Recordações de Belo Horizonte 1964-1970 (2)

Em 1964 entrei no segundo ano do curso primário no Grupo Escolar Pandiá Calógeras, que ficava a uns 500 metros de casa. Minha professora chamava-se D. Olga Bookmayer; era ainda bastante jovem e morava com a família no mesmo prédio onde morávamos. Tinha muita paciência com a criançada e de vez en quando eu batia em sua porta para perguntar sobre alguma coisa que não havia entendido; ela sempre atendia com boa vontade, apesar disto não fazer parte de suas obrigações.

Fiz também o terceiro e o quarto anos do primário no Pandiá Calógeras. No terceiro ano a professora se chamava D. Nelize; era uma senhora já de certa idade, muito respeitada por todos e considerada como uma das melhores professoras da escola, como de fato era.  No quarto ano tive também uma excelente professora, cujo nome completo nunca me saiu da memória justamente por ser tão pouco comum: Denderah Haydée dos Santos. D. Denderah  teria então seus 30 e poucos anos e, ao que me lembre, era solteira – assim como D. Nelize.

Já que estou lembrando de minhas professoras no curso primário, não posso deixar de mencionar a saudosa D. Natal, do primeiro ano, no Grupo Escolar Monsenhor José Paulino, em Pouso Alegre. Já adulto e formado havia tempos como engenheiro, tive a oportunidade de visitá-la. Bastante idosa, porém completamente lúcida, ficou muito alegre com minha visita – tinha notícias minhas através de mamãe, porém não havia me encontrado pessoalmente desde meus tempos de menino – e não tive dúvidas de que D. Natal realmente se sentia feliz quando via um ex-aluno bem e tinha consciência da importância do trabalho que realizara com excelência por tanta décadas.

Voltando ao fio da meada, recordo que sempre tive aulas de manhã. Acordava cedo e quase sempre ia para a escola a pé. Aquele trecho da Olegário Maciel era praticamente desabitado; do lado direito para quem subia havia um ou outro prédio residencial, de três ou quatro andares, e do lado esquerdo, entre a Faculdade de Farmácia e o Grupo Escolar eram só terrenos baldios.

O ensino no Pandiá era muito bom e quem não tirasse a nota mínima requerida levava bomba. Não sei se ainda se usa esta expressão, portanto esclareço: isto não quer dizer que o aluno fosse explodido; ele simplesmente tinha que repetir o ano. Não havia ainda a obrigação de preservar a auto-estima da criança e do adolescente,  de modo que desde pequeno aprendia-se que sem esforço não se chega a nenhum resultado. Em compensação, não se saía da escola semi-analfabeto…

O ano de 1964 foi marcante para a história do Brasil. E tudo começou em Belo Horizonte…

continua…

Publicado por

joaoazevedojunior

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