O Rottweiler – um cão perigoso?

Sou, há muitos anos, admirador desta raça de cães, tanto pelo seu porte vigoroso e altaneiro, como pelo seu temperamento calmo e amigo. Possuo um casal de rottweilers, tendo adquirido o macho (Rico) em Out/2005 e a fêmea (Zecke) em Dez/2007, ambos no Canil Von Olivio de Sorocaba.

Zecke Poncius Von Olivio e Rico Chan Von Olivio

Há muitas histórias sobre o rottweiler, que o descrevem como um animal traiçoeiro e agressivo, dado a atacar até o  próprio dono sem qualquer aviso.

No entanto, tais histórias, que de vez em quando surgem na imprensa, raramente qualificam com algum grau de detalhe as circunstâncias em que se deu o ataque. Assim, vale a pena fazer algumas considerações:

  1. O rottweiler é um cão muito cioso de seu território.
    Se um estranho adentrar a área que o rottweiler considera sua, é praticamente certo que será atacado. E é extremamente difícil defender-se do ataque de um destes cães pois, provável descendente de uma raça de cães pastores utilizados pelas legiões romanas, este animal tem uma habilidade instintiva para evitar pauladas e tiros, assim como seus antepassados evitavam os coices das reses que guardavam.
  2. O comportamento  do cão reflete o tratamento que recebe.
    Um cão negligenciado ou maltratado pelo dono desenvolverá uma agressividade anormal contra o ser humano. Isto é verdade tanto para um pequinês como para um rottweiler, porém o primeiro dificilmente fará uma vítima fatal. Todo e qualquer cão precisa de contato frequente e  amistoso com seu dono, que muitas vezes não é o propietário. Para o cão, dono é  a pessoa que ele considera como “chefe da matilha”, a quem respeita e obedece naturalmente.
  3. Genética e temperamento são fatores a considerar.
    Assim como acontece conosco, o comportamento é influenciado por  uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, sendo quase impossível na maioria dos casos afirmar qual o
    fator determinante de um ato específico. Mas é fora de dúvida que há indivíduos mais nervosos e agressivos do que a média da população, tanto em nossa espécie como entre os rottweilers. Se um criador favorece a procriação dos exemplares que demonstram maior agressividade o resultado é óbvio. Portanto, é importante procurar um criador que selecione seus animais pela conformidade ao padrão da raça e não pela ferocidade. Uma dica: um cão que avança em uma pessoa  durante uma exposição é imediatamente desclassificado; logo, um canil com matrizes e padreadores altamente premiados tende a oferecer animais com temperamento mais calmo.
  4. O rottweiler precisa de espaço.
    Os rottweilers são cheios de energia e precisam de espaço para correr, saltar e brincar; nada os diverte mais do que uma bola de tênis ou um  pneu de borracha maciça. Confinado em um espaço insuficiente, o rottweiler se torna agressivo e pode ocorrer um ataque imprevisto. Tive ocasião de testemunhar o caso de um rottweiler que era utilizado como guarda de uma loja e ficava literalmente enjaulado durante 14 horas por  dia em um espaço de 1m x 2m, sendo solto somente à noite para vigiar o local.  Este cão se tornara uma fera quase incontrolável e representava uma ameaça para o  proprietário da loja e seus clientes e empregados, pois caso escapasse atacaria quem encontrasse pela frente. 

Em conclusão, um rottweiler de boa procedência, tratado de maneira adequada – o que significa atenção e carinho, boa alimentação e espaço suficiente – será um amigo fiel e a possibilidade de um ataque não provocado será diminuta.