Recordações de Belo Horizonte 1964-1970 (1)

Meu pai era bancário, contador da agência do Banco Mineiro da Produção em Pouso Alegre,  naquela época uma sonolenta cidadezinha do sul de Minas. Creio que no final de 1963 ele foi transferido para a matriz do banco, e por isto em fevereiro de 1964 mudamos para Belo Horizonte. 

A população de Belo Horizonte saltou de 700.000 habitantes em 1960 para 1200000 em 1970, de modo que no início de 1964 deveria estar em torno de 850000 pessoas. Uma cidade gigantesca para mim,  um autêntico “caipira” que nunca havia se afastado mais do que 50 km de Pouso Alegre.

E eu achava tudo o que via novo e surpreendente. Que prédios altos,  com tantos andares! E com elevador, que me parecia a maravilha das maravilhas! Encantavam-me as ruas largas e arborizadas,  pelas quais circulavam tantos ônibus e trólebus, o tráfego fluindo conforme o apagar e acender das luzes coloridas dos semáforos. Era uma experiência nova fazer compras na Mercearia Bandeirantes, onde a gente mesmo pegava as mercadorias nas prateleiras e depois pagava no caixa – tão diferente do armazém do “seu” Sílvio em Pouso Alegre.

Adorei a mudança e em poucas semanas estava adaptado à cidade grande e começava a perder o sotaque; depois de alguns meses,  já não provocava mais estranheza nem comentários e piadinhas quando falava a palavra “porta”.

Ficamos em Belo Horizonte por quase sete anos – mais exatamente seis anos, dez meses e vinte e um dias.  Nesses anos, cursei o segunda, terceira e quarta séries  do curso primário e os quatro anos do ginásio, sempre em escolas públicas. Nelas o ensino era EXCELENTE  e totalmente gratuito.

O apartamento onde morávamos era no terceiro e penúltimo andar de um  edifício que ficava na esquina da Rua Santa Catarina com a Rua Felipe dos Santos. Seguindo um quarteirão pela Rua Santa Catarina chegava-se à Avenida do Contorno; subindo um quarteirão pela Rua Felipe dos Santos alcançava-se a Avenida Olegário Maciel.

Além do nosso, havia mais uma meia dúzia de prédios, todos com no máximo quatro andares. As demais  construções eram casas, das quais umas poucas seriam mais apropriadamente chamadas de mansões. Lembro-me especificamente de uma casa, situada na Rua Santa Catarina, que ficava no meio de um bem cuidado jardim; pertencia a um médico famoso e lembrava uma mansão inglesa como as que se vê no cinema.

Eu já havia feito o primeiro ano primário em Pouso Alegre, e fui matriculado no segundo ano do então Grupo Escolar Pandiá Calógeras.

continua…

Publicado por

joaoazevedojunior

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