SOBRE O LIVRO “JESUS HISTÓRICO E OUTROS ENSAIOS”

Esta é uma apresentação sobre o livro “Jesus Histórico e Outros Ensaios”, na qual menciono as versões disponíveis e comento cada um dos cinco ensaios apresentados no livro.

https://1drv.ms/p/s!AkSwEbk18YAdgpIMFLGn_1V_Zpd50A

 

 

 

 


 

Todos Contra Todos

Esta semana terminei a leitura de “Todos Contra Todos: o ódio nosso de cada dia”, livro recentemente lançado pelo historiador e professor da Universidade de Campinas, Leandro Karnal. A seguir os pontos que me pareceram mais relevantes.

Ao longo de nove capítulos o autor procura desmontar o mito do “homem  cordial”, passado de geração a geração como parte da história oficial do Brasil, analisar a questão do ódio que sempre permeou a relação entre os homens, e questionar os efeitos e os perigos da intensa polarização que se pode observar na política brasileira atualmente.

Já no primeiro paragrafo do livro, Karnal coloca em xeque a visão da história que nos é ensinada desde os bancos escolares.  Escreve ele: ”O quadro pintado é idílico. Somos uma terra sem terremotos e furacões. Sem guerras civis nem fundamentalismos extremados que levam a genocídios. Somos pacíficos. Não violentos. Não somos agressivos. Não odiamos. Não somos preconceituosos. Não somos racistas. Esse quadro não resiste ao teste da história.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 160-162). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Enquanto a libertação dos escravos nos Estados Unidos provocou uma guerra civil que, de acordo com as melhores estimativas, custou a vida de 1.030.000 pessoas (3% da população daquele país na época), por aqui bastou a assinatura de uma lei pela princesa Izabel. Segundo a história oficial nunca houve guerra civil nestas terras, ignorando as inúmeras revoltas e convulsões internas que ocorreram durante o Império e a República. Para lembrar algumas destas lutas internas: Cabanada (1835-1840, Pará), Sabinada (1837-1838, Bahia), Balaiada (1838-1841, Maranhão), Revolução Farroupilha (1835-1845, Rio Grande do Sul), a revolta de Canudos(1896-1897, Bahia), a revolta do Contestado (1912-1916, Paraná / Santa Catarina), a Revolução de 32, etc. Ou seja, temos uma história pontuada por lutas internas.

A ideia do brasileiro como “homem cordial” foi difundida   e incorporou-se ao imaginário popular com um sentido bem diferente daquele que Sergio Buarque de Hollanda lhe emprestava em “Raízes do Brasil”. Aquele autor queria dizer que o homem cordial age guiado pelas emoções, que tanto podem ser positivas como negativas.

Após discutir  o mito da não violência, Karnal propõe uma interessante discussão sobre a tendência de diminuirmos e piorarmos os fatos históricos, tomando como exemplo a ideia recorrente de que fomos colonizados por degredados e gente da pior espécie, que Portugal enviava para o Brasil. Na realidade, vieram para o Brasil pessoas de todas a classes sociais,  inclusive bacharéis, professores e intelectuais.

De forma semelhante, Karnal questiona o mito de  que não somos racistas, mostrando que o racismo no Brasil existe e  assume a forma insidiosa de uma prática social que faz com que suas vítimas se sintam elas mesmas inferiores e, portanto, aceitem as praticas racistas como naturais, ou seja, “conheçam o seu lugar”.

Concluindo que somos, ao contrário da imagem que fazemos de nós mesmos, um povo  violento, racista, preconceituoso e que sente ódio. Karnal faz uma longa análise sobre a questão do sentimento de ódio, suas bases psicológicas e seu uso político. A questão do preconceito contra mulheres, negros, homossexuais é apresentada. Diz o autor:” Mas não posso dizer que negros são inferiores, porque, além de obviamente ser falso e de ser uma idiotice, essa é uma maneira de incitar o ódio. [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 612-613). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

E continua adiante: “Não tenho direito ao preconceito. Isso não só tem que ser reprimido como criminalizado para que as pessoas entendam que racismo, misoginia, homofobia ou demofobia (desconfiança do povo), todos constituem gestos de ódio. Esse gesto de ódio institui a violência real.”[Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 619-621). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Neste ponto tem-se a impressão de que Karnal gostaria que qualquer manifestação de preconceito fosse proibida, ou criminalizada. A questão que se coloca é como definir exatamente o que é preconceito, quando ele se transforma em discurso de ódio e até que ponto deve a liberdade de expressão ser restringida para combater o preconceito e seus derivados. Um destes subprodutos do preconceito é o  chamado  discurso do ódio (em inglês, “hate speech”). O discurso do ódio, é aquele que visa a disseminar e promover o ódio em  função  da  raça,  religião,  etnia, nacionalidade, gênero, orientação  sexual,  etc.

A Constituição de 1988 não menciona os crimes de ódio e requer apenas a criminalização da prática do racismo. Não há qualquer restrição à expressão do discurso do ódio que possa ser imposta com base na Constituição; casos concretos devem ser levados à justiça. E de certa forma é bom que assim seja, pois quando se inicia um processo de restringir a  liberdade de expressão não se sabe onde ele vai parar.

Darei três exemplos para que o leitor analise o que deveria ser feito em cada caso.

1)      O livro “The Bell Curve”, de autoria de Richard Herrnstein e Charles Murray, dois professores da renomada Universidade de Harvard, publicado em 1994, traz os resultados de um amplo estudo que, segundo os autores, comprova que os negros tem o quociente de inteligência menor  que o dos brancos. (Para verificar porque todas as conclusões apresentadas neste livro são falsas, veja este documento e as referências nele citadas. Para uma discussão mais ampla sobre o mau uso da ciência a favor do racismo e do preconceito,  leia “The Mismeasure of Man” de Stephen Jay Gould.)

2)      A assembleia anual de uma denominação cristã fundamentalista divulga a seus 2.000.000 de membros um documento que condena severamente o homossexualismo, afirmando com base em Ro 1:25-32  que: (a) a prática de atos homossexuais representa uma condenação certa ao inferno; (b)  o que se pode esperar dos que praticam tais atos é “injustiça, malícia, cobiça, maldade, inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade”, e; (c) essas pessoas são “murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pais; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia.”

3)      Uma comunidade de índios do grupo étnico conhecido como hopi deixa o Arizona e adquire uma área no Pará. Constatando que os habitantes recém chegados vivem sob um regime matriarcal, um jornal de Belém decide fazer uma campanha incitando os homens deste grupo a “tomarem uma atitude de macho” e acabarem com o domínio das  mulheres.

 

Há uma ampla discussão sobre amor, ódio,  inveja, cristianismo, xenofobia, etc. É de notar-se a afirmação de Karnal  a respeito das utopias: “Sejam quais forem os projetos utópicos de melhoria da sociedade, essa sociedade provoca uma impressionante quantidade de mortes.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1007). Leya Brasil. Edição do Kindle.] De fato, quando um líder começa a falar sobre “a construção do homem novo”, “nova sociedade”, “revolução cultural” e que tais, o que vem a seguir é com certeza o totalitarismo e derramamento de sangue em quantidades espantosas. Foi assim na Russia de Stalin, na Alemanha de Hitler e na China de Mao; será assim em qualquer país que tente mudar a natureza humana pela força.

Chegamos assim à conclusão do livro, onde Karnal analisa a influência das redes sociais, a atual polarização da discussão política e explica os fenômenos que diferenciam  a consciência política e a vontade de participação manifestada pelos eleitores atualmente em relação ao passado.

Algumas citações do autor: “Desde a última eleição presidencial, em 2014, passando pelo processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff até as crises do governo Michel Temer, somos invadidos, via internet, por textos duros, ataques de lado a lado, análises corrosivas, escárnio e agressão verbal. O Brasil descobriu-se raivoso na política, exibindo uma inquietante carga de ódio que fluiu pela rede.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1244-1247). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Qualquer pessoa que acompanha os posts sobre política percebe isso. O ódio escorre pelas telas do Facebook; não há mais adversários políticos, apenas inimigos em um confronto cósmico entre o Bem e o Mal. Cada um dos lados se considera a encarnação de tudo o que é bom, limpo, decente, democrático, enquanto o outro lado é demonizado. Os comentários não raro se desviam para a grosseria pura e simples. Como exemplo, dois comentários colhidos ao acaso sobre pronunciamentos da senadora Gleise Hoffmann:

“Essa mulher precisa um pau no rabo acho bonito ela fala classe rica ela é uma pobre coitada rouba os aposentados é vem querer senta no rabo pra falar dos outros vai a merda piranha”

“Cala a boca sua vaca quem quebrou o brasil ,aposentados,escolas,hospitais foram voces os politicos e o partido do PT.NOJENTA EGUA CALA A BOCA VA LAVAR ESSA BOCA IMUNDA”

Conforme bem assinala Karnal, retornamos ao clima que antecedeu a intervenção militar de 1964: ”A partir daquele momento, houve uma regra ressuscitada na Era Dilma: “Não apenas me oponho a você, mas você é o obstáculo para o progresso brasileiro.” Ou: “O Brasil seria um bom lugar se você não existisse.” Daí cresce o ódio diante das mazelas políticas, porque interpreto que tudo de ruim que ocorre no Brasil nasce do outro.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1266-1269). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Um momento delicado, mas o que se vê no debate político, tanto no Congresso como nos partidos, tanto nas organizações patronais como nos sindicatos, nas universidades e na sociedade como um todo é uma troca de acusações mútuas e ofensas. O debate tornou-se completamente polarizado. E Karnal aponta com muita propriedade: “O problema da polarização é que ela não pensa. A polarização adjetiva. No momento que eu digo que você é petralha ou coxinha, deixo de pensá-lo como um ser humano dialético, contraditório, orgânico, em evolução, e paro de discutir as suas ideias e apenas o rotulo.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1288-1290). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Por outro lado, os acontecimentos dos últimos anos demonstraram de forma cabal a verdadeira natureza da política. Aqui, como em qualquer outro lugar do mundo, o exercício da política não tem como determinante exclusivo ou mesmo principal a busca do bem comum. Passado o discurso eleitoral, política é o controle do estado para o benefício de determinados grupos. Mas no Brasil este processo atingiu um grau de exacerbação e imeddiatismo que leva o autor a afirmar: “Mas a corrupção é institucional e endêmica. Portanto, não seria a solução a queda de uma pessoa para resolver o problema da corrupção.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1275-1276). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Então há hoje uma percepção clara por parte da sociedade de que é preciso tornar o estado mais eficiente e mais voltado para o bem comum. Segundo Karnal: “Então, em parte, todo esse debate é sobre uma tentativa de criar o que não existe: que é a política coletiva, do bem comum, administradora da maioria, um projeto de Estado, e não um projeto de governo. Esse é um desejo coletivo neste momento.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1318-1320). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Concordo totalmente com esta colocação e espero que tenhamos como iniciar o processo em 2018. Não fazer isto é caminhar para o desastre…

O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH) E A IDEOLOGIA

Recentemente mencionei em um post do Facebook que ainda  tinha  a esperança de  que algum dia o Brasil se tornasse um país de Primeiro Mundo, especificando entre parênteses que isto seria atingir um IDH similar ao dos Estados Unidos da América.

Esta minha colocação foi criticada por  um amigo esquerdista, que afirmou:

Parte superior do formulário

Com o devido respeito, estes referenciais de “primeiro mundo” não servem para mim. O Brasil não deve ser melhor nem pior do que o país A, B ou C. O Brasil deve ser Brasil. E é justamente por isso que não haverá eleições ano que vem – pois a corrente ideológica, a qual coaduno, que quer o Brasil como Brasil corre o sério “risco” de ganhar as eleições. Golpistas deram o golpe por que querem o Brasil como latrina e os brasileiros como limpadores de privada. Aliás, sempre foi assim, antes de 2002.

Chega a ser impressionante como pessoas com elevado grau de escolaridade  e extremamente cultas tem a capacidade de raciocinar de maneira lógica seriamente prejudicada quando a ideologia se infiltra na discussão

Reconheço que os referenciais Primeiro / Segundo / Terceiro Mundos estão obsoletos, pois o Segundo Mundo, formado pelos países socialistas, desapareceu após a falência da URSS. Parece-me que hoje restam no mundo dois paraísos socialistas: a Coréia do Norte com seu patético culto a uma dinastia de tiranetes ridículos e o esclerosado regime cubano, que sobrevive graça às remessas dos milhares de exilados nos Estados Unidos e às atitudes habituais das ditaduras: partido único, censura à imprensa e prisão de dissidentes, A China é um caso especial: uma ditadura nominalmente comunista, com uma economia de mercado em amplas áreas do país.

Assim, nos dias atuais parece mais adequado agrupar os países de acordo com o Índice do Desenvolvimento Humano (IDH), um índice que a ONU calcula para 188 países. Utilizando a descrição da própria ONU (veja o site), numa tradução quase literal:

O Índice de Desenvolvimento Humano foi criado para enfatizar que pessoas e suas capacidades devem ser o critério último para avaliar o desenvolvimento de um país, não apenas o crescimento econômico. O IDH pode ser também usado para questionar a escolha de políticas nacionais, ao mostrar como dois países com o mesmo nível de renda per capita podem ter níveis de desenvolvimento humano diferentes. Estes contrastes podem estimular o debate sobre as prioridades das políticas governamentais,

O IDH é um indicador resumido do nível atingido em dimensões chave do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente. A dimensão de saúde é avaliada pela expectativa de vida ao nascer; a dimensão relativa à educação é medida usando a média de anos de escolaridade para adultos com 25 anos ou mais e o número de anos de escolaridade esperados para crianças que estão entrando na escola.  A dimensão relativa ao padrão de vida é medida pela renda nacional bruta per capita; o IDH usa o logaritmo da renda, para refletir a diminuição da importância deste fator à medida que a renda nacional aumenta. Os escores destes três índices são agregados em um índice composto usando a média geométrica.

 A tabela abaixo mostra a evolução do IDH para alguns países: USA, Chile. Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai desde 1990, quando o índice começou a ser apurado (entre colchetes a posição no ranking em 2015).

USA [10] CHI [38] ARG [45] URU [54] BRA[79] PAR [110]
1990 0,860 0,700 0,705 0,692 0,611 0,580
2000 0,884 0,761 0,771 0,742 0,685 0,624
2010 0,910 0,820 0,816 0,780 0,724 0,675
2011 0,913 0,826 0,822 0,784 0,730 0,679
2012 0,915 0,831 0,823 0,788 0,737 0,679
2013 0,916 0,841 0,825 0,791 0,747 0,688
2014 0,918 0,845 0,826 0,794 0,754 0,692
2015 0,920 0,847 0,827 0,795 0,754 0,693

Uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente! Acredito que a quase totalidade dos brasileiros (e dos seres humanos em geral) gostaria que estas condições fizessem parte de sua história de vida.  Neste sentido acho que o Brasil deveria ser governado com o objetivo de ser cada vez melhor, o que se traduz por um IDH crescente, tendendo a aproximar-se do americano.

Há alguns anos a ONU passou a calcular  o IDH ponderado pela desigualdade (hoje há dados para 155 países) e neste ponto é interessante verificar o que ocorre. Vejamos os índices de 2015 para USA. Venezuela e Brasil.

IDH RANK IDH-AD RANK EVAN EE EA RPC
USA 0,920 10 0,796 20 79,2 16,5 13,2 53245
VEN 0,767 71 0,618 82 74,4 14,3 9,4 15129
BRA 0,754 79 0,561 98 74,7 15,2 7,8 14145

Começando pelo Brasil, temos um IDH de 0,754 e ocupamos a 79ª posição no ranking; quando se faz o ajuste pela desigualdade, o IDH-AD é 0,561 e caímos 19 posições, para o 98º lugar. Isto é um reflexo de nossa má distribuição de renda.

Os Estados  Unidos tem um IDH de 0,920 e ocupam o 10º lugar no ranking; quando ajustado pela desigualdade o IDH-AD é 0,796 e o país cai 10 posições, para o 20º lugar no ranking.

A Venezuela tem o IDH de 0,767 e ocupa o 71º lugar no ranking; quando ajustado pela desigualdade o IDH-AD é de 0,618, caindo 11 posições no ranking, para o 82º  lugar.

Portanto, numa primeira aproximação os Estados Unidos e a Venezuela tem aproximadamente o mesmo índice de desigualdade Mas o que é melhor: ser desigual com uma renda per capita de 53000 dólares ou igualmente desigual com uma renda per capita de 15000 dólares?

A mórbida fascinação da esquerda brasileira com o camarada Maduro e a sinistra ditadura que ele tenta implantar na Venezuela mostram claramente quem deseja “o Brasil como latrina e os brasileiros como limpadores de privada” Aliás, sempre foi assim, depois de 2002.

UM MOTIVO PARA ALEGRIA: HÁ UMA AGENDA MÍNIMA

Em 24/06/2017 postei no Facebook um texto com um “emoticom” sorridente, afirmando que estava me sentindo muito feliz e fornecendo logo abaixo uma estranha explicação do motivo de minha alegria:

“Porque hoje no programa “Conversa com Bial” aquele historiador conhecido, Leandro Karnal, meio que confirmou duas ideias que eu já havia articulado nos meus posts e que destaco abaixo em maiúsculas. Escrevi: Então, onde está o verdadeiro problema? Por que a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos parece um objetivo inalcançável para o Brasil? A resposta que me parece mais verdadeira é que no Brasil o ESTADO NUNCA REPRESENTOU DE FATO OS INTERESSES DO POVO BRASILEIRO. A representação desses interesses foi sempre parcial e incompleta, seja nos períodos de ditadura, seja nos períodos de maior liberdade democrática.
AO INVÉS DE ESTAR A SERVIÇO DO POVO, empenhado na busca do bem comum, O ESTADO NO BRASIL É, em medida variável ao longo do tempo, UM ENTE QUE SE SERVE DO POVO para perpetuar privilégios, propiciar o enriquecimento ilícito de pessoas desonestas e utilizar o dinheiro público em benefício de interesses particulares.”

Primeiro com o “mensalão”, depois com o escândalo da Petrobrás, agora com o “affair” Temer / JBS, somos bombardeados diariamente com notícias sobre a corrupção desenfreada que se instalou no governo. Sem dúvida isto é motivo de justa indignação para a maioria dos cidadãos brasileiros, gente honesta e trabalhadora, que vê boa parte dos impostos que paga roubados ou simplesmente desperdiçados por um Estado incompetente e corrupto. Mas a corrupção vem sendo tratada de acordo com a lei, desde que se iniciou a histórica operação Lava Jato. Podemos discutir se as punições são muito brandas, se criminosos confessos estão hoje cumprindo prisão domiciliar em mansões hollywoodianas construídas com dinheiro roubado dos cofres públicos, etc. Não sabemos se a Lava Jato sinaliza, de fato, uma nova maneira de fazer política no Brasil, ou se será apenas um caso singular, sem maior impacto sobre o comportamento criminoso de grande parte dos ocupantes de cargos eletivos em nosso país. Mas seja como for, o fato é que NUNCA ANTES na história desta república vimos indivíduos realmente poderosos, tais como deputados, senadores e governadores, atrás das grades, condenados por crimes de corrupção. Até pouco tempo atrás, os donos do poder sentiam-se absolutamente inatingíveis, acima das leis e certos da mais completa impunidade. Hoje um ex-Presidente da República está prestes a ser condenado a 22 anos de prisão! Penso que atualmente os corruptos tem algum receio de, se descobertos, serem punidos – uma absoluta novidade no país.

Creio que a indignação não conduz necessariamente ao ódio. Leva sim ao desejo de justiça, à expectativa de que os culpados sejam processados e punidos de acordo com a lei; eventualmente podemos pleitear leis mais rigorosas, fiscalização mais eficiente da destinação dos recursos públicos e outras medidas que se façam necessárias para combater a corrupção e o desperdício. Tudo isto faz parte do jogo democrático.

Entretanto, nos últimos meses o clima de ódio entre os brasileiros tem aumentado de forma preocupante. Isto fica claramente evidenciado quando se observa a virulência dos comentários postados nas redes sociais, sejam de pessoas comuns, sejam de jornalistas profissionais. A esquerda insufla o ódio ao pregar a divisão do povo brasileiro entre “nós” e “eles”, ao promover manifestações dos “movimentos sociais” que terminam em baderna e vandalismo, ao afirmar que conta com o “exército de Stedile”. Também aumenta a possibilidade do desastre quando uma das sacerdotisas do lulopetismo afirma seu ódio pela classe média, ou quando a deputada petista e evangélica Benedita da Silva derrapa em Hb 9:22 e atropela a um só tempo a lei de Deus e a lei dos homens, conclamando seus partidários à “redenção” através do derramamento de sangue.

A direita não está de forma alguma isenta de culpa. Ela insufla o ódio quando clama abertamente por uma intervenção militar para resolver os problemas na área política, quando promove a execração pública de acusados de algum ilícito antes que os mesmos sejam indiciados, processados, julgados e condenados pela Justiça, quando não condena casos nos quais houve claramente uso excessivo e desnecessário da força por agentes de segurança do Estado.

Tanto a intervenção militar pelo qual clamam alguns direitistas como a “redenção” através do derramamento de sangue, que passa pela cabeça de alguns esquerdistas, terão consequências gravíssimas, que podem incluir vários dos eventos a seguir: fechamento do Congresso, supressão das liberdades e garantias democráticas, manifestações populares terminando em confronto e violência, censura à imprensa, prisão em massa de opositores, tribunais de exceção, execução sumária de opositores, surgimento de milícias armadas e grupos guerrilheiros, imensos prejuízos para a economia, repudio internacional ao Brasil, etc. Enfim, uma lista das desgraças que se abateriam sobre o país numa situação de confronto armado entre a direita e a esquerda é quase interminável.

Pois bem, se admitirmos que o confronto violento não é uma opção, só nos resta o diálogo e o entendimento entre adversários. E quando se tem um adversário e não um inimigo, acaba o jogo de soma zero e é possível o acordo. E o que me deixou alegre e mais otimista com o futuro do Brasil foi constatar que HÁ uma base mínima que pode servir como começo para o entendimento.

Karnal é um historiador de reconhecida competência, um intelectual famoso e um homem de esquerda; eu sou apenas um cidadão comum (para não dizer um “joão-ninguém”) que politicamente se coloca como de direita. No entanto parece que há uma grande similaridade na ideia de que é necessário repensar o Estado para que este represente a nação e sirva ao povo. Quero acreditar que muitas pessoas dignas e honestas, tanto de esquerda como de direita, estejam pensando desta forma e que uma grande renovação do Congresso em 2018 permita que se comece a necessária reconstrução do Estado brasileiro, preservando a democracia e o estado de direito.

O PENSAMENTO DA ESQUERDA

Li recentemente mais uma das obras do eminente teólogo Dr. Augustus Nicodemus Lopes, intitulada “O QUE ESTÃO FAZENDO COM A IGREJA: Ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro” (Editora Mundo Cristão, São Paulo.2008; edição eletrônica: 2013, disponível em www.amazon.com.br). Neste livro o Dr. Augustus Nicodemus, como é mais conhecido, faz uma crítica poderosa ao liberalismo teológico, que tenta conciliar o racionalismo moderno com a teologia ortodoxa das igrejas reformadas.

Em determinado ponto do livro, o autor cita a escritora americana Ann Coulter e seu livro “Godless: The Church of Liberalism” [“Sem Deus: A igreja do liberalismo”].

Ann Coulter é uma republicana conservadora, “advogada, jornalista, colunista de vários periódicos americanos e escritora de sucesso” e “uma crítica mordaz, ferrenha e destemida dos democratas liberais-esquerdistas americanos”.

Estes democratas liberais-esquerdistas dos Estados Unidos constituem o que no Brasil podemos denominar genericamente de esquerda. Ao ler o que Ann Coulter fala sobre o pensamento dos democratas liberais-esquerdistas americanos, vemos que nossa esquerda tem as mesmas ideias e ficamos impressionados com a extensão e profundidade com que a ideologia esquerdista se entranhou no Estado brasileiro.

Vivemos em um país no qual a estrutura do Estado foi completamente dominada pela ideologia da esquerda.

Os itens numerados de 1 a 4 representam as características identificadas por Ann Coulter como típicas da esquerda americana e que estou certo o leitor identificará como presentes na esquerda brasileira também. Em cada um dos itens coloquei comentários que são pertinentes à realidade de nosso pais.

  1. Os esquerdistas são contra a punição de malfeitores, estupradores, assassinos, assaltantes a mão armada e terroristas. Defendem a possibilidade de reabilitação dos piores criminosos mediante a melhoria de sua autoestima, em programas de reabilitação administrados pelo estado e sessões com psicólogos profissionais. Opõem-se à prisão perpétua, à pena de morte e à construção de mais prisões e detenções. São a favor de indultos, de diminuição de pena, para que bandidos perigosos sejam devolvidos à sociedade, pretensamente se reintegrando e se tornando bons cidadãos. Esse poderia ser um dos mandamentos da religião do esquerdismo; “Não punirás o malfeitor.”

    Isto explica, entre outras coisas:
    a) porque a Constituição Federal tem entre suas cláusulas pétreas a proibição da pena de morte e da prisão perpétua;
    b) porque 60000 brasileiros são assassinados todos os anos;
    c) porque uma parricida e matricida fica apenas 12 anos na cadeia;
    d) porque bandidos assassinam policiais sem receio de qualquer represália;
    e) porque o crime organizado controla amplas áreas da cidade do Rio de Janeiro;
    f) porque criminosos comandam suas quadrilhas de dentro de presídios de “segurança máxima”;
    g) porque menores de 18 anos podem atear fogo em suas vítimas,  e debochar da polícia, da justiça e da cidadania;
    h) porque as manifestações promovidas pelas “organizações populares” quase sempre terminam em baderna e quebra-quebra.

  2. Criminosos costumam virar mártires dos esquerdistas.
    Para a esquerda brasileira  os criminosos, não importando a natureza contumaz e a crueldade de seus crimes, são sempre transformados em vítimas “de uma sociedade injusta e desigual”; a “exclusão social” é invocada como justificativa para os crimes mais  bárbaros.

    Esta esquerda cruel e insensível não tem a mínima compaixão pelos pais e mães que choram a perda de um filho, sem dúvida uma das maiores tragédias que podem se abater sobre um ser humano, e não dá a mínima para as esposa e filhos que se tornam de um dia para o outro viúvas e órfãos  desamparados. Não, seu interesse e preocupação se concentra nos assassinos, cuja punição tentam a todo custo minimizar e procrastinar.

    A polícia é invariavelmente acusada de brutalidade e violação de direitos humanos, MESMO QUANDO CLARAMENTE ESTÁ USANDO A F0RÇA NA MEDIDA NECESSÁRIA. Policiais são executados a sangue frio por bandidos, no momento em que estes descobrem a identidade daquele. Nestes casos  nem uma única palavra.

    Os esquerdistas chegam ao paroxismo da estupidez e da insensibilidade ao culpar a vítima: quando um médico carioca foi assassinado a facadas por adolescentes que roubaram sua bicicleta, um esquerdista atribuiu a culpa ao médico por “ostentar uma bicicleta cara em um país de excluídos.”

  3. Os templos da esquerda são as escolas públicas e os sacerdotes são os professores.
    Os esquerdistas conseguiram transformar as escolas da rede pública de ensino em locais de doutrinação política e de inculcação de conceitos éticos e morais de sua preferência. Ensina-se a crianças e adolescentes que:
    a) a religião em geral e o cristianismo em particular são invenções puramente humanas;
    b) a sexualidade precoce é natural;
    c) o Bem e o Mal não são conceitos absolutos, mas apenas relativos; se algo faz você feliz, está OK;
    c) ser homossexual ou bissexual é normal;
    d) o capitalismo é um regime baseado na injustiça e na exploração;
    e) o socialismo trará a igualdade e a fraternidade entre todos os seres humanos, que viverão felizes para sempre;
    f) Cuba e Venezuela são modelos de sociedades democráticas, justas e igualitárias, que o Brasil deve imitar;
    g) Fidel Castro e Che Guevara foram os maiores heróis do continente americano, e todos os povos devem  reverenciá-los;
  4. Os esquerdistas são inimigos da Ciência que considera as realidades de Deus.
    Os esquerdistas só apreciam a Ciência quando esta parece confirmar suas ideias; caso contrário, estão prontos a reagir, protestar, desautorizar e renegar o valor das pesquisas e conclusões.  É mais ou menos o que no Brasil conhecemos por patrulhamento ideológico.
     

O item seguinte é uma característica que percebo na esquerda brasileira mas que não me parece tão extremada no liberalismo-esquerdista dos americanos. A razão me parece ser o fato de que nos Estados Unidos já existe um consenso, pelo menos em  linhas gerais, sobre o projeto nacional. Quase 100% dos americanos concordam que seu país será, pelo menos no futuro previsível, uma democracia capitalista.

No Brasil não existe sequer um consenso básico sobre o que queremos ser como nação: uma democracia capitalista? uma ditadura socialista? uma república bolivariana (seja lá o que for isto)? Gostaríamos de ser um país como os Estados Unidos? Ou seria melhor uma Cuba de dimensões continentais? Ou, quem sabe, talvez como a Coréia do Norte, com uma sequência infinda de “Grandes Companheiros” (Lula I, Rex Magno; Lula II,  Amicus Animalis; Lula III, Dux Terrae Brasilis, etc)? Podemos estar certos de que há defensores de todas estas alternativas.

Assim, parte da esquerda brasileira tem uma característica adicional.

5 – A divisão dos brasileiros entre “nós” e “eles”
Parte da esquerda procura difundir a divisão do povo brasileiro em duas categorias: “nós”, que em algumas versões inclui desde os miseráveis até os trabalhadores metalúrgicos da indústria automobilística; versões mais radicais excluem do “nós” todos os brasileiros que fazem regulamente três ou mais refeições ao dia. Em qualquer caso, “nós” representa tudo que há de elevado, altruísta e virtuoso no país; em contraste, “eles” é um símbolo do que é sórdido, egoísta e pecaminoso. No final das contas, a política é vista como um jogo de soma zero em que “eles” tem que perder para que “nós” ganhe. Alguns esquerdistas já insinuam que a liquidação de um número indeterminado de “eles” será necessária (veja o post REDENÇÂO), outros declaram seu ódio a “eles” (veja o post OS EXTREMOS SE ENCONTRAM). Mas a maioria parece aceitar o jogo democrático.

E assim vamos caminhando para o decisivo ano de 2018…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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VISITA AO MASP

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Morei quase seis anos em São Paulo, mas nunca tive a oportunidade de conhecer este famoso museu, que é também um marco na arquitetura da cidade. E eu morava ali perto. No ano passado eu e Izabel fomos a São Paulo e nos hospedamos na casa de uma amiga, localizada também próximo da Paulista. E, finalmente, fui conhecer o MASP e vi toda esta beleza, e ainda por cima sem pagar nada, pois há um dia da semana no qual a entrada é franca!

Ao longo dos últimos meses fui coletando no próprio site do MASP as imagens das obras que eu tinha certeza de ter visto naquele dia e aí estão, para mostrar como é rico e variado o acervo deste museu, que deve ser motivo de justo orgulho para os paulistanos.

 

 

 

O BRASIL E A CRISE 2017 (II) – O DOMÍNIO DO IMPONDERÁVEL

Quando publiquei o primeiro post desta série, minha ideia era escrever mais dois ou três,  talvez um abordando os sinais de recuperação da economia, outro sobre a questão da moralidade no trato da coisa pública, e por aí vai. Desisti da ideia. Ficarei só neste post pois vivemos um período no qual a velocidade e o caráter inusitado dos acontecimentos torna HOJE obsoleta a análise de ONTEM.

Vivemos sob o domínio do imponderável!

Estava iniciando o post sobre a recuperação da economia quando surgiu do nada o devastador escândalo envolvendo o presidente Temer. Esperar que, no Brasil, um político profissional há 40 anos tenha se mantido honesto é como esperar encontrar uma virgem em um prostíbulo. De fato, a política brasileira é desde sempre viciada pelo patrimonialismo, pelo personalismo e pela corrupção.

Gosto de citar três frases que, a meu ver, representam muito bem estas características da política que se pratica no Brasil. A primeira, de autoria incerta, mas atribuída genericamente a um político mineiro, afirma que “Manda quem nomeia, transfere e demite, prende e manda soltar.”, ou seja, o Estado é como uma fazenda, onde o dono estabelece quem vai ou não trabalhar ali, quem vai ser ou deixar de ser punido. A segunda frase, atribuída a Getúlio Vargas (1882-1954), demonstra como a igualdade formal entre os cidadãos foi sempre uma farsa em nosso país: “Para os amigos, tudo; para os indiferentes nada; para os inimigos, a Lei.” E, finalmente, a conhecida frase, já mais que cinquentenária, “Ou restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos.” do jornalista Sérgio Porto (1923-1968), mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, cujo humor cáustico nos deixou um retrato engraçado e um tanto constrangedor de uma sociedade que se modernizava aceleradamente nas décadas de 50 e 60 do século XX.

Se, como ensinava Aristóteles, “O homem é um animal político.”, pode-se dizer metaforicamente que a esmagadora maioria dos políticos, e particularmente os parlamentares, pertence ao gênero “latro” (do latim, ladrão),  animal político que se alimenta de propina. O gênero “latro” compreende algumas espécies distintas, conforme descrito a seguir.

A mais comum é o “latro vulgaris”, abundante no Planalto Central. Após séculos de sobrevivência na mata atlântica, foi introduzida e adaptou-se ao clima do cerrado. Vive em simbiose com o poder. Como se sabe, numa relação simbiótica os dois organismos obtêm benefícios, ainda que em proporções desiguais. No caso, o “latro vulgaris” fornece uma certa legitimidade ao poder e dele extrai uma quantidade moderada de propina.

Outra espécie conhecida é o “latro majoris”, animal político de alta periculosidade. A população de “latro majoris” aumentou exponencialmente desde 2003. A espécie sobrevive em uma relação parasitária com o poder. Na relação parasitária, somente um dos organismos (o parasita) recebe benefícios; o outro organismo (o hospedeiro) é exaurido pelo parasita, eventualmente até a morte, que representa geralmente também o fim do parasita. O apetite do “latro majoris” é insaciável, e ele abocanha propinas astronômicas,  como por exemplo, R$500.000 por semana durante 25 anos, o que totaliza a inimaginável quantia de CR$650.000.000,00 (seiscentos e cinquenta milhões de reais).

O Planalto Central abriga ainda a espécie “latro lulensis”. Trata-se de uma espécie de ferocidade incomparável. Os hábitos parasitários e a voracidade pela propina podem levar um observador desatento a confundi-lo com o “latros majoris”, porém análise mais detalhada dos espécimes capturados pela Polícia Federal mostra que o “latros lulensis” é, por natureza, um predador, que tem como objetivo final a aniquilação do hospedeiro e sua substituição por outro, com uma estrutura bem diferente.

Entre o “latro majoris” e o “latro lulensis” a diferença básica é essa: o “majoris” tem a propina como fim e mata seu hospedeiro ocasionalmente, como efeito colateral de sua voracidade; já o “lulensis” tem a propina como meio para liquidar seu hospedeiro.

Resumindo a história: Michel Temer, animal político que todos imaginavam ser um “latro vulgaris”, revelou-se um “latro majoris”!

Deixando de lado o humor que tento imprimir na descrição de um evento triste e humilhante para o Brasil e os brasileiros, acho que a situação é mais ou menos esta mesmo. Pois, vamos e venhamos, independente de quaisquer explicações, justificativas ou versões alegadas pelos advogados de Michel Temer, o FATO de um Presidente da República receber altas horas da noite um empresário suspeitíssimo já levanta o sinal de alerta; o FATO de um Presidente da República ouvir a confissão de que membros do judiciário foram subornados e ficar quieto é um escândalo de proporções gigantescas.

Temer deveria ter tomado imediatamente uma atitude firme; não sei se poderia ter dado voz de prisão ao sujeito, mas no mínimo deveria ter chamado alguém como testemunha, narrado o ocorrido e acordado o Ministro da Justiça e quem mais fosse preciso para definir o que fazer. Ora, Temer não fez isso e evidentemente cometeu um crime de responsabilidade ao acobertar ou simplesmente ignorar  a confissão de um crime gravíssimo.

Só esse FATO já seria motivo para um processo de impeachment. Do ponto de vista ético e moral, Michel Temer acabou; por consequência, seu governo também acabou. O melhor que o presidente será capaz de fazer é vender a ideia de que: (a) é apenas um “latro vulgaris” e; (b) já que ninguém presta mesmo, tanto faz Temer, como Emer, como Remer, pois são todos farinha do mesmo saco, logo fica-se com Temer. Assim, o atual ex-presidente Temer deve ocupar a cadeira e usar a faixa presidencial até o fim de 2018. Até nisto somos inovadores: temos o primeiro presidente zumbi de que se tem notícia na história.

A eleição de 2018 é uma grande incógnita e mais uma prova de que, neste momento, o Brasil é um país sem futuro!

Lula, o preferido nas pesquisas, poderá estar preso, inelegível ou morto em 2018. Afinal, é réu ou está indiciado em mais de 10 processos criminais; aos 71 anos, Lula enfrenta também sérios problemas de saúde. Se, contrariando todas as expectativas racionais (novamente, o imponderável), Lula for eleito presidente, caímos todos no abismo. O clima de ódio entre adversários políticos, a divisão do Brasil entre “nós” e eles”, o discurso envenenado pelo desejo de provocar a luta fratricida no país (veja o post “REDENÇÃO”, neste blog), tudo isto nos conduz para um desfecho trágico.

Com exceção de Lula, o PT não possui candidato viável. Ou alguém imagina Gleisi Hoffmann, ré em processo no STF e cujo consorte é acusado de roubar a nada módica quantia de R$100.000.000,00 (isto mesmo, cem milhões de reais) dos aposentados, concorrendo à presidência do Brasil?

Jair Bolsonaro é aclamado como o Salvador da Pátria. Mas dificilmente ganhará uma eleição presidencial falando sobre livros didáticos LGBT. Onde as grandes questões econômicas, políticas e sociais? onde o projeto para a Nação? Bolsonaro só terá chance de alcançar a presidência se arrumar uma excelente equipe de marqueteiros que o prepare bem para os debates e entrevistas.

Se Jair Bolsonaro for eleito, só terá chance de fazer um bom governo caso disponha de ampla maioria no Congresso e, além disto, consiga formar um ministério de qualidade excepcional, que lhe permita governar apesar se suas evidentes limitações. Mas será que num país com 35 partidos é possível construir maiorias sólidas no Congresso sem loteamento de cargos? A experiência dos últimos 30 anos mostra que não.

Outro problema que Jair Bolsonaro enfrentará é a decepção dos eleitores. O que atrai grande parte de seu eleitorado é o discurso do deputado sinalizando maior rigor no combate à criminalidade. Mesmo que vença as eleições, Bolsonaro terá extrema dificuldade para implementar eventuais propostas nesse sentido. A Constituição brasileira tem as chamadas “clausulas pétreas”, que não podem ser mudadas nem que 100% da população, 100% dos deputados e 100% dos senadores estejam de acordo. Assim, quaisquer medidas no sentido de endurecimento no combate ao crime e maior rigor na punição dos criminosos serão imediatamente alvejadas por uma saraivada de Ações Diretas de Inconstitucionalidade que os defensores dos direitos humanos impetrarão junto ao Supremo. E é mais do que certo que o egrégio tribunal irá considerar essas ADIN’s procedentes.

No PSDB também há problemas. Politicamente, Aécio está mais morto do que Tancredo. José Serra encontra-se em lugar incerto e não sabido, no que diz respeito à política, desde sua misteriosa renúncia ao cargo de Ministro das Relações Exteriores. Alckmin sonha com a candidatura, mas sua fama de incorruptível (a virgem no bordel?) foi um pouco dilacerada quando se soube que o codinome “Santo” usado nas planilhas de controle de propina da Odebrecht se referia a ele. Ademais, como eleger alguém cujo charme e simpatia lhe valeram o apelido de “picolé de xuxu”? Dória tenta se cacifar para uma eventual disputa, mas será que 2018 não é muito cedo? E os eleitores paulistanos, será que lhe perdoarão abandonar a prefeitura apenas dois anos após ter sido eleito com expressiva votação?

Menciona-se ainda a possível candidatura de Ciro Gomes, que encarna de forma perfeita um “coronel nordestino”, arrogante e prepotente, de uma grossura tão enraizada no caráter que nem a temporada em Harvard conseguiu torna-lo civilizado. Para este personagem folclórico, sobrarão os votos de seu curral eleitoral cearense.

Isto resume a situação política do Brasil em 2017: o Executivo e o  Legislativo completamente desmoralizados; o Judiciário ainda digno de algum crédito graças a Sérgio Moro e outros juízes de primeira instância de mesmo naipe. Entretanto as forças do Mal encasteladas no STF trabalham ativamente para destruir também este último sustentáculo da esperança de um Brasil melhor.

O final da história? Só Deus sabe…