mary wins the Lottery and Julia does not. Given the fact that all relevant variables were the same, do we have to ask “Why James and not Jones? Why Smith and not Brown? Why Mary and not Julia?” I would say that there is not much sense in asking these questions, since they are similar to asking why the experiment of rolling a fair die results in a 4 instead of a 5.

Probabilistic rules seem to account for other layer of causation that shapes our view of reality and this is the proper domain for free will. Most human actions unfold within this level of reality, because most of the time we are evaluating probabilities, even if we do not do fully realize that we are doing so. Only at this layer a person can exercise that which, for all practical purposes, may be called “free will”, usually to increase the odds of achieving the best possible outcome according to his own judgment.

I am fully aware that all these examples can be “explained out” by determinism. However, what kind of explanation is that which can explain everything? By saying, “it happens because it had to happen”?

Finally, there are things that appear to be random. The prevailing interpretation of quantum mechanics suggests that there is some irreducible randomness at the foundations of the physical world. Doyle (“A Flaw in the Standard Argument Against Free Will?”. Web: http://gfp.typepad.com/the_garden_of_forking_pat/2009/06/a-flaw-in-the-standard-argument-against-free-will-1.html) suggests irreducible randomness manifests or has manifested itself in but a few points in the causal chain at the macroscopic level. I list only three of the points he mentions, because these appear to be almost indisputable

  1. at the original moment of the “Big Bang.”
  2. during genetic mutations, which eventually create new species, including “homo sapiens”.
  3. nine months before the birth of each us, when two sets of genetic information match to create a unique blueprint for a new human being.

I think that neither determinism nor indeterminism alone can provide an adequate explanation for what creates that “entity” we perceive as the real world. Maybe we could think about using a three-layered model:

  1. a deterministic layer of laws of physics, or natural laws;
  2. a probabilistic layer that human beings may change by using their free will;
  3. a truly random layer of causation that is the source of an infinite number of possible states of the world.

THE THREE-LAYERED REALITY

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The question of whether or not causal determinism (which I shall call simply determinism) is true may be unsolvable because of its inherent circularity. Let us suppose that a brilliant philosopher develops a very complex set of, say, 1000 symbolic propositions that prove the Universe is not deterministic. All those skilled in the trade look at the proof and agree: we now can say that the Universe is not deterministic with the same degree of confidence we say 1+1=2.

However, since the moment of the Big Bang it had been determined by natural law that as soon as any philosopher (or any other human being for that matter) achieved the proficiency required to make sense of that rigorous proof, the state of his brain would be such that he would be unable to detect a subtle flaw in one of the propositions, which made the conclusion untenable.

No philosopher would ever notice the error, because it would not be within the powers of his brain to see that there was an error in the first place. Of course, the debate between determinists and indeterminists would end, with a definitive victory of the latter.

Nonetheless, the Universe would still be, after all, deterministic! I know this story does not seem plausible (although I can recall a personal experience that is very similar), but one may say the same about causal determinism.

Does reality lead us to think determinism is true? No, it does not. On the contrary, in real life we often confront choice and decision, unpredictable events, incredible coincidences. In real life, all normal persons consider some actions unacceptable (undesirable / wrong) and other actions acceptable (desirable / right). Even the most primitive cultures reward some behaviors and punish others. Although the definitions of “good” and “bad” vary considerably for different people at different times, the concept of moral responsibility – and by implication, the idea that we have at least some degree of free will – seems to be universal. A modern philosopher expresses what is maybe a similar idea (van Inwagen, Peter. “The Mistery of Metaphysical Freedom” in Peter van Inwagen and Dean W.Zimmerman (eds.). Metaphysics: The Big Questions. Malden, MA: Blackwell. 1998. 365-74). On page 373 one reads: “And everyone really believes in metaphysical freedom, whether or not he would call it by that name. Dr. Johnson famously said, “Sir, we know our will is free, and there’s an end on’t.” Perhaps he was wrong, but he was saying something we all believe. Whether or not we are all, as the existentialists said, condemned to freedom, we are certainly all condemned to believe in freedom – and, in fact, condemned to believe that we know that we are free.”

For the sake of argument, assume that our world is in fact deterministic. Would it in any way invalidate the statements made in the previous paragraph? I am inclined to say that it would not. A determinist may add that natural law determines that human beings, individually and collectively, think and behave as if there existed such things as free will and moral responsibility.

However, it is then possible to say that determinism is of no consequence, and does not explain anything, since the only beings capable of formulating that concept (as far as we know) think and behave as if the concept was false

For the moment, let us just make this statement: “Human beings think and behave as if the world were not deterministic.”

There is no doubt that we see a lot of regularity and continuity in the world. Most of us would probably have a degree of confidence approaching certainty that the statements below are true or will turn out to be true:

  1. Coulomb’s Law is valid in Mars.
  2. One million years from now, Earth will still be turning around its axis.
  3. One thousand years from now salmons will be swimming and humming birds flying (provided, of course, the environmental impact of our species does not lead them to extinction).

The rationale for statements (a), (b) and (c) is the same: unchangeable laws of nature (which are deterministic) create part of what we perceive as reality. We expect that Coulomb’s Law will hold anywhere (case a); we expect gravitation to hold our solar system together for much longer than a mere 1,000,000 years (case b) and we expect that evolution keeps proceeding at its stately slow pace (case c). These laws are embedded in the structure of the present Universe and could not be otherwise. If they were otherwise we would not be here.

Other statements are of a different kind. There is some degree of confidence that they are or will turn out to be true, but not even close to certainty:

  1. Jones will be around for another ten years.
  2. Smith will not be killed by a criminal.
  3. Mary will win the Lottery next week.

The rationale for these statements is, in all cases, probabilistic. Jones believes he will be around for another ten years because that is what the actuarial tables tell him. He quit smoking many years ago, therefore he is more confident that this statement will become true (in this current state of the world) than he would be if he were still a smoker (another possible state of the world). Jones knows that if he eats more fruits and vegetables and exercises regularly, he can have even more confidence that statement (a) will become true.

The second statement is similar. In order to keep it general, let us say Smith is very worried about crime. He finds out the number of murders per 100,000 people in his home country, in the United States and in Japan: the figures are 29 – 4.7 – 0.3. Smith considers moving to Japan or to the US; it is not a trivial decision. He analyzes as thoroughly as he possibly can all aspects of the issue, makes a decision and acts accordingly.

The third statement is also similar but easily quantified. If Mary does not bet, the probability that she wins any money is zero; she may bet by choosing 6 out of 60 numbers and paying US$1. Mary may place any number of bets; each non-repeated combination of six numbers increases her odds of winning by 1 in 50,063,860.

Cases (a), (b) and (c) above are ordered in what I consider an increasing scale of randomness and a decreasing scale of susceptibility to the agent’s free will.

The outcome of these “experiments” is uncertain for Jones, Smith and Mary as individuals, but their actions take into consideration the obvious fact that there is some regularity in the world, mixed with some “noise”. The “noise” comes from the impossibility of accounting for all variables that affect deterministic laws plus the irreducible randomness of some phenomena.

No matter what the outcomes for Jones, Smith and Mary are, the actuarial tables will still be reflecting a true feature of the world, as will the crime statistics and the laws of combinatorial analysis.

Let us further suppose, just for the sake of argument, that James, Brown and Julia (who for all involved aspects and actions are equivalent to Jones, Smith and Mary) obtain different outcomes from these “experiments”. Say Jones lives twenty more years and James only five; both Smith and Brown move to Japan and Smith is eventually killed there; Mary wins the Lottery and Julia does not. Given the fact that all relevant variables were the same, do we have to ask “Why James and not Jones? Why Smith and not Brown? Why Mary and not Julia?” I would say that there is not much sense in asking these questions, since they are similar to asking why the experiment of rolling a fair die results in a 4 instead of a 5.

Probabilistic rules seem to account for other layer of causation that shapes our view of reality and this is the proper domain for free will. Most human actions unfold within this level of reality, because most of the time we are evaluating probabilities, even if we do not  fully realize that we are doing so. Only at this layer a person can exercise that which, for all practical purposes, may be called “free will”, usually to increase the odds of achieving the best possible outcome according to his own judgment.

I am fully aware that all these examples can be “explained out” by determinism. However, what kind of explanation is that which can explain everything? By saying, “it happens because it had to happen”?

Finally, there are things that appear to be random. The prevailing interpretation of quantum mechanics suggests that there is some irreducible randomness at the foundations of the physical world. Doyle (“A Flaw in the Standard Argument Against Free Will?”. Web: http://gfp.typepad.com/the_garden_of_forking_pat/2009/06/a-flaw-in-the-standard-argument-against-free-will-1.html) suggests irreducible randomness manifests or has manifested itself in but a few points in the causal chain at the macroscopic level. I list only three of the points he mentions, because these appear to be almost indisputable

  1. at the original moment of the “Big Bang.”
  2. during genetic mutations, which eventually create new species, including “homo sapiens”.
  3. nine months before the birth of each us, when two sets of genetic information match to create a unique blueprint for a new human being.

I think that neither determinism nor indeterminism alone can provide an adequate explanation for what creates that “entity” we perceive as the real world. Maybe we could think about using a three-layered model:

  1. a deterministic layer of laws of physics, or natural laws;
  2. a probabilistic layer that human beings may change by using their free will;
  3. a truly random layer of causation that is the source of an infinite number of possible states of the wor