CANDIDATOS E ELEITORES

Dentro de um mês elegeremos o presidente ou a presidente, governadores, senadores e deputados federais  e estaduais. Pouco menos de 143.000.000 de eleitores devem comparecer às urnas para escolher  seus representantes.

A propaganda eleitoral demonstra de forma cabal a inadequação de nosso sistema político. Para começo de conversa, são 32 partidos! É possível imaginar que existam 32 linhas de pensamento na política, tão distintas que exijam um partido exclusivo? É claro que não! O bom senso e a história parecem indicar que dois a cinco partidos são suficientes para abrigar todas as tendências. A consequência da proliferação descontrolada de partidos políticos é que a grande maioria consiste em legendas inexpressivas e de caráter personalista, sem uma proposta séria para governar o país

Estes 32 partidos, aliados nas mais esdrúxulas combinações, apresentam 12 candidatos a presidente, dos quais apenas dois ou três possuem chances reais de disputar o cargo. Os outros apenas marcam posição ou, o que é pior, se cacifam para negociar cargos e privilégios em troca do apoio a um dos concorrentes em eventual segundo. Bem ou mal, as ideias dos presidenciáveis são discutidas ao longo da campanha. Há debates entre os candidatos e se conhece em linhas gerais a proposta de cada um. O mesmo pode ser dito quanto aos candidatos ao Senado, no mais das vezes políticos muito conhecidos.

O grande enigma que o eleitor enfrenta é com relação aqueles que pleiteiam os cargos proporcionais:   7140 candidatos a deputado federal e 16994 candidatos a deputado estadual. O que pensam estas pessoas? Porque estão se candidatando? Qual a proposta partidária da  legenda pela qual se apresentam?

Nem mesmo o mais consciente dos eleitores teria tempo e paciência para ler os programas dos 32 partidos e basear sua decisão de voto em tal ou qual candidato nesta informação. E se o fizer, não há qualquer garantia de que as ideias que o partido diz defender sejam apoiadas pelo candidato em quem votou. Este poderá trocar de partido no dia seguinte ao da posse, bandeando-se para outra agremiação cujo programa é completamente diferente do programa do partido pela qual foi eleito!

Se os programas partidários pouco adiantam para que o eleitor saiba o que os futuros legisladores pensam, a propaganda gratuita também nada esclarece. O que se vê é uma ridícula sucessão de imagens onde desconhecidos pronunciam frases desconexas ou banalidades como: “Sou a favor da educação e da saúde!” (alguém é contra?) Assim, os votos para deputados federais e estaduais é muito mais baseado em fatores pessoais do que em ideias e propostas. Pessoas conhecidas (por exemplo: Tiririca,  Clodovil, Romário, etc.) ou pertencentes a uma “dinastia” política (por exemplo: os Andrada em Mina Gerais, os Sarney no Maranhão, etc.) costumam eleger-se sem grande dificuldade; em outros casos o voto representa um interesse difuso, em geral  religioso, profissional  ou de classe social ( empresários, ruralistas, etc.).

O sistema eleitoral cria uma classe política distante do eleitorado, a quem não dá maiores satisfações por seu desempenho e por seu comportamento ético. Os eleitores, por sua vez, consideram que sua participação se limita ao momento do voto. Quem se lembra do deputado federal em quem votou na última eleição? E no estadual? Se eleitos, o que eles fizeram nestes últimos quatro anos? Que projetos apresentaram? Honraram o mandato recebido, ou tiveram seu nome ligado a algum dos inúmeros escândalos e negociatas que a imprensa noticiou amplamente? Antes de votar em algum candidato à reeleição, vale a  pena consultar a Transparência Brasil.

Dizem que cada povo tem o governo que merece e fico  pensando se isto não é mesmo verdade. Em  alguns estados, uma parcela significativa dos eleitores vota em candidatos comprovadamente desonestos, julgados e condenados em juízo. Estes eleitores pecam por ação. Mas a imensa maioria, na verdade quase todos nós, pecamos por omissão.

 

Publicado por

joaoazevedojunior

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